Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 105
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- Capítulo 105 - 105 Ava Treinamento (II) 105 Ava Treinamento (II) Na metade
105: Ava: Treinamento (II) 105: Ava: Treinamento (II) Na metade do caminho na pista, Jerico aparece de novo.
Nunca teve uma pessoa que eu amei e odiei tanto quanto ele, e olha que eu tenho uma família fodida que inspira todo tipo de ódio junto com o amor que uma família compartilha.
“O quê,” eu resmungo enquanto avanço, esticando minhas pernas e abaixando com meus braços absurdamente fracos. Eles estão tremendo demais. Tá tipo gelatina, e eu mal consigo levantar os halteres do meu lado.
Mas eu não paro.
“Endireita as costas,” Jerico rosna, observando minha postura criticamente. “Mantém teu core firme.”
Ajusto minha posição, tentando manter o equilíbrio enquanto os músculos das minhas pernas tremem. Jerico resmunga, aparentemente achando minha forma aceitável, antes de me empurrar algo.
“Aqui. Halteres de duas libras. Nunca precisei começar alguém tão baixo antes.”
Olho para baixo, surpresa ao ver que os pesos são de uma cor rosa brilhante e bonita. Parecem impecáveis, como se nunca tivessem sido tocados.
“Você mandou alguém comprar esses pra mim?” A pergunta escapa antes que eu possa me segurar.
Os olhos de Jerico se estreitam. “Não é da sua conta,” ele late, virando nos calcanhares e indo em direção à Lisa, que está lutando com seu próprio conjunto de agachamentos.
Eu não consigo evitar um risinho—na minha cabeça, porque não tenho fôlego para nada—enquanto continuo o exercício, os pequenos pesos agarrados nas minhas mãos. Apesar do comportamento brusco de Jerico, o fato de ele ter saído do seu caminho para pegar isso para mim manda uma onda inesperada de calor pelo meu peito.
É um gesto pequeno, mas fala muito. Embaixo daquela casca dura, talvez Jerico não seja tão frio quanto parece.
“Levanta esses braços mais alto, Cinza! Tá achando que é brincadeira?” A voz de Jerico corta meu calor momentâneo como uma faca.
Eu aperto os dentes, forçando meus braços para cima apesar da ardência irradiando pelos meus músculos. Suor escorre pelo meu rosto, ardendo meus olhos. Os pesos parecem pedras me arrastando para baixo.
Não, eu retiro o que disse. Jerico é um bastardo sem coração mesmo. Um sargento instrutor sádico, sem piedade, determinado a me quebrar.
Lanço um olhar furioso para ele através das mechas de cabelo coladas na minha testa. Ele encara de volta, inabalável, com um sorriso brincando nos cantos da boca. Ele tá curtindo isso, o idiota.
“Olha pra frente! Eu disse que podia parar? Continua!” Ele late, cruzando os braços sobre o peito.
Resisto à vontade de jogar um desses halteres rosa bonitinhos na cabeça dele. Por pouco. Em vez disso, me obrigo a continuar, cada levantamento mandando novas ondas de agonia pelo meu corpo.
Meus braços estão pegando fogo, tremendo sem controle. Tenho quase certeza que é assim que a morte se sente. Mas eu não vou dar a Jerico a satisfação de me ver desistir. Vou terminar esse conjunto mesmo que me mate.
“Vamos lá, Ava! Você consegue!” Lisa grita de algum lugar à minha esquerda, a voz tensa mas encorajadora.
Claro, Jerico também grita com ela. Coitada da Lisa. Ela está sofrendo tanto quanto eu.
Mesmo assim, me agarro às palavras dela como se fossem uma boia, ganhando força a partir do apoio dela. Estamos nisso juntas, sofrendo sob a regra tirânica de Jerico. Unidas na nossa miséria.
Só mais algumas repetições. Eu consigo fazer isso. Eu tenho que fazer isso. Por mim, pela Lisa, e talvez só um pouquinho para irritar Jerico.
Eu convoco cada grama de determinação que possuo, empurrando através da dor, do cansaço, do desejo avassalador de desabar no chão e nunca mais me mover.
Um agachamento. Dois. Três. Cada levantamento é uma batalha, uma guerra travada contra minhas próprias limitações. Mas eu continuo, movida pela pura teimosia e pela recusa em deixar Jerico me quebrar.
Finalmente, misericordiosamente, eu consigo dar a volta na pista. Eu não faço ideia de quanto tempo se passou. Eu tô basicamente morta agora.
Derrubando os pesos no chão, eu perco todo o controle sobre meus braços tremendo. Estou ofegante, meu coração acelerado, meu corpo todo encharcado de suor.
Será que todos os lobos de Westwood passam por esse nível de inferno?
“Nem de perto,” Jerico debocha, respondendo minha pergunta não intencional. “Nenhum lobo de Westwood nasceu tão fraco quanto você está agora.”
Se eu tivesse energia, protestaria contra as palavras cruéis dele.
Mas eu não tenho nenhuma.
Como eu disse, tô basicamente morta agora.
Lisa, ainda lutando com seus próprios exercícios, se manifesta. É incrível como ela ainda tem energia para falar depois de tudo. “Ei, isso não é justo! Você tá me submetendo a um treinamento de transformista, e eu sou humana!”
No fim das contas, eu sou praticamente humana também…
Jerico fala baixinho, apenas alto o suficiente para que a gente possa ouvir. “Por favor. Essas são condições para um bebê humano, e ainda assim vocês duas só reclamam.”
“Não tô reclamando,” eu aponto fracamente, tendo em algum momento caído no chão para olhar para o céu e me perguntar quando vou ter função corporal de novo.
“Bebês nem andam até serem crianças,” Lisa murmura.
“E essa petulância aí é exatamente por que você não evolui, Miss Prissy.”
Não consigo evitar—um riso escapa dos meus lábios. A atitude sem enrolação do Jerico e as respostas afiadas da Lisa são como assistir a uma força imparável encontrar um objeto inamovível.
Lisa resmunga, sua voz só para eu ouvir. “Nunca fui tratada desse jeito em toda a minha vida.”
“Bem, talvez você fosse uma pessoa melhor se tivesse sido,” Jerico estala de volta, seu tom não deixando espaço para argumento. Orelhas de lobo. A Lisa ainda não se acostumou com elas.
Fecho os olhos, deixando os resmungos da Lisa se desvanecerem ao fundo, enquanto me concentro na sensação da brisa fresca acariciando minha pele suada. É um pequeno alívio do treino extenuante que Jerico acabou de nos submeter, e eu vou aceitar qualquer momento de paz que conseguir.
Mas justo quando começava a relaxar, algo toca minha mente—uma sensação fugaz, como um sussurro fora de alcance. Meus olhos se abrem de repente, meu coração acelerando com um súbito surto de esperança e saudade.
Selene? Eu chamo mentalmente, buscando desesperadamente aquela presença familiar. Selene, é você?
Silêncio.
Eu espero, com o fôlego preso, esforçando-me para sentir ao menos uma leve indicação de resposta. Mas não tem nada. Apenas o vazio que vem me assombrando desde que Selene desapareceu.
A decepção me atinge, um peso pesado se instalando no meu peito. Eu devia estar acostumada com isso até agora—mas corta tão fundo todas as vezes que penso nela.
Fecho os olhos novamente, tentando conter o nó na garganta. Sinto tanta falta dela. A dor constante da ausência dela é como uma dor física, um espaço vazio dentro de mim que nada mais pode preencher.
Respiro fundo, deixando o ar sair suavemente.
Foco no que consigo lidar agora.
Não me afundo.
Sigo em frente.