Desejando o Bilionário Pai de Praia - Capítulo 268
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268: Capítulo 268: Uma Sensação Incômoda 268: Capítulo 268: Uma Sensação Incômoda *Michael*
Fiquei cercado pelos ossos da estrutura que logo seria um spa ultramoderno, prancheta na mão. O zumbido e o ronco das ferramentas de construção preenchiam o ar – um sinal bem-vindo de progresso – ou ao menos era o que eu achava.
“Ei, Michael! Minha chave inglesa sumiu”, resmungou um dos empreiteiros, o cenho franzido em confusão. “Juro que estava bem aqui um segundo atrás.”
“A minha também”, outro se manifestou, batendo no cinto de ferramentas como se a ferramenta desaparecida fosse magicamente reaparecer.
“Fiquem de olho no equipamento, pessoal”, gritei, tentando manter um senso de ordem.
Ao longo daquele dia, coisas insignificantes pareciam dar errado. Não eram apenas chaves de fenda que estavam desaparecendo; fitas métricas, furadeiras e até mesmo uma serras de alto calibre haviam sumido sem deixar vestígios. Resolvi investigar mais tarde e voltei aos meus planos, marcando as tarefas completas.
Andei pelo local e conversei com vários homens sobre o que havia sido feito e o que ainda faltava ser feito nos próximos dias, e o caso das ferramentas desaparecidas foi ficando cada vez mais distante da minha mente. Eu estava revisando algumas plantas da área da sauna e falando com Todd, um dos encarregados da equipe.
“Tem certeza de que vamos concluir isso no prazo que discutimos originalmente?” perguntei hesitante.
Ele assentiu e sorriu, “Michael, eu trouxe meus melhores homens para isso. Vão dar conta do recado. Eles sempre dão.”
De repente, um bater abafado arrancou minha atenção de Todd. Era rítmico e desesperado. Segui o som, atravessando lona plástica e paredes temporárias, até chegar na sauna.
“Socorro! Abre a maldita porta!” A voz estava rouca, sofrida, e pertencia a Tom, um dos trabalhadores que estava assentando azulejos dentro da sauna. Sua silhueta se debatia contra o vidro embaçado pelo vapor.
“Droga”, murmurei em voz baixa, o coração acelerando.
Mexi na trava da porta, que parecia ter emperrado. Com um puxão, ela finalmente cedeu, e Tom saiu tropeçando, quase desabando nos meus braços. Seu rosto estava vermelho como um tomate, o suor escorrendo como se tivesse sido pego por uma tempestade.
“Cara, pensei que ia morrer”, ele ofegou, aspirando o ar mais fresco da construção. “Estava assentando o último dos azulejos quando ‘clique’, a porta fecha, e então o calor aumenta como um forno.”
“Vamos te dar um pouco de água”, disse, guiando-o para uma área de descanso improvisada.
Conforme caminhávamos, não pude evitar de reviver o momento, tentando descobrir como uma sauna poderia ligar sozinha. Era suposto estar desconectada, sem energia elétrica alguma a ela.
“Valeu, chefe”, disse Tom, aceitando a garrafa que lhe entreguei.
Observei-o tomar um longo gole, a respiração ainda dificultada enquanto ele enxugava a testa com as costas da mão. O resto da equipe se reuniu ao redor, a preocupação marcada em seus rostos.
“Façam uma pausa, todos”, anunciei.
“E tenham cuidado”, acrescentei antes de me virar, minha mente formigando com pensamentos sobre ferramentas desaparecidas e agora equipamentos com defeito.
Eu tentava afastar a suspeita insistente de que não eram apenas coincidências. Mas no fundo, eu sabia que era melhor. O dia havia sido cheio de ocorrências estranhas demais, e eu não podia mais ignorá-las.
“Certo, pessoal”, chamei com firmeza, “almoço mais cedo hoje. Tirem uma hora extra por minha conta.”
Os trabalhadores murmuraram agradecimentos e se dispersaram, e eu fiquei para trás, meu olhar varrendo os remanescentes de ferramentas, plástico e poeira.
Os contornos dos quartos de massagem e um espaço para meditação estavam se formando, mas enquanto rastreava o progresso com meus olhos, uma inquietação se instalou sobre mim como uma névoa densa. Pisei com cuidado entre pilhas de azulejos e pilhas de drywall, minhas mãos passando sobre as superfícies inacabadas. O ar estava pesado, carregado com algo mais do que apenas poeira e suor.
