Duque, isso dói... - Capítulo 129
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- Capítulo 129 - 129 A impotência do Corvo 129 A impotência do Corvo No meio
129: A impotência do Corvo 129: A impotência do Corvo No meio de sua tumultuada interior, seus pensamentos corriam em uma confusão frenética. Ela considerou a possibilidade de que a Duquesa de Everwyn pudesse ter consumido inadvertidamente outra substância, potencialmente uma que interagisse negativamente com a medicação prescrita. Contudo, sem detalhes específicos, tudo o que ela podia fazer era especular.
Naquele momento crucial, meras conjecturas ofereciam pouca assistência a uma pessoa que necessitava urgentemente de respostas claras e definitivas.
“Por ora,” começou o doutor, obviamente com a voz trêmula,
“o mais importante é estabilizar Madame Serafina. Uma vez estável, descobriremos o que causou isso.”
A resposta de Corvo foi gélida
“Certo,”
ele disse, com a voz vazia.
“Mas entenda isso—não sou paciente. Não vou esperar muito.”
O doutor assentiu rapidamente,
“Entendido,”
ela respondeu, antes de se virar e sair apressadamente do quarto. Ela precisava sair dali, longe da tensão sufocante que pairava densa no ar.
Sua mão pairava logo acima da bochecha dela, hesitante. O medo era quase paralisante. E se seu toque a piorasse? E se fosse tarde demais? Suas mãos, normalmente firmes, as mesmas que podiam segurar uma espada sem vacilar, agora tremiam com incerteza.
“…Serafina,” ele sussurrou o nome dela suavemente, quase como se dizê-lo alto demais pudesse quebrá-la. Ele se sentou na beira da cama.
“Serafina, abra seus olhos.”
O rosto dela pálido, ela parecia tão pequena, tão frágil, deitada ali contra os lençóis brancos. Era como se todo o calor tivesse sido drenado dela, deixando para trás apenas os resquícios pálidos e frios da mulher que ele amava.
“Se eu simplesmente não tivesse ido trabalhar, você não teria desmaiado assim,” ele murmurou para si mesmo, a culpa roendo-o.
Sua mão encontrou o caminho para o cabelo dela, afastando suavemente as mechas soltas de seu rosto. O cabelo dela era macio, deslizando por seus dedos como a mais fina seda.
“Tudo por causa do trabalho.”
Seu rosto se contorceu em uma careta, as palavras deixando um gosto amargo em sua boca. Por que ele a deixou sozinha? Por que ele se convenceu de que tudo ficaria bem? Ele poderia ter adiado seus deveres, cuidado deles mais tarde.
Mas ela havia insistido, não foi? Assegurou a ele que ficaria bem, que era forte o suficiente.
No entanto, agora, vendo-a deitada ali, ele desejava com cada fibra do seu ser que nunca tivesse deixado o lado dela.
Sua mão passou do cabelo dela para a bochecha, afagando-a gentilmente, como se seu toque pudesse de alguma forma trazê-la de volta. Seu polegar escovou contra os lábios dela, onde o sangue seco havia formado uma crosta. A visão disso o partiu, os flocos escarlates caindo sob seu toque.
Como ela pôde suportar tanta dor? Como alguém tão pequena e delicada pôde sofrer tanto? O pensamento dela em dor, vomitando sangue, fez seu peito apertar com uma mistura de tristeza e raiva.
O olhar de Corvo desviou para o tapete ao lado da cama. As manchas escuras de sangue macularam o chão que, de outra forma, estaria limpo.
Cada mancha era como uma ferida em seu coração; era como um lembrete de que ele não esteve lá quando ela mais precisou dele.
Se pudesse tomar o lugar dela, ele o faria. Ele suportaria toda a dor dela, todo o sofrimento, se isso significasse poupá-la desse tormento. Mas tudo o que ele podia fazer era sentar ali, observá-la, sentindo-se completamente impotente.
“Não fique deitada por muito tempo desta vez,” ele sussurrou, sua voz carregada de emoção. Era um apelo fútil, mas era tudo o que ele conseguia gerir. Ele nunca se sentiu tão impotente, tão completamente fora de controle.
Era insuportável sentir tanta falta de alguém que estava bem diante dele. Ela estava ali, ao alcance, e ainda assim se sentia tão distante, tão longe.
Ele precisava que ela abrisse os olhos, olhasse para ele, o tranquilizasse de que ainda estava ali, ainda com ele.
“Você tem que se levantar logo, temos tantas coisas para fazer juntos.”
Ele fez planos para eles, coisas que deveriam fazer juntos, mas agora, todos esses planos pareciam triviais.
A única coisa que importava era a recuperação dela, ela voltar para ele. A percepção de que não havia nada que ele pudesse fazer, nada que a fizesse acordar, o preencheu com um medo profundo e roedor.
Corvo se inclinou para frente e cuidadosamente envolveu seus braços ao redor dela, puxando-a para perto. Seu corpo, sempre pequeno e delicado, agora parecia ainda mais frágil em seu abraço. Ele a segurou como se ela fosse feita de vidro, com medo de que ela pudesse se estilhaçar se a apertasse muito.
Seu hálito estava quente contra a bochecha dela. Ele desejava, desesperadamente, que seu calor invadisse ela, que pudesse trazê-la de volta para ele.
“Eu preciso que você acorde, Serafina,” ele sussurrou contra o cabelo dela. “Eu preciso que você volte para mim.”
A espera era tortura, cada segundo que passava parecia uma eternidade. Ele queria ver o sorriso dela novamente, ouvir a risada dela, sentir o calor da mão dela na sua. Ele a queria de volta, mais do que qualquer coisa que já desejou na vida.
Mas tudo o que ele podia fazer era esperar. E ter esperança. E rezar para que ela acordasse, que ela voltasse para ele.
Corvo pressionou seus lábios na testa dela, permanecendo ali por um momento.
Era um beijo suave e carinhoso, preenchido com todo o amor, medo e desespero que ele sentia. Ele recuou um pouco, repousando sua testa contra a dela, fechando os olhos enquanto sussurrava um último apelo.
“Por favor, Serafina. Volte para mim.”
O quarto estava silencioso, exceto pelo som suave da respiração dele e o tique-taque fraco de um relógio em algum lugar distante.
Corvo ficou ali, segurando-a perto, seu coração doendo a cada batida.
Ele ficaria ao lado dela, pelo tempo que fosse necessário. Ele esperaria, não importa quanto tempo, até ela abrir os olhos e sorrir para ele novamente. Porque sem ela, nada mais importava.
E assim, ele esperou.
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AQUI JAZ O TÚMULO DO VOLUME 2: A Duquesa Frágil
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O PRÓXIMO VOLUME A NASCER É VOLUME 3: O Passado Trágico