ENFEITIÇADA - Capítulo 461
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461: Impossibilidade 461: Impossibilidade Enquanto isso, no quarto de Vera…
O duo já havia materializado ali há algum tempo, mas nenhum dos dois havia dito uma palavra um ao outro. Gideon ainda estava segurando firmemente o pulso dela enquanto ficavam ali parados, ele, olhando para frente e ela apenas observando suas costas. A visão daquelas costas largas e poderosas lhe dava uma sensação de segurança. Ela estava apenas se segurando para não pular nele e se colar nas suas costas sedutoras, absorvendo o conforto e a proteção que aquilo representava.
Ainda permanecendo em silêncio, pois ele ainda não havia falado, o olhar dela viajou do ombro dele até o braço e a mão que envolvia seu pulso. Seus olhos então se fixaram na mão dele que a segurava. Era incrível como só a presença dele, e o toque dele, podiam acalmá-la assim. A cena que ela viu trouxe memórias terríveis de volta, mas saber que eram apenas ilusões a fez se sentir muito melhor. E como se fosse apenas um dos pesadelos dela, Vera conseguiu expulsá-lo de sua mente. Contudo, ela sabia que não estava mais tremendo e vomitando de nojo porque Gideon estava ali. Ele estar ali, permitindo que ela o abraçasse, ajudou-a a manter total controle sobre sua própria mente.
Ela não sabia como ele poderia ter esse efeito sobre ela. Era como se ele pudesse fazer sua própria alma respirar e existir em paz sem que ele nem mesmo tentasse. Era como se ele fosse tudo o que ela precisava para se manter sã e inteira. De alguma forma, ela teve a sensação de que tudo o que precisava era abraçá-lo, e tudo em seu mundo ficaria bem. Mesmo que não estivesse, de alguma forma ele conseguiria resolver todos os problemas para ela.
E agora aqui estava ela, sentindo-se tão calma e contente só porque ele estava simplesmente aqui com ela. Por quê? Como? Como ela poderia ter se apaixonado por esse homem tão facilmente, tão rapidamente e tão irrevogavelmente a esse ponto, apesar de ter sido ferida por ele várias e várias vezes no curto período em que estiveram juntos? O que aconteceria com o coração dela… ou pior, com a alma dela se ele acabasse rejeitando-a e se afastando dela? Ela… não, ela conseguiria passar por isso?
Um sorriso frágil e impotente se curvou em seus lábios, mesmo enquanto seu corpo inteiro tremia só de pensar naquela possibilidade. Porque ela já podia sentir, a impossibilidade do que ela esperava e se esforçava para que acontecesse entre eles. Ela estava confiante de que poderia lidar com a dor de ele não amá-la, mas ele deixá-la… ela, não poder mais tocar e abraçá-lo… ela sabia que não poderia lidar com uma possibilidade dessas se acontecesse.
Soava ridículo, mas era como se sua alma já estivesse irremediavelmente enredada com ele desde aquele exato momento em que seus olhos se fixaram naqueles orbes azuis ardentes. E agora não havia absolutamente nenhuma saída para ela. Ela havia encontrado seu beco sem saída do qual não tinha como voltar atrás e sair.
“Como estão os seus pés?” a voz dele finalmente ecoou ao redor do quarto dela, um tanto quanto esparso, trazendo Vera de volta à realidade. Ela se surpreendeu ao ver que ele já havia se virado e estava de frente para ela, olhando-a com aqueles inquietantes e belos olhos azuis dele.
“Meus pés? Estão bem. Não doem mais.” ela respondeu e ele a puxou em direção à cama. Ele empurrou seus ombros aparentemente frágeis para baixo até que ela estivesse sentada na cama fofa.
Gideon então se agachou silenciosamente e segurou seus pés em suas grandes mãos. Os olhos de Vera se arregalaram quando ele começou a levantá-los e examiná-los por si próprio para ver se o que ela havia dito era verdade.
Quando ele começou a remover as bandagens que estavam enroladas em seus pés, Vera se inclinou para detê-lo. Mas Gideon olhou para cima e seus rostos quase colidiram. Seus narizes estavam a cerca de um centímetro de se tocarem e Vera prendeu a respiração com a proximidade. Ela não pôde deixar de se lembrar do beijo que aconteceu entre eles na noite passada.
“Está sangrando de novo.” Gideon disse, suas sobrancelhas se franzindo e sua expressão endurecendo um pouco enquanto dizia isso antes de voltar seu olhar para os pés dela. Quando ele afastou o rosto, isso fez com que Vera apertasse os lábios com força, sentindo-se levemente decepcionada por ele não ter aproveitado a proximidade para beijá-la. Decepcionou-a que parecia que ela era a única que estava pensando naquele beijo.
“Eu estou bem… meu senhor. Você não deveria estar fazendo isso… Eu…” Vera interrompeu seu protesto quando o olhar de Gideon voltou para ela e se aprofundou, claramente mandando-a calar a boca e parar com seus protestos.
Ele continuou desenrolando as ataduras e Vera só pôde observar, deliciando-se com o toque das mãos dele em seus pés. Ela não pôde evitar que seu coração se enchesse ao vê-lo fazendo isso por ela. Nunca ela poderia imaginar que um dia, alguém – um lorde, um príncipe até – estaria se curvando diante dela e segurando seus pés tão gentilmente assim.
“Diga-me…” ele começou. Sua voz profunda e baixa. “Você se encantou bastante por Kione também? Não me disse que escolheu Azrael noite passada?” Gideon perguntou a ela sem olhar para seu rosto. Seus olhos ainda fixos nos pés dela.
A pergunta dele fez com que Vera ficasse paralisada. Ela finalmente se lembrou daquele homem. Por que ele mentiu? A razão de ela ter voltado e dado a ele um abraço e um beijo foi porque sabia que ele a havia salvado. Ela estava verdadeiramente grata por ele ter ajudado-a a sair daquele salão. Aquele pedido de desculpas que ela disse a ele foi na verdade sua rejeição à confissão dele. Parecia que sua confissão a ela também era apenas uma mentira. Mas ela pediu desculpas de qualquer forma pois se sentiu mal por ele ter apanhado. No entanto, ela se perguntou por que ele havia dito uma mentira daquela. E agora que ela havia pensado nisso, Vera se viu em um dilema. Deveria contar a verdade para Gideon?
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