Duque, isso dói... - Capítulo 84
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84: Jornada com Raven 84: Jornada com Raven Havia ficado um pouco mais quente do que as roupas que Serafina estava usando naquele momento. O sol da tarde filtrava pelas delicadas cortinas de renda da carruagem, lançando um brilho suave sobre sua pele pálida. Ela se mexeu ligeiramente, ajustando as camadas de seu vestido na tentativa de encontrar algum conforto.
“Dê-me esses primeiro,” disse Corvo, sua voz gentil, mas firme, cortando o silêncio sereno da viagem de carruagem.
Ao olhar para sua mão estendida, ela rapidamente voltou seu olhar para Corvo. Seus olhos eram de um azul profundo, cheios de preocupação e ternura que sempre pareciam surpreendê-la.
“Será difícil para você segurá-los sozinha, então deixe-me mantê-los aqui ao seu lado,” ele sugeriu, seu tom se suavizando ao notar sua hesitação.
“Não, eu vou segurá-los,” ela insistiu, agarrando os presentes mais próximo ao seu peito como se fossem as coisas mais preciosas do mundo.
“Vai demorar um pouco até chegarmos lá,” Corvo argumentou, erguendo uma sobrancelha pela teimosia dela. Ele se mexeu no assento, seu grande corpo fazendo a pequena carruagem parecer ainda mais apertada.
“Mesmo assim,” ela respondeu, determinada a segurar os presentes apesar dos argumentos lógicos dele. Seus dedos delicados apertavam o buquê de flores e a pequena caixa de chocolates, seus nós dos dedos ficando brancos pelo esforço.
As sobrancelhas de Corvo franziram ao ver como ela estava decidida a manter os presentes. Sua frustração era evidente, mas ele sabia melhor do que pressioná-la demais.
“Por que você insiste tanto em segurá-los?” ele perguntou, genuinamente curioso. Sua voz agora estava mais suave, mais persuasiva do que exigente.
“Isso… é porque são presentes de você para mim,” Serafina admitiu, sua voz mal audível acima de um sussurro. Ela olhava para os presentes com carinho. Era a primeira vez que recebia um presente fora do seu aniversário, um gesto que tornava um dia comum especial. As flores eram uma mistura vibrante de rosas, lírios e delicado “boca de leão”, seu doce perfume enchendo a carruagem. Os chocolates eram primorosamente feitos, cada peça uma obra de arte.
“Quando eu era jovem, sempre cedia à minha irmã. Não havia muitas coisas que eu pudesse chamar de minhas. Eu tinha que renunciar a todos os meus presentes para ela,” ela revelou, sua voz tingida de uma nostalgia agridoce. Seus olhos ficaram distantes enquanto ela recordava sua infância, os anos vivendo à sombra das exigências de sua irmã.
Corvo então lembrou-se da bagagem dela, que era surpreendentemente pequena para uma dama nobre, um detalhe que havia perplexado o mordomo. Ocorreu-lhe que ela talvez não tivesse muito para começar. Ele mordeu o lábio, tentando controlar suas emoções antes de falar.
“Eu lhe darei mais, todos os dias a partir de agora,” ele prometeu, sua voz cheia de sinceridade. Sua mão alcançou a dela, cobrindo-a gentilmente. O calor de seu toque enviou um arrepio pela espinha dela.
“Não faça isso. Isso já é suficiente,” ela respondeu, sorrindo inocentemente enquanto se abaixava para cheirar as flores fragrantes. Suas bochechas ficaram tingidas de um tom rosado, e seus dentes brancos brilhavam na luz suave. Ela estava tão acostumada a viver com tão pouco que até esse pequeno gesto a sobrecarregava.
Corvo suspirou silenciosamente. Ele apreciava que ela valorizasse seus presentes, mas suas ações pareciam um pouco exageradas. Ele a observou por um momento, a forma como ela manuseava os presentes com tanto respeito, e seu coração doía.
Quanto tempo esse pequeno pulso dela vai durar? Corvo imediatamente se arrependeu de ter dado os presentes logo após chegar à mansão. Ele deveria ter esperado até que estivessem acomodados.
O suave trote dos cascos do cavalo ecoava dentro da carruagem, um som rítmico que normalmente o acalmava, mas agora só aumentava sua preocupação. Corvo pensou por um momento antes de falar novamente.
“…o chocolate vai derreter em breve se você segurar assim por muito tempo,” ele apontou, sua preocupação mais prática dessa vez.
“Ah…” Serafina olhou para baixo na caixa de chocolates, percebendo que ele estava certo.
“Dizem que se o calor humano fica muito próximo, até flores murcham rapidamente,” ele explicou, suas palavras firmes, mas gentis. Ele esperava que apelar para o lado lógico dela fizesse com que ela visse razão.
Os olhos dela brilharam com hesitação. Aproveitando o momento, Corvo gentilmente tomou as flores e chocolates de seus braços. Ele podia sentir a tensão em seus dedos enquanto ela relutantemente soltava.
“Então, vou deixá-los aqui por enquanto. Só porque você os coloca de lado não significa que eles vão fugir,” ele a tranquilizou, sua voz tranquilizadora.
“…tudo bem,” ela concordou relutantemente, suas mãos agora livres, mas sentindo-se estranhamente vazias.
Era uma tática infantil, mas ele não se arrependia. Seus pulsos desocupados pareciam tão delicados, mesmo quando ociosos. Ele rapidamente colocou o buquê e os chocolates no canto do assento, certificando-se de que estavam seguros.
O silêncio na carruagem era confortável, um testemunho do crescente vínculo entre eles. Serafina olhou pela janela, observando a paisagem passar. Os campos eram exuberantes e verdes, pontilhados de flores silvestres que balançavam suavemente na brisa.
Eventualmente, Corvo trouxe um assunto que estava em sua mente há algum tempo.
“Como é ser chamada de Duquesa?” ele perguntou, sua voz quebrando o silêncio pacífico.
“Não foi ruim. Afinal, nunca fui chamada de Lady Alaric antes,” ela respondeu, um sorriso suave brincando em seus lábios.
“Por quê?” ele perguntou, curiosidade aguçada. Ele se inclinou ligeiramente para frente, genuinamente interessado em sua resposta.
Seus olhos hesitaram por um momento, contemplando se deveria revelar a verdade ou escondê-la. Ela não queria ser desgostada, lembrando dos dias em que se escondia dos outros.
“Sabe, eu realmente não apareço muito em sociedade. Por causa disso, geralmente sou chamada pelo meu primeiro nome, já que só encontro pessoas com quem sou familiar,” ela confessou, sua voz tingida com um toque de tristeza.
“Você tem amigos próximos?” ele perguntou gentilmente, sentindo seu desconforto.
“Bem… isso é realmente incerto,” ela admitiu. Ela não podia reivindicar proximidade com sua família, e sua amiga de infância tinha se afastado à medida que seus dias confinada à cama se prolongavam.
“E agora?” Corvo pressionou, seus olhos procurando os dela por respostas.
“O que?” ela perguntou, surpresa com sua súbita intensidade.
“Você tem alguém que é mais próximo de você do que eu?” A voz de Corvo carregava um toque de ciúmes, um tom brusco escorregando sem que ele percebesse. Ele havia investigado sua casa antes, mas respeitava sua privacidade e não tinha indagado mais.