Duque, isso dói... - Capítulo 138
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- Capítulo 138 - 138 A lealdade de um cavaleiro 138 A lealdade de um cavaleiro
138: A lealdade de um cavaleiro 138: A lealdade de um cavaleiro À medida que a noite avançava e a casa se acalmava, Corvo cuidadosamente se levantava de sua cadeira.
Ele depositou um beijo gentil na bochecha de Serafina antes de cobri-la com um cobertor, certificando-se de que ela estava confortável antes de sair silenciosamente do quarto.
As luzes no escritório se acenderam assim que Corvo entrou.
Lyndon, que estava esperando, imediatamente baixou a cabeça em respeito. Os olhos escuros de Corvo se fixaram em Lyndon.
“Relate-me cada detalhe do que aconteceu hoje,” Corvo ordenou diretamente a este pobre cavaleiro.
Lyndon começou a relatar as atividades de Serafina em detalhes meticulosos. Descreveu tudo, desde quando ela entrou e saiu da carruagem até os presentes que ela havia comprado, não deixando nada de fora.
Exceto por um detalhe crucial – seu encontro com Ferdinand Werner.
Quando Lyndon terminou seu relato, um silêncio tenso preencheu o quarto. Os dedos de Corvo tamborilavam levemente na mesa, o som ecoando no estudo silencioso.
“Alguma outra coisa aconteceu?” Corvo perguntou, mantendo a voz baixa e controlada.
“Não houve nada,” respondeu Lyndon; obviamente ele estava mentindo… uma mentira piedosa.
“Deve ter havido,” insistiu Corvo, seus olhos se estreitando levemente.
Os lábios de Lyndon se apertaram em uma linha fina, seu silêncio o traiu. A expressão de Corvo escureceu à medida que a tensão na sala se intensificava.
“Você está se recusando a me responder?” A voz de Corvo estava perigosamente calma, seus olhos penetrando em Lyndon.
Lyndon permaneceu em silêncio, sua mandíbula cerrada. Ele estava tentando o seu melhor para não vender Serafina.
“Se alguém que estava lá para proteger minha esposa esconde a verdade, deve estar pronto para pagar com sua vida,” disse Corvo, seu tom frio como gelo.
Lyndon não respondeu, a ameaça permanecendo entre eles enquanto o estudo mergulhava em um silêncio opressivo.
…
Lyndon, que ainda estava firmemente apertando os lábios, fez uma reverência profunda. Ele se postou diante de Corvo, seu Senhor, um homem a quem havia jurado lealdade inabalável.
No entanto, apesar disso, Lyndon se encontrou em uma situação difícil, incapaz de quebrar uma promessa que ele havia feito à Madame, Serafina. Tanto a Madame quanto o Senhor eram igualmente preciosos para ele, e trair qualquer um deles estava fora de questão.
Corvo, observando a luta silenciosa de Lyndon, eventualmente suspirou profundamente. A lealdade resoluta do homem era louvável, mas também frustrante.
“Já chega, Lyndon. Eu já sei de tudo.”
O cuidado e a preocupação de Serafina por ele haviam se tornado abundantemente claros após o incidente recente.
Ela havia prometido contar-lhe tudo eventualmente, mas ele entendeu agora por que ela poderia ter querido manter certas coisas escondidas dele.
Embora ele sentisse um aperto de tristeza por ser mantido no escuro, isso rapidamente se dissipava quando ele se lembrava de suas intenções. Ela estava tentando protegê-lo, resguardá-lo de preocupações desnecessárias.
Os pensamentos de Corvo se tornaram sombrios conforme ele se lembrava da fonte de sua frustração. A mera menção de Ferdinand, aquele patife ardiloso, fazia seu sangue ferver. “Da próxima vez que você ver aquele homem descarado, corte-o em algum lugar,”
disse Corvo friamente, seus olhos se estreitando. “Pode cortar o nariz dele, para que sua boca não possa mais se mover de jeito nenhum.”
Lyndon assentiu, com um semblante grave. “Entendido.”
“Você está dispensado,” Corvo o dispensou com um aceno de sua mão. Lyndon, aliviado por ter evitado mais sondagens, saiu rapidamente do quarto.
À medida que a porta se fechava atrás de Lyndon, os pensamentos de Corvo se voltavam para questões mais urgentes. “Alaric, Everwyn,” murmurou para si mesmo, os nomes de duas famílias poderosas que vinham lhe causando uma grande preocupação. A aliança instável entre elas e os reinos vizinhos havia criado uma tempestade de inquietação que estava ocupando sua mente há semanas. E havia também a questão do grupo de mercadores ocultos que o Conde Alaric controlava, que vinha se mantendo suspeitosamente quieto por tempo demais.
‘Quem está escondendo-os de você?’ Corvo meditava, sua testa franzida em concentração. Ele esperava descobrir pelo menos um vestígio da conspiração, mas até agora, ele não havia encontrado nada. Por um tempo, suspeitara que o Marquês Werner estivesse envolvido, mas o homem havia se mostrado leal, pelo menos aparentemente.
No entanto, algo sobre o filho do Marquês o preocupava. O jovem mostrara recentemente sinais de maturidade, e parecia que até se apaixonara por Arjan. Mas Corvo não estava convencido de que tudo fosse como parecia.
