Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 764
Capítulo 764: O Coelho Encurralado
Patrick acordou com um suspiro agudo. Instintivamente, ele tentou se sentar, apenas para uma voz calma pará-lo.
“Você não deveria fazer isso, senhor. Você não está em condições de se mover agora.”
Como se para provar o ponto, uma dor intensa percorreu seu corpo como uma lâmina. Patrick inspirou um ar trêmulo pelo nariz, todos os músculos se contraindo em protesto.
Ele ergueu a cabeça lentamente e focou no homem ao lado da cama. O reconhecimento o atingiu.
“V-você…” Sua voz saiu rouca.
O homem era um dos médicos internos. Um dos que ele havia trabalhado durante a produção de Ignis. Eles estavam em um quarto pequeno com paredes nuas e uma única janela fechada, claramente não planejada para conforto.
“Sim,” o homem disse, oferecendo um sorriso educado. “Eu.”
Patrick gemeu suavemente. “O que aconteceu?” Mesmo falar era como arrastar vidro quebrado através da garganta.
O interno se aproximou, verificando os monitores e curativos. “Você quase morreu, isso é o que aconteceu.”
“Ah.” Patrick respirou, a palavra carregada de resignação.
A memória da traição de Vera voltou de uma vez. Ele sempre soube que sua irmã era implacável, mas tentar assassiná-lo? O próprio irmão? Isso ultrapassou um limite que ele não acreditava que ela cruzaria.
E ainda assim, ela cruzou.
Patrick fechou os olhos, a dor pulsando através dele em ondas lentas e castigadoras.
“Como eu ainda estou vivo?” ele perguntou.
Se Vera quisesse ele morto, ela teria terminado o trabalho. Pelo que ele se lembrava, sua irmã nunca havia sido descuidada.
“Foi seu irmão, senhor,” o médico confessou. “Depois que sua irmã matou sua mãe—”
“O quê?” Patrick enrijeceu, cada músculo ficando rígido. Ele olhou para o homem, o medo inundando seu peito. “O que você acabou de dizer?”
“Sinto muito,” o médico murmurou, a simpatia gravada em seu rosto. “Madame Moira também se foi.”
A cor sumiu do rosto de Patrick. Seu estômago se contorceu violentamente, a náusea subindo por sua garganta. Por um momento, ele tola e esperançadamente pensou que a memória era apenas uma alucinação.
Mas era real.
Sua mãe havia lutado por ele e Vera a matou também.
A dor o atingiu, seguida de perto pela amargura e raiva. Isso era culpa dele. Tudo isso. Se ele nunca tivesse trazido Ignis para suas vidas, nada disso teria acontecido. Sua mãe ainda estaria viva.
O médico pairava incertamente enquanto Patrick desabava, chorando abertamente agora, sem se importar mais com a dor rasgando seu corpo.
“Eu vou matar aquela vadia,” Patrick rosnou através dos dentes cerrados. “Mesmo que seja a última coisa que eu faça, vou garantir que ela sofra. Vou ensinar a ela o verdadeiro significado da dor.”
“E-er…” o médico começou, claramente desconfortável. Ele se mexeu antes de forçar-se a continuar. “Talvez… talvez isso deva esperar até você se recuperar.”
Patrick soltou uma risada áspera e sem humor.
“Você foi esfaqueado no abdômen inferior,” ele continuou cuidadosamente, tentando manter a conversa ancorada. “A lâmina não atingiu sua coluna, mas rasgou o músculo e evitou por pouco órgãos maiores. Você perdeu uma quantidade perigosa de sangue. Se seu irmão não tivesse trazido você aqui quando trouxe—”
“Eu sou médico,” Patrick cortou bruscamente, “eu sei o quão perto estive de morrer.”
“Ainda assim, você levará semanas até poder ficar de pé adequadamente, possivelmente meses antes da recuperação total. Qualquer esforço antes disso pode reabrir o ferimento—.”
“Isso é o suficiente!” Patrick trovejou.
O homem se calou de imediato. Ele olhou ao redor do espaço apertado, desejando poder estar em qualquer outro lugar, menos aqui.
“Vou me curar e pegá-la,” Patrick sussurrou, fazendo a promessa mais para si mesmo.
O médico não disse nada desta vez. Não que houvesse algo que ele pudesse dizer. Isso não era da sua conta. Joseph apenas lhe pagou o suficiente para tirar Patrick do esconderijo e cuidar dele até que voltasse à saúde. Assim que Patrick pudesse ficar de pé novamente, ele estava fora dali e de volta para sua família.
De repente, houve uma batida forte na porta.
Tanto o médico quanto Patrick ficaram tensos.
Seus olhos se encontraram, alertas e tensos.
“Quem é?” Patrick perguntou, sua voz apertada.
“Eu… eu não sei,” o médico respondeu nervosamente.
O pulso de Patrick disparou. “Quem sabe que eu estou aqui?”
“Ninguém,” o médico disse rapidamente. “Nem mesmo Joseph. Ele não queria arriscar implicar você se Vera descobrisse o que ele fez.”
“Merda,” Patrick xingou.
Ele gemeu alto enquanto tentava se sentar, a dor rasgando seu abdômen.
O médico entrou em pânico. “Você não deveria se mover! Vai reabrir o ferimento!”
“Não se eles me encontraram,” Patrick retrucou. “Tenho que sair daqui.”
Mas para onde ele iria? Havia apenas uma entrada, nem mesmo uma porta dos fundos, e a janela não era larga o suficiente para escapar. Ainda assim, Patrick não ia ficar deitado ali como um alvo fácil e deixá-los pegá-lo.
Então a porta explodiu para dentro.
As dobradiças gritaram enquanto a estrutura de metal se soltava, a porta se rasgando completamente de suas montagens e voando pela sala com força brutal. Ela bateu na parede oposta com um estrondo de madeira estilhaçada e poeira.
Patrick e o médico gritaram, instintivamente levantando os braços para proteger a cabeça.
Antes que qualquer um deles pudesse se recuperar, botas ressoaram pelo chão.
Num piscar de olhos, o quarto apertado foi inundado por soldados vestidos com uniformes pretos, suas armas à mostra. Todas as armas na sala estavam apontadas para ele.
O coração de Patrick batia violentamente contra suas costelas enquanto a realidade se instalava. Nem ele nem o médico ousaram se mover.
Estavam cercados.
Então os soldados começaram a se separar, formando um caminho estreito.
A primeira coisa que Patrick percebeu foi o som lento e deliberado das botas batendo no chão.
Rei Alfa Elijah apareceu à vista e parou bem na frente dele.
“Finalmente,” Elijah disse sarcasticamente, “o coelho fica sem tocas.”
Patrick engoliu seco, olhando para Elijah. Embora a expressão do Rei Alfa fosse calma—quase relaxada—havia uma tempestade se formando por baixo, prestes a explodir.
Então Elijah deu-lhe as costas.
Ele falou com o soldado mais próximo, sua voz desprendida. “Levem-no,” ele disse. “Matem o outro. Temos trabalho a fazer.”
Os olhos do médico se arregalaram.
Ele abriu a boca, talvez para implorar ou explicar, mas o som nunca veio. Um tiro ecoou no pequeno quarto, e o corpo do médico caiu instantaneamente, sem vida antes de atingir o chão.
Patrick gritou, lutando contra as mãos que o agarravam, a dor rasgando seu abdômen enquanto o sangue encharcava as bandagens. No entanto, ele foi puxado rudemente para seus pés apesar dos ferimentos.
E Elijah nunca olhou para trás.