ENFEITIÇADA - Capítulo 74
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74: Incandescente 74: Incandescente Seus lábios se entreabriram ao avistar o que jazia à sua frente. Uma masmorra? Mas o que diabos?
O lugar era surpreendentemente grande a ponto de sua lamparina não conseguir iluminar o teto ou o extremo oposto de onde ela estava.
E então, repentinamente, ela se enrijeceu. Ela tinha a sensação de que algo ou alguém estava lá embaixo com ela. Havia uma presença viva, respirando naquele lugar. Algo, não, alguém estava aqui.
Evie estava imóvel. Ela conseguia sentir algo sombrio. Uma energia enegrecida e enrodilhada pulsava com um poder mortal e silencioso que a fazia tremer violentamente.
Ela sabia que deveria correr antes que fosse tarde demais. Mas por que de repente ela imaginou o rosto de Gavriel em sua mente? Este poder sombrio e silencioso… por que lhe era tão familiar? Isso mesmo, ela uma vez sentiu algo semelhante em direção a Gavriel. O que ela estava sentindo agora era muito mais intenso, mas, ainda assim, a fazia lembrar fortemente de Gavriel. Por que será? Isso estava ficando muito estranho.
De repente, Evie se lembrou de ter pensado mais cedo que os homens de Gavriel pareciam mentir sobre o paradeiro de seu marido. E ela não pôde deixar de pensar que talvez, essa presença tivesse algo a ver com o seu marido por mais improvável que parecesse ser.
Firmando-se, Evie se moveu e caminhou para frente, muito lentamente. A energia escura estava se tornando mais densa e insuportável à medida que ela avançava. Ela lutou por força, combatendo o medo que ameaçava consumi-la, preenchendo sua mente com pensamentos em Gavriel. Ela se lembrava de que aquele lugar ainda era Dacria e que ela estaria segura aqui, como ele havia lhe prometido.
Ela parou, contendo com dificuldade um grito surpreso ao avistar a sombra de um homem sentado à sua frente. A escuridão impenetrável não permitia que ela o visse claramente com a fraca luz de sua lamparina, mas ela conseguia vislumbrar um par de olhos incandescentes na escuridão e estavam olhando diretamente para ela.
Evie tentou com todas as suas forças não gritar e desabar no chão de medo. Ela cerrou os dentes e endureceu seu corpo, forçando-se a ficar de pé e a não mostrar nenhum pânico exterior. Quando olhou mais de perto, aqueles intensos olhos tornavam-se mais familiares para ela a cada segundo que passava. Eles eram incrivelmente brilhantes como os de Gavriel, mas algo naqueles olhos brilhantes não parecia pertencer ao seu marido.
Ela se lembrava de ter visto olhos assim antes. Olhos como esses geralmente pertencem a predadores mortais e insensíveis. E ainda assim, aquela sensação persistente no fundo dela lhe dizia que eles se sentiam iguais aos de Gavriel.
Evie não sabia o que fazer. Ela estava paralisada pela presença indescritivelmente temível que emanava daquela pessoa desconhecida, de olhos assustadores. Por outro lado, seu coração estava se movendo e doendo por algo. O que era? Por que estava doendo? Ela não tinha as respostas. A única maneira de descobrir as respostas seria se aproximar, apesar dos sinos de alarme soando em sua mente.
Ela deu um passo corajoso para frente e espiou a pessoa. No entanto, o dono daqueles olhos assassinos permaneceu imóvel e inerte. Isso a fez lembrar da perigosa quietude de um predador justo antes de atacar. Evie pausou novamente, balançando a cabeça por dentro, tentando afastar o terror residual.
Recusando piscar, Evie nunca tirou os olhos daquele par de olhos incandescentes que brilhavam na escuridão.
Um pouco mais e ela poderia ver seu rosto. Quem era ele? E o que estava fazendo neste lugar? Por que seu poder silencioso era tão aterrorizante? E acima de tudo, por que ele parecia com seu marido e, no entanto, parecia ser um homem diferente?
Dando outro passo, a mão de Evie tremeu enquanto ela levantava sua lamparina e no momento em que ela viu seu rosto, o tempo pareceu parar abruptamente. G-gavriel?!
Evie não podia acreditar em seus olhos. O homem era seu marido. O que ele estava fazendo aqui embaixo? O que aconteceu com ele? E o que é…
Ela não conseguiu nem emitir um som ao avistar algo escuro e fantasmagórico que parecia se envolver em torno dele.
Quantas vezes ela imaginou nos últimos dias o que faria assim que o visse? Ela se imaginou pulando nele e o abraçando o mais forte que pudesse, beijando seu rosto tão amado por toda parte. Ela até pensou em repreendê-lo por não aparecer primeiro, fazendo-a se preocupar até a morte.
Entretanto, agora que finalmente o viu, e estava bem diante dela, ela estava congelada no lugar, sem saber como reagir. Seus joelhos estavam tremendo, e seus lábios estavam tão dormentes que ela não conseguia proferir uma única palavra.
O medo tinha lhe capturado até o âmago. Ela nunca pensou que sentiria esse tipo de medo em relação a ele. Por que? Esse homem era realmente seu marido? Mas olhando para o rosto dele, era realmente ele em carne e osso. Então por que ele parecia estar vendo através dela? Ele já não a reconhecia mais?
O pensamento fez seu coração estremecer. Ela precisava falar. Precisava chamar seu nome. Talvez aquela coisa fantasmagórica envolvendo-o o tivesse possuído!
Evie se forçou a se libertar do medo. Mas enquanto lutava, uma agressão súbita e sede de sangue irromperam brutalmente.
Evie deu um passo involuntário para trás enquanto ele finalmente se movia e, sem aviso, ele investiu diretamente contra ela.
Um pânico sufocante apoderou-se de todo o ser de Evie enquanto ela assistia a uma grande sombra escura erguer-se ameaçadoramente. Então houve um borrão de movimento saltando pelo ar com uma velocidade impossível, explodindo da escuridão. Ela sabia que era ele e que ele estava prestes a…
“Gavriel!!!”
O grito de Evie ressoou pelas paredes de pedra gelada da masmorra escura como breu.