“Gilbert,” Corvo chamou seu conselheiro de confiança.
“Sim, meu Senhor,” Gilbert respondeu, vindo à frente das sombras.
“Investigue mais uma vez a família Werner. Não poupe despesas e encontre algo novo – algo que ainda não descobrimos.”
“Entendido,” Gilbert disse com uma reverência antes de sair da sala.
Corvo voltou seu olhar para o mapa que estava sobre a mesa. O território do Marquês Werner, uma terra árida e coberta de neve na fronteira do reino, era um lugar de pouca consequência – pelo menos na superfície. Era conhecida pelo seu clima rigoroso e solo pobre, tornando-a uma das posses menos desejáveis entre a nobreza. Mas Corvo sabia que as aparências podem ser enganosas.
‘Qual é o objetivo final do Conde Alaric?’ Corvo se perguntava, com os olhos fixos no mapa, traçando as fronteiras da terra de Werner. Os mistérios em torno dessas duas famílias estavam roendo ele, e ele estava determinado a chegar ao fundo disso.
Alguns dias depois, duas cartas chegaram ao Ducado. A primeira carta encontrou seu caminho até as mãos de Serafina.
Era uma resposta do Doutor Arendt, a quem ela havia convidado para visitar, apenas para ser recebida com uma recusa educada, mas firme.
Conforme Serafina lia a carta, um suspiro escapava de seus lábios. A recusa do doutor foi inesperada, e doeu mais do que ela gostaria de admitir.
‘Por que sinto que estou sendo rejeitada?’ ela refletia, seus pensamentos voltando a eventos recentes que a fizeram se sentir cada vez mais sensível.
Sacudindo a cabeça para limpar a mente, Serafina dobrou a carta e a colocou de volta no envelope. Justo quando fez isso, Corvo entrou na sala, trazendo outra carta embrulhada em um pano macio.
“O que está na carta?” Corvo perguntou, notando o olhar pensativo no rosto de Serafina.
“Ah, isso,” Serafina disse, olhando para cima e percebendo a carta na mão dele. “É um convite do Marquês Werner. Eles vão oferecer um banquete em breve, e estamos convidados.”
“…Werner,” Corvo repetiu, sua voz carregada de suspeitas. A menção dessa família em particular fez os ombros de Serafina se enrijecerem involuntariamente. Ela havia esperado evitar qualquer interação com eles, mas parecia que o destino tinha outros planos.
“Você não precisa ir se não quiser,” Corvo disse docemente, seus olhos sondando os dela para qualquer sinal de angústia.
“Para ser sincero, não quero que você vá até lá. Será demasiado duro para você suportar.”
Serafina sorriu delicadamente, tentando aliviar sua preocupação.
“Teremos que enfrentá-los eventualmente. Marquês Werner será sem dúvida o marido de Arjan, e precisaremos visitar mais cedo ou mais tarde. Não é tão ruim quanto parece.”
“O vento está piorando,” Corvo apontou, sua preocupação se aprofundando.
“Então levaremos o doutor conosco,” sugeriu Serafina. “Se algo acontecer, ela estará lá para ajudar imediatamente.”
Corvo não estava convencido. “E se você ficar doente no meio da viagem?”
A determinação de Serafina não vacilou. “Podemos preparar duas carruagens – uma para descansar. A viagem será longa e algumas carruagens a mais não chamarão muita atenção.”
Corvo não pôde deixar de sorrir diante de sua firme determinação. Apesar de sua fragilidade, Serafina tinha uma vontade forte e uma mente rápida. A ideia de comparecer ao banquete era tentadora para Corvo também. Era uma oportunidade de observar a família Werner de perto e coletar informações valiosas. Mas o convite estava no nome de Serafina, e a saúde dela era sua maior prioridade.
“A viagem será longa,” disse Corvo, tentando razão com ela uma última vez. “Pode levar vários dias, especialmente se a neve nos atrasar. As estradas irregulares podem prejudicar sua saúde.”
“Você não disse uma vez que nossa carruagem é tão confortável que nem se mexe quando levantada?” Serafina provocou, um brilho travesso em seu olhar.
A expressão de Corvo congelou quando ele se lembrou da última vez que haviam viajado juntos. Foi durante um momento bastante íntimo na carruagem, que havia deixado uma impressão duradoura em ambos. Ele não esperava que ela mencionasse isso tão casualmente, e por um momento, ele ficou sem palavras.
O sorriso de Serafina se alargou diante de sua reação. “E Corvo, esta será nossa primeira aparição pública juntos como um casal. Se você diz que não está animado, você está apenas mentindo.”
Corvo suspirou, percebendo que ela havia tomado sua decisão. “Você realmente quer ir?”
“Sim,” respondeu Serafina, sua voz firme.
Vendo a resolução dela, Corvo cedeu com um suspiro pesado. “…se você insiste.”
Mas sua preocupação ainda não havia dissipado completamente. “Vamos andar na carruagem juntos. Assim, eu posso ficar de olho em sua condição.”
“Claro,” concordou Serafina. “Você não pode cavalgar a cavalo nesse frio congelante, de qualquer forma. Você vai pegar um resfriado.”
“Sera—Serafina, eu não pego resfriados.”
“Não diga isso,” ela repreendeu gentilmente. “Você nunca sabe quando um pode te atingir.”