Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 112
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112: Ava: Acordando 112: Ava: Acordando Escuridão.
Luz.
Tão frio.
Queima.
Minhas pulmões doem.
Algo está me prendendo.
Há sussurros. Orações, eu acho.
O caos reina neste mundo turvo. Algo apita incessantemente.
Estou suando. Minhas mãos estão quentes demais.
… acima.
O que é isso?
… Ava, você…
Quem é isso?
… você pode me ouvir?
Luto para alcançar a voz que me chama, mas algo me puxa de volta de novo.
A frustração fervilha, mas estou cansada demais para lutar.
Ava, você tem que acordar.
Lá está de novo.
Eu sei que você pode me ouvir, porque finalmente posso te ouvir.
Ouvir eu? Ouvir o quê? Estou falando?
Sim.
Não, acho que não estou falando. Estou cansada demais. Meu corpo está esmagado sob a terra. O fogo comeu cada pedaço de mim. Eu me afoguei. O ar foi sugado.
Você está viva. Você está dormindo no hospital. Tudo está bem. Você só precisa acordar.
Não, não.
Não, não, não.
Acordar é dor.
Eu me lembro da dor.
Não haverá dor, Ava. Apenas acorde. Volte para mim.
De jeito nenhum.
É tranquilo aqui, nesse lugar turvo.
Ava, você tem que voltar. Não é aqui que você deve ficar.
Sem lugar para mim? Mas eu estou aqui, nessa serenidade da escuridão. Eu sinto dor, mas não me mata. Não é o bastante para matar.
Você não vai morrer, Ava. Você está viva.
Viva.
Viver significa morte—
Ava, chega. Acorda. Pare de se autocomiseração. Você nunca morreu. Acorda!
* * *
Meus olhos se abrem com dificuldade. Eles estão como lixa raspando contra minhas pálpebras. Tudo está embaçado, formas indefinidas. Branco. Luzes agressivas.
Ava.
Selene. Sua voz é mel quente em minha mente, confortante. Me ancorando. Tento falar, mas minha garganta está seca, a voz um sussurro rouco. “Selene?”
Um focinho úmido pressiona minha palma. O leve peso de sua cabeça descansando na minha mão. Viro minha cabeça lentamente, com dor. Ela está lá, a pelagem prateada brilhando, os olhos azuis brilhantes de inteligência e preocupação.
Você acordou. Alívio colore seu tom.
Engulo com dificuldade, minha língua pesada e grossa. “O que aconteceu?” As palavras saem raspando.
Depois. Descanse agora. Ela se aninha em meu braço. Quero protestar, mas o esgotamento me arrasta para baixo novamente.
Alguém está chamando meu nome, mas já estou longe.
* * *
A consciência retorna gradualmente. O bip constante de um monitor cardíaco. O cheiro químico de desinfetante. Lençóis engomados ríspidos contra minha pele. Um IV belisca o dorso da minha mão.
Minhas pálpebras estão pesadas, mas as forço a abrir. O teto nada em foco — azulejos brancos, luzes fluorescentes. Um hospital. Selene está enrolada ao meu lado, um calor reconfortante.
Bem-vinda de volta. Seu alívio me envolve.
Lucas e Lisa estão aqui. Eles estão me fazendo perguntas, um falando por cima do outro. É doloroso para meus ouvidos.
“Quanto tempo eu estive apagada?” Rouco, minha garganta crua pelo desuso.
Três semanas, Selene geme baixinho. Estávamos tão preocupados.
“Você está bem?” Lucas pergunta, muito perto de mim.
“Como você está se sentindo?” Lisa intervém, do meu outro lado.
Três semanas. A notícia me atinge como um soco no estômago. Luto para me sentar, meus músculos fracos e não cooperativos. Selene ajuda, apoiando seu corpo contra o meu, e ambos Lisa e Lucas colocam as mãos nas minhas costas para me ajudar a sentar até eu estar sentada.
É um processo inteiro que me deixa exausta.
Uma vez sentada, faço um balanço. Meus membros estão rígidos, atrofiados. Uma agulha belisca minha mão, ligada a um poste de IV com algumas bolsas penduradas. Uma das bolsas parece leite, e essa está conectada a outra linha de IV no cotovelo do meu outro braço.
Estou com uma camisola de hospital, cobertores agrupados na minha cintura. Meu cabelo está lânguido e oleoso contra meu pescoço.
Calma, Selene adverte enquanto balanço, tonta. Você passou por muita coisa.
Eufemismo do século. Rebobo minha mente, tentando juntar as peças de como acabei aqui. Treinando com Jerico e Lisa. Desmaiando no sofá. Então… nada. Um buraco negro imenso na minha memória.
“O que aconteceu comigo?”
