Dormindo com o CEO - Capítulo 95
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95: Número 95: Número O último assistente de Derek, o número dezoito, tinha dois pés esquerdos e nadadeiras escorregadias no lugar das mãos, só podia ser essa a explicação.
Ele estava no escritório há apenas dois dias e já tinha quebrado a xícara de chá de Derek. Tinha quebrado uma escultura feia que Derek estava querendo se livrar (sem dano algum, Derek na verdade ficou feliz em ver aquela coisa feia se desfazer). Derek também havia visto o homem derrubar suas próprias chaves, um sanduíche que estava comendo, uma caneta com a qual estava escrevendo, assim como várias outras coisas que parecia ter uma boa pegada.
Quanto aos dois pés esquerdos, os dedos doendo de Derek eram prova viva de que não só os raios podiam atingir o mesmo lugar duas vezes, um homem também poderia pisar no mesmo dedo várias vezes de uma forma que doía da maneira mais dolorosa possível cada vez.
Ele segurou sua língua e se manteve calado apesar de sentir como se osso estivessem quebrando a cada pisada. Derek também se manteve calado quando via a equipe de limpeza limpando a bagunça criada sempre que o número dezoito quebrava algo. E desta vez, ele não foi quem demitiu um Assistente Pessoal, foi a própria Padma, a chefe do RH.
De alguma forma, o Dezoito conseguiu tropeçar nos próprios pés, derrubar todos os laptops da mesa, destruir o projetor montado pelo caminho e derramar suco de laranja no vestido branco de Padma. Aquele caro que ela tinha esperado meses para ter, depois de encomendar sob medida e enviado do exterior.
“Fora… saia! Saia! Saia! Você está demitido!” Padma gritou no auge de seus pulmões. De seu lugar no chão, onde tinha terminado depois de sua queda, o Dezoito olhou para Derek, e Derek apenas deu de ombros num gesto de que fazer. E realmente, o que ele poderia fazer? O RH tinha falado, ele estava cansado de demitir pessoas o tempo todo, era bom assistir alguém mais fazer isso pela mudança. Enquanto Padma tentava remover a mancha com papel toalha (sem chance de funcionar, o vestido estava arruinado para sempre) Derek saiu da sala de conferência, deixando o agora ex-Assistente Pessoal com ela. Assim que o vestido manchado secasse, ela estaria processando seu desligamento. Derek certamente nunca mais veria o número dezoito novamente, pena, ele estava pelo menos esperando que o homem quebrasse alguma coisa do seu tio. Chegando ao seu escritório, Derek sentou-se à sua mesa, e seu quase bom humor desabou quando olhou para o seu telefone. Ele estava suspeitosamente silencioso ultimamente.
Emily tinha ligado para lhe dar uma bronca, apenas aquela vez. Desde então, havia sido só silêncio. Sem ligações, sem a Emily invadindo os corredores da sede do Grupo Haven. Apenas silêncio, nada além de um silêncio tão opressivo, que Derek sentiu como um peso físico sobre a sua pessoa.
Ela nem mesmo tinha enviado um texto cheio de insultos como ele estava esperando. Não tinha absolutamente nada dela. Será que ela o tinha posto de lado, considerado ele como um ex-chefe tóxico e encontrado outra coisa para fazer com sua vida. Algo que não o envolvesse de forma alguma.
Era doloroso até para pensar, mas Derek esperava que fosse esse o caso. Não apenas ela havia ligado apenas aquela vez. Desde aquela ligação, todas as outras que ele costumava receber das empresas para as quais ela havia se candidatado também tinham parado.
Mesmo em sua própria cabeça, isso soava muito perseguidor, mas Derek não conseguia se ajudar. Ele tinha se acostumado a depender daquelas ligações para determinar como ela estava, e agora tudo tinha desaparecido, e isso o preocupava. E não apenas porque significava que ele não podia mais manter controles sobre ela indiretamente.
Mas porque ele se preocupava com o que o silêncio significava.
Será que ela havia encontrado um emprego em outro lugar. Uma empresa disposta a contratá-la, mesmo que ela ainda fosse legalmente considerada uma empregada do Grupo Haven. Mas quem ousaria desafiá-lo assim? Haviam pouquíssimas empresas que sequer estavam perto do nível do Grupo Haven. E mesmo assim, para elas simplesmente contratarem a Emily desse jeito. Seria uma declaração de guerra, na qual a Haven com certeza sairia por cima.
Mas também poderia haver outra razão pela qual Emily não havia voltado, porque ela não ligava, nem mesmo para gritar com ele.
É bem possível que ele tenha ido longe demais. Que ele tinha ultrapassado tanto que ela havia desistido de encontrar emprego novamente. Sua vontade de lutar, de sobreviver, de prosperar, completamente destruída por ele ser ardiloso. Que ela se resignou à pobreza e ao sofrimento apenas pela paz de espírito de saber que ele não estava à espreita no fundo como um fantasma com assuntos inacabados. Sempre lá para garantir que, qualquer coisa que ela fizesse, ela não poderia escapar de seu alcance.
Ele já tinha ouvido falar disso acontecer antes.
Pessoas que haviam sido manipuladas de alguma forma se fechando completamente e não interagindo mais com o mundo exterior. Só de pensar em Emily se tornando uma reclusa por causa dele deixava um gosto amargo em sua boca. Fazia com que se sentisse como um pedaço de escória sem valor. Então ele tentou não se deter nessa possibilidade.
Mas mesmo quando ele tentava não se deter nisso, isso o consumia. Ao contrário da maioria das pessoas que sabiam que tinham feito algo de errado, Derek não conseguia nem dormir algumas horas para se dar um descanso de sua culpa.
Ele tinha noite após noite longa para pensar em tudo o que tinha feito de errado. Não importava quantas voltas ele nadasse, o sentimento nunca desaparecia.
E pior do que a culpa, era o conhecimento de que, se tivesse a chance, ele faria tudo de novo e não mudaria uma única coisa.