Parei perto da sauna, com a porta agora inofensivamente entreaberta. Ela tinha sido instalada na semana passada – uma promessa cintilante de vidro de relaxamento. O incidente de hoje, no entanto… deixou um gosto amargo em minha boca. O trabalhador, Tom, não era novato. Ele não teria cometido um erro tão descuidado. E as ferramentas não simplesmente andam por conta própria.
“Foco, Michael”, resmunguei para mim mesmo, balançando a cabeça como se para dissipar os pensamentos insistentes.
Meus dedos batiam contra a prancheta, tentando me ancorar na lista tangível de tarefas a serem completadas.
Quando os homens voltaram do almoço, conversas e risadas flutuavam pelo local. O ambiente parecia mais leve, e eu me agarrei a essa mudança de atitude desesperadamente. Supervisionei a mistura do cimento, a instalação cuidadosa das luminárias e dirigi o posicionamento das banheiras de hidromassagem. Conforme me movia entre a equipe, oferecendo uma mão-guia e um olho atento, a tensão anterior começou a diminuir. Os homens estavam mais alegres, e eu também.
O sol da tarde caía mais baixo no céu, lançando longas sombras sobre nosso trabalho. Os sons de serrar, furar e martelar se misturavam em uma sinfonia de produtividade. Encontrei um ritmo na rotina, uma segurança na visão da beleza sendo criada a partir de concreto, azulejos e porcelana.
“Ei, Michael!” um dos eletricistas chamou, acenando para que eu inspecionasse seu trabalho concluído. Assenti com aprovação ao painel organizadamente arrumado.
“Bom trabalho, Keith. Estamos exatamente no cronograma aqui.”
“Obrigado, chefe. Mal posso esperar para ver esse lugar funcionando”, ele respondeu, enxugando a testa com um sorriso.
“Eu também”, eu disse, embora meu sorriso não tenha chegado aos meus olhos. Apesar da tarde mais tranquila, não conseguia sacudir a inquietação que havia se prendido no meu peito.
Antes que eu percebesse, o apito agudo sinalizando o fim do dia cortou o ar. Os trabalhadores começaram a guardar suas ferramentas – contando-as duas vezes – e limpando suas estações. Meus pés me carregaram ao longo do perímetro mais uma vez, garantindo que tudo estava seguro e em ordem para a noite.
“Até amanhã, Michael”, alguns dos caras chamavam enquanto se dirigiam aos seus carros.
“Até”, eu ecoei, sentindo o peso da palavra. Era apenas mais um dia, eu me dizia, afastando o sussurro de medo. Apenas mais um dia e estaríamos um passo mais perto da conclusão.
Quando a última picape se afastou, eu tranquei o local, o clique do cadeado excessivamente alto no silêncio. Fiquei lá parado por mais um momento, olhando para as janelas escuras do spa. Um arrepio percorreu minha espinha, não solicitado.
“Se liga”, eu me repreendi, virando nos calcanhares e seguindo pelo caminho que me levava para casa.
O resort estava sereno na luz que desvanecia, mas isso fez pouco para aliviar a inquietação que grudava em mim como uma segunda pele. Amanhã era realmente outro dia, e tudo que eu podia fazer era esperar que ele trouxesse menos surpresas.
A porta rangeu nas dobradiças enquanto eu entrava na frescura do nosso bangalô, o cheiro de jasmim do jardim se misturando à minha exaustão. Shelby estava sentada de pernas cruzadas no sofá, um livro esquecido no colo enquanto ela olhava para mim, seus olhos procurando por sinais de como o dia havia se desenrolado.
“Ei”, consegui dizer, deixando minhas chaves na tigela perto da porta. Meus ombros caíram, sentindo o peso do dia como um fardo físico.
“Ei”, ela respondeu, marcando sua página com um dedo. “Como foi?”
“Por onde eu começo?” Eu suspirei, afundando na poltrona à sua frente. “Ferramentas sumiram, ânimos se inflamaram, e isso nem sequer menciona o pobre Tom trancado na sauna.”
As sobrancelhas de Shelby se juntaram em preocupação. “Tom? Ele está bem?”
“Sim, ele está bem agora. Foi apenas um dia péssimo. Parecia que alguém estava me sacaneando. Sabotando cada centímetro do trabalho que colocamos,” eu disse. As palavras escorreram, a frustração se infiltrando.
