Enredado ao Luar: Inalterado - Capítulo 102
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102: Lucas: Ciúmes 102: Lucas: Ciúmes LUCAS
Ela vai falar com o Clayton hoje à noite.
Ela não me deixa ligar, mas vai falar com ele.
Puta que pariu. Eu tô ficando louco.
Meu lobo me dá um gelo, um muro palpável de desaprovação e ressentimento emanando dele. Eu sei que ele me culpa por essa bagunça.
“Eu tô tentando,” murmuro, andando de um lado para o outro no meu escritório. “Eu tô fazendo tudo que posso para consertar isso.”
Não haveria nada para consertar se você não tivesse rejeitado nosso companheiro logo de cara, ele retruca, com uma voz pingando de acusação.
Esfrego as mãos no meu rosto, lutando para não gemer de frustração. Ele tá certo e eu odeio isso. Se eu não tivesse sido tão malditamente estúpido, a Ava já estaria comigo há muito tempo. Segura. Marcada. Minha.
Mas não posso mudar o passado. Só posso tentar salvar o futuro.
Vai até ela, meu lobo exige. Reivindica ela antes que ele faça isso.
Balanço a cabeça. “Ela precisa de espaço. Eu tenho que respeitar isso.”
Espaço é a última coisa de que ela precisa. Ela precisa do companheiro dela. Ela precisa da gente.
A tentação de ceder, de ir até lá e arrastá-la de volta para a minha cama, é quase insuportável. Mas eu não posso. Eu não vou ser esse tipo de alfa. Esse tipo de homem. Eu não vou ser escravo dos impulsos do vínculo do destino dentro de mim.
Preciso arejar a cabeça. Sair desse escritório sufocante e simplesmente… correr.
Sem dizer uma palavra para ninguém, tiro minhas roupas e me transformo, deixando meu lobo assumir. Ele avança, todo poder enrolado e agressão mal contida, e corremos para a floresta.
O ar frio da noite bate em nós enquanto corremos, os aromas do verão enchendo meus pulmões. Aqui fora, com nada além do vento e das árvores, as coisas parecem mais simples. Mais claras.
Eu sei o que tenho que fazer. Eu tenho que lutar por ela. Mostrar a ela que sou o único com quem ela pertence, o único que pode dar tudo o que ela precisa.
Mas tenho que fazer do jeito certo. Reconquistar a confiança dela, o afeto dela. Provar que sou digno dela.
Meu lobo rosna, impaciente e insatisfeito, mas eu continuo. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez.
O ritmo constante das nossas patas contra o chão da floresta abafa o caos na minha cabeça. A cada passada, a turbulência desaparece, substituída pela alegria simples da corrida. Meu lobo se delicia com a liberdade, com a selvageria de tudo.
É disso que a gente precisa, ele murmura, contente pela primeira vez em dias.
Não consigo deixar de concordar. Lá fora, as complicações da política da alcateia e o emaranhado da minha vida amorosa parecem distantes. Há apenas o vento no meu pelo e a terra sob meus pés.
Corremos por milhas, perdendo-nos no prazer primal da caça, mesmo que estejamos caçando nada além das nossas próprias sombras. As preocupações derretem, deixando apenas a pureza do momento.
E então, um cheiro na brisa. Algo que não pertence.
Cachorro vira-lata, meu lobo bufa, com o nariz torcendo enquanto capta o odor. Provavelmente o animal perdido de algum humano.
Mas há algo familiar nisso, algo que puxa minha memória. Não consigo identificar bem, mas me atrai como um ímã.
Mudamos de direção, seguindo o rastro mais para dentro da floresta. O cheiro fica mais forte a cada salto, nos impulsionando.
E então a vemos. Uma husky, com o pelo emaranhado e opaco, as costelas aparecendo através de seu corpo magro. Ela olha para nós com olhos azuis desconfiados, eriçando levemente os pelos com a visão de um lobo.
Mas eu não sou apenas um lobo. E essa não é uma vira-lata qualquer.
Selene.
O nome sussurra em minha mente, um fragmento meio esquecido dos dias observando a Ava em Cedarwood.
Mas o que a Selene está fazendo aqui, sozinha e maltratada? E por que eu tenho a sensação de que tem mais nesse cachorro do que aparenta?
Devagar, com cautela, me aproximo da husky, meu lobo observando atentamente por trás dos meus olhos. Selene fica de pé, o olhar fixo no meu.
Há uma inteligência lá, uma profundidade que nenhum cachorro ordinário deveria possuir. Como se ela soubesse exatamente quem e o que eu sou.
A reação do meu lobo me pega completamente desprevenido. Um momento ele tá todo desprezo arrogante por cachorros vira-latas, e no próximo, ele tá se rastejando de barriga no chão como um filhote implorando por atenção. Só posso assistir em total descrença enquanto ele se arrasta até a Selene, o rabo balançando tão forte que vira um borrão.
Que merda você tá fazendo? Eu exijo, mas ele me ignora, focado demais em seu objetivo.
Selene observa a aproximação dele com um olhar frio e avaliador. Ela não se mexe, não reage, mesmo enquanto meu lobo se arrasta cada vez mais perto, o focinho esticado para cheirar as patas dela.
Eu me preparo para ela estalar nele, para colocá-lo em seu lugar. Mas para meu completo choque, ela permite o contato, os olhos se estreitando levemente enquanto a língua dele sai para lamber o focinho dela.
Pare com isso! Eu rosno, mortificado pelo comportamento dele. Você tá fazendo a gente parecer um idiota.
Mas ele não me dá ouvidos, perdido no seu próprio mundo de adoração canina. Ele cobre a Selene de beijos frenéticos, o corpo inteiro tremendo com a força da empolgação.
E a Selene… tolera. Ah, ela não tá exatamente entusiasmada, se o rosnado leve no lábio dela é algum indicativo. Mas ela não explode, não rejeita as investidas dele.
É a coisa mais doida que eu já vi. Meu lobo, a fera feroz e orgulhosa que ele é, reduzida a uma confusão babando aos pés de uma husky semi-estrelada. E Selene, distante e misteriosa, dignando aceitar sua adoração com a graça de uma rainha.
Chega, eu finalmente estalo, exercendo minha vontade para contê-lo. Você tá nos envergonhando os dois.
Ele choraminga, baixo e implorando, mas relutantemente recua, a língua pendurada em um sorriso bobo. Selene o considera com uma expressão canina indecifrável, os olhos azuis brilhando com algum conhecimento secreto.
Balanço a cabeça, tentando recuperar algum vislumbre de dignidade. Todo esse encontro me pegou de surpresa, deixando-me questionando tudo o que eu achava que sabia.
Companheiro, meu lobo sussurra.
Isso é loucura.
Meu lobo está destinado a uma cadela?