Lucas estende a mão para meu rosto, seus dedos hesitantes e gentis contra minha pele. O calor flui entre nós, um sentimento de conforto, e a vontade de pressionar minha bochecha em sua mão, me aninhando perto.
“Não sabemos ao certo. Vanessa acha que seu lobo está tentando emergir. Você se sente diferente?”
Por tanto tempo, anseiei por me transformar, correr sob a lua. Ser inteira. Mas agora, com toda a estranheza envolvendo minha herança, a ideia me enche de apreensão. Lanço um olhar para minha loba, disfarçada de husky por uma razão que ela ainda não explicou, e suas orelhas tremem quando ela lambe meu rosto, acomodando-se no meu colo como se ela fosse um cachorrinho de colo.
Ela não é. Ela é grande demais para isso.
Não tenha medo, Selene acalma, sentindo meu desconforto. Isso é natural para você.
Natural. A palavra tem gosto de cinzas na minha língua. Nada na minha vida foi natural. Vanessa está certa? Você vai ser parte de mim agora?
Selene pressiona a cabeça contra meu peito, mas Lucas e Lisa estão falando.
“Você está bem, Ave? Você se lembra de alguma coisa?” O sentimento das mãos do meu melhor amigo envolvendo as minhas é…
Bom.
Como família.
Como voltar para casa.
Algumas lágrimas tentam sair dos meus olhos, mas as afasto como melhor consigo.
Não preciso chorar só porque há duas pessoas neste mundo que se importam com o que acontece comigo.
“Desculpe, ainda estou um pouco grogue.” E minha garganta dói.
Lucas muda na cama, movendo-se devagar para não me sacudir ou nos fios que parecem estar por toda parte. Seus braços me envolvem, um deslizando por baixo das minhas costas e o outro drapando sobre minha cintura. Ele é tão cuidadoso, me tratando como se eu fosse de vidro.
Quero protestar, insistir que não sou inválida, mas as palavras morrem na minha garganta enquanto ele me atrai para seu abraço. Seu calor me envolve, espantando o frio que parece ter se instalado nos meus ossos. Não consigo evitar de me inclinar em direção a ele, minha cabeça descansando contra seu peito.
Seu coração bate forte e constante sob minha orelha, um ritmo suave que faz meus olhos se fecharem. Por um momento, permito-me afundar no seu conforto, tirando força de sua presença.
“Ava,” ele murmura, sua respiração mexendo meu cabelo. “Eu estava tão preocupado.”
A emoção crua em sua voz faz meu coração apertar. Inclino minha cabeça para trás para olhá-lo, encontrando seu olhar dourado. Há tanto lá — alívio, preocupação e algo mais que não consigo nomear.
“Estou bem,” sussurro, mesmo não estando completamente certa disso.
Meu estômago escolhe esse momento para roncar alto, e percebo com um sobressalto que estou absolutamente faminta. É como se houvesse um buraco imenso no meu meio, um vazio que exige ser preenchido.
Lisa se inclina, afagando meu braço. “Não se preocupe, Ave. Você está recebendo todos os nutrientes de que precisa por aqui.” Ela aponta para uma das bolsas de IV, a que parece estar cheia de leite.
Olho-a com ceticismo. A ideia de ser sustentada por uma bolsa de líquido não me enche exatamente de confiança.
Você precisa de comida de verdade, Selene intervém, sua voz ecoando em minha cabeça. Para recuperar sua força.
Ela está certa. Sinto a fraqueza nos meus músculos, o jeito que meu corpo parece ter se definhado durante meu tempo inconsciente. O pensamento de comida sólida faz minha boca salivar, meu estômago se contraindo em antecipação.
Um movimento na porta chama minha atenção, e levanto o olhar para ver Vanessa entrando no quarto. Seu olhar varre sobre mim, avaliando, e não consigo evitar recuar contra o peito de Lucas.
“Como você está se sentindo, Ava?” ela pergunta, parada no pé da cama.
“Com fome,” admito, minha voz ainda rouca. “E fraca.”
Ela assente, como se fosse exatamente o que esperava ouvir. “Isso é normal, dado quanto tempo você ficou apagada. Vamos começar com uma dieta líquida e gradualmente passar para alimentos sólidos.”
Devo fazer uma cara ao ouvir falar de dieta líquida, porque ela me dá um pequeno sorriso. “Eu sei que não parece atrativo, mas precisamos ter cuidado para não sobrecarregar seu sistema. Seu corpo passou por muito.”
Isso é um eufemismo. Ainda não consigo entender o fato de que estive inconsciente por três semanas. Parece que fechei os olhos apenas por um momento, e agora tudo mudou.
Os braços de Lucas apertam em torno de mim, como se pudesse perceber a direção dos meus pensamentos. “Vamos superar isso, Ava. Juntos.”