“Michael, isso é mais do que apenas coincidência,” Shelby disse devagar, fechando seu livro e colocando-o de lado. “Parece que alguém está fazendo coisas conosco e está escalando.”
Sacudi a cabeça, misturando incredulidade com uma relutância em entreter tais pensamentos. Passando as mãos pelos cabelos, senti a irritação familiar borbulhar. “Shelby, é apenas azar, só isso. Nos deparamos com um obstáculo na construção. Essas coisas acontecem.”
“Azar?” A voz dela subiu um pouco, tintada com uma emoção que eu não conseguia identificar exatamente. “Olha ao redor, Michael. Isso não é normal.”
As palavras dela flutuaram entre nós, algo palpável. Busquei em seu rosto, tentando entender a mistura de medo e acusação que encontrava lá. Por que ela estava brava? Não estávamos do mesmo lado, tentando fazer isso funcionar?
“Shelby…” eu comecei, mas ela já estava recuando, envolvendo os braços ao redor de si mesma como se para afastar a própria ideia do que estava acontecendo.
“Vamos deixar isso pra lá,” ela murmurou, desviando o olhar. O resto da noite, Shelby permaneceu quieta, sua presença distante como se ela tivesse se enrolado dentro de si mesma, em algum lugar que eu não conseguia alcançar.
Eu a observei, o silêncio se estendendo, cheio de coisas não ditas e medos não reconhecidos. Havia um abismo crescendo entre nós, e eu me sentia impotente para superá-lo. Conforme a noite avançava, a quietude de Shelby se instalava ao redor de nós como um sudário, e tudo o que eu podia fazer era me perguntar onde havíamos perdido o nosso caminho.
O silêncio na sala parecia mais pesado que a noite lá fora, pressionando sobre mim com um peso invisível. Shelby havia se retirado para um silêncio diferente dela. Ecoava através dos meus pensamentos enquanto eu caminhava pelo comprimento do nosso quarto. Nós viemos para este resort para salvar o que restava de nós, para encontrar algum resquício da alegria que costumávamos compartilhar. Mas cada dia parecia apenas cravar outro prego no caixão do nosso casamento.
Sentei na beira da cama, o colchão afundando levemente sob meu peso. A tensão entre nós havia se tornado uma coisa tangível, uma barreira feita de ombros frios e olhares não encontrados. Era para ser diferente aqui, longe do barulho da nossa velha vida. No entanto, aqui estava eu, me sentindo mais sozinho do que nunca, enquanto ela jazia a apenas alguns metros de distância.
Mais tarde, depois que um banho não conseguiu lavar a preocupação que roía minhas entranhas, deslizei para debaixo dos lençóis ao lado dela. Seus respiração estava uniforme e profunda, sugerindo um sono tranquilo que eu sabia que não encontraria. Deitei ali, olhando para o contorno indistinto de sua forma, me esforçando para acreditar que o sono de fato a havia levado.
Minutos passaram – ou talvez tenham sido horas – e no silêncio do nosso quarto escurecido, uma verdade se instalou sobre mim como um sudário: ela não estava dormindo. A tensão sutil em seu corpo, a mudança quase imperceptível em sua respiração quando eu me aproximava – tudo apontava para a pretensão.
Uma pontada de dor se torceu dentro de mim. Era para estarmos nisso juntos, mas agora até a conversa havia se tornado algo a evitar. Eu poderia ter estendido a mão, perguntado o que realmente estava em sua mente. Mas o medo de abrir feridas cruas, dolorosas demais, me manteve em silêncio. Em vez disso, virei de lado, de costas para ela, e fechei os olhos.
O sono foi um visitante relutante, chegando a mim aos poucos. Cada vez que me virava, buscando conforto na confusão dos lençóis, minha mente revivia os eventos do dia, as discussões que não tivemos, os silêncios muito altos. E através de tudo, havia Shelby – tão perto, mas tão incrivelmente distante.
Não era assim que a mudança deveria ser. Tudo estava se complicando e bagunçando. A mudança para cá deveria facilitar as coisas e nos ajudar a relaxar, não criar tensão a cada conversa.
Nas profundezas da noite, finalmente sucumbi a um sono inquieto, sem saber se a aurora traria algum alívio ou apenas outro dia apagando incêndios, tanto no canteiro de obras quanto na estrutura frágil do nosso relacionamento.