Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 779
Capítulo 779: Tarde Demais
Seraphira moldou sua expressão em uma máscara impenetrável, completando a imagem de uma rainha totalmente focada nos negócios.
“Sobre mim?” Ela parecia intrigada. “Eu diria que isso é surpreendente.”
Dos companheiros de Violeta, Asher Nightshade era o que havia chamado a atenção dela desde o início. O garoto estava sempre vigilante. Sempre atento — mesmo que sua aura fosse pesada, como alguém suportando o peso do mundo nos ombros.
“Diga-me então, o que é sobre mim que você deseja discutir?” Ela riu, deliberadamente levando a situação de maneira leve. Ou melhor, essa era sua própria maneira de lidar com a tensão inesperada.
Seraphira ergueu a xícara até os lábios e estava prestes a tomar outro gole quando Asher anunciou, “Sabemos que você está doente.”
As palavras pousaram como uma lâmina.
O anúncio veio tão repentinamente e inesperadamente que sua mão tremeu, o chá quente transbordando e queimando sua palma.
“Sua Majestade—” Lila avançou com uma toalha de mesa, prestes a cuidar de sua mão, mas a Rainha ergueu a palma abruptamente, detendo-a. Seu olhar permaneceu fixo nos alfas cardinais.
“Onde você ouviu tais notícias?” ela perguntou.
Sua voz estava calma, mas a temperatura na sala caiu tão abruptamente que era um milagre o próprio ar não congelar.
Asher não vacilou.
Ele demorou, levantando sua xícara, tomando mais um gole antes de colocar a porcelana no lugar com cuidado. “Não foi difícil adivinhar,” ele disse de forma uniforme. “Você não conseguiu usar sua magia mais cedo hoje para curar sua filha. Então Lila escorregou, perguntando sobre sua saúde. Não foi preciso muito esforço para juntar as peças.”
Lila congelou, mortificação e fúria disputando em seu rosto. Foi culpa dela. Ela deveria ter sido mais cuidadosa.
A Rainha Seraphira sentou-se agora, rígida como uma haste.
“O que você quer?” ela perguntou friamente.
Os olhos de Asher se estreitaram. “O que você acha que eu quero? A mãe da minha companheira está doente. Eu preciso saber se essa doença é fatal.”
“Isso não é da sua conta,” Lila retrucou.
“Exatamente,” concordou a Rainha, a voz composta, mesmo que seu corpo traísse sua tensão. “Todos ficam doentes de vez em quando. Até mesmo os imortais Fae não estão livres dessas coisas.”
“Bem,” Asher disse, “você está morrendo? Sim ou não. É uma pergunta bastante simples, Sua Majestade.”
A Rainha levantou-se abruptamente.
“Eu acredito que você já se demorou por tempo demais, Alfa Asher,” ela disse, cada palavra cortante, forçada por entre dentes cerrados. “Lila irá acompanhá-lo para fora.” Seu temperamento, pela primeira vez, estava claramente desgastado.
Mas mesmo sob a intensidade de sua atenção, Asher permaneceu impassível.
“Com a maneira que você não consegue responder minha pergunta sem recorrer à agressão, eu diria que estou certo. Você está morrendo.”
A rainha virou-se completamente para ele agora, seu rosto desprovido de cor, pálido como pergaminho.
Asher continuou, implacável. “E é aqui que você está errada, Sua Majestade. Se eu fui capaz de descobrir, você realmente acredita que é apenas uma questão de tempo até seus inimigos descobrirem também?” Seu olhar endureceu. “Ou devo ser mais específico — seu marido?”
Seus olhos se encontraram, a tensão crepitando entre eles.
Por um instante, parecia que a rainha poderia manter sua posição. Então ela exalou lentamente, a luta esvaindo-se dela, e voltou a se sentar.
A seu lado, Lila estava tão tensa que parecia pronta para atacar Asher ela mesma se fosse necessário para proteger o segredo.
Alaric deliberadamente ficou em silêncio.
Em momentos como este, Asher era inigualável. Onde Alaric poderia ter pressionado—ou até implorado—por respostas e se encarado com uma dispensa sem cerimônia, Asher aplicava pressão com precisão cirúrgica. Ele encurralava, desafiava e fechava todas as rotas de fuga até que a conformidade não fosse mais uma escolha, mas uma inevitabilidade.
Ele negociava da forma que predadores caçam.
Paciente. Preciso. Inevitável.
“O que você quer?” ela perguntou. De novo.
Asher fez uma careta, como se a própria ideia de que ela acreditasse que ele pretendia chantageá-la o ofendesse fisicamente.
Ele ergueu o olhar, aqueles olhos cinzas rasgados penetrando nos dela. “Quanto tempo resta para você?” ele perguntou. “Porque tenho certeza de que Violeta ainda não está pronta para governar os Fae Livres.”
“Eu acho que o que ele está tentando dizer é—” Alaric interrompeu rapidamente, percebendo a lâmina afiada que Asher já estava pressionando contra a rainha. Ele ofereceu um sorriso educado, caloroso e desarmante, sabendo muito bem que Asher era tão útil como um graveto molhado quando se tratava de lidar com emoções que não fossem as de Violeta. “—o que há de errado com você, Sua Majestade?”
Asher balançou a cabeça. Deixado a ele, isso seria tratado de forma rápida e limpa.
Esse era Asher—eficiente, implacável e totalmente indiferente a sentimentos magoados, desde que o resultado fosse alcançado.
Rainha Seraphira e Lila trocaram um olhar, do tipo que pondera risco contra necessidade.
Então a rainha olhou de volta para ele. “Se eu devo compartilhar isso com você,” ela disse cuidadosamente, “você deve prometer que esta conversa não sairá desta sala.”
“Infelizmente,” Asher respondeu sem hesitação, “essa é uma promessa que não posso fazer.” Seu tom era sem desculpas. “Griffin e Roman já sabem. E eu não manterei um segredo de Violeta que moldará sua vida para sempre. Ela acabou de recuperar a mãe, duvido que ela apreciaria saber que você está morrendo quando for tarde demais.”
Alaric imediatamente interveio, lançando um olhar afiado para Asher. “O que ele quer dizer,” ele disse suavemente, “é que confiamos em você para contar a Violeta quando for o momento certo. Por agora, queremos ajudar.”
Asher o ignorou completamente. Sutileza nunca foi seu ponto forte, e ele não tinha intenção de fingir o contrário.
Rainha Seraphira soltou um profundo suspiro de resignação.
“Eles chamam de Thal’voryn Shai,” ela disse em tom baixo. “Doença dos ossos, na sua linguagem. Simplificando, meu corpo está morrendo e não pode mais conter meu poder. Quanto mais uso minha magia, mais curta minha vida se torna.”
“E quão curta é essa vida?” Asher perguntou, seus olhos se estreitando. E então, mais urgentemente, “Não. Essa condição é hereditária?”
A pergunta era para Violeta.
“Não. Felizmente,” a rainha respondeu imediatamente. “Nunca desejaria tal destino para minha filha.”
Asher apenas exalou, alívio escapando antes que ele pudesse detê-lo.
“Quanto ao tempo que tenho…” Seraphira disse, seu olhar distante, “não deveria se apegar às esperanças com muita força.”