Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 741
Capítulo 741: Assassinar uma Rainha
Rainha Annequin seguiu Rhara, sua passada despretensiosa, espinha ereta, e seu queixo erguido em confiança. Se isso fosse uma armadilha, e ela estivesse sendo levada à morte, certamente não mostrava nenhum sinal de temê-la. Na verdade, ela parecia quase se divertir com a possibilidade.
Guardas alinhavam os corredores de parede a parede, em posição de atenção rígida. Sua presença era pesada e a cada curva que faziam revelavam mais deles.
Annequin olhou ao redor, seus olhos afiados captando tudo. “O palácio é sempre tão bem protegido assim,” ela perguntou levemente, “ou tudo isso é por minha causa?” Ela sorriu para si mesma. “Porque se for, devo dizer, estou verdadeiramente honrada.”
Rhara não respondeu, mandíbula tensa. A rainha estrangeira era exaustiva. Cada palavra que saía de sua boca parecia uma provocação.
Quando nenhuma resposta veio, Annequin cantarolou. “Suponho que a maioria dos Fae aqui não fale muito.”
Era isso.
“Apenas cale a boca e ande,” Rhara disparou.
Annequin parou.
A quietude súbita era palpável. Lentamente, ela virou a cabeça, seus olhos se estreitando enquanto olhava para Rhara. Quando falou novamente, sua voz estava tensa, controlada, e desprovida de sua anterior brincadeira.
“Cuidado,” ela disse. “Posso ser uma forasteira, mas ainda sou uma rainha.”
Algo mudou no ar.
Rhara sentiu imediatamente, uma pressão que não havia notado antes enrolou-se ao redor de sua espinha, sutil mas inconfundível. Por um breve segundo, a inquietação se insinuou. Que poder essa mulher carregava sob sua armadura e sorrisos presunçosos?
“Peço desculpas, sua alteza.” Rhara disse respeitosamente.
“Desculpas aceitas.” Annequin disse tão casualmente que não parecia que havia sido ofendida desde o início. As mudanças de humor dela eram de outro mundo.
Depois disso, Rhara não disse mais uma palavra.
Elas caminharam em silêncio até chegarem a um conjunto largo de portas duplas. Rhara as empurrou, e Annequin passou por elas apenas para desacelerar de surpresa.
Livros.
Prateleiras e mais prateleiras deles se erguiam do chão ao teto.
Annequin piscou, então fez um gesto ao redor. “Você não disse o estudo da Rainha?”
Uma voz respondeu-a do canto.
“Por quê?” Rainha Seraphira avançou. “Para que você possa localizar meus aposentos e me assassinar enquanto durmo?”
“Claro que não,” Annequin disse, quase ofendida. “Por que eu sairia do meu reino apenas para vir a outro e assassinar sua rainha?”
O olhar de Seraphira era frio e avaliador. “Não sei. Você me diga.”
Por um momento, as duas rainhas apenas se encararam. Poder encontrou poder, nenhuma querendo piscar primeiro.
Então Seraphira quebrou o silêncio. “Rhara. Você pode nos deixar.”
Rhara ficou tensa. “Sua Majestade—”
Um olhar de Seraphira a silenciou. Rhara fez uma reverência e se retirou, fechando as portas atrás de si.
A sala ficou quieta.
Annequin exalou lentamente e girou em um círculo lento, observando a biblioteca propriamente pela primeira vez. “Seu povo ama você,” ela comentou, quase pensativa.
Seraphira arqueou uma sobrancelha. “E o seu não ama?”
Annequin riu, aproximando-se de uma prateleira. Seus dedos traçaram o dorso do volume com surpreendente delicadeza. “É complicado,” ela disse. “Alguns amam. Outros não.”
Ela se virou para Seraphira, seu sorriso fino. “No fim, é sempre uma luta pelo poder.”
Seraphira a estudou por um longo momento, então gesticulou em direção à mesa larga no centro do aposento.
“Sente-se.”
Mas Annequin parou ao lado da mesa. “Espero que não se importe,” ela disse casualmente, já alcançando os fechos em seu ombro.
Antes que a Rainha Seraphira pudesse responder, Annequin já havia retirado a primeira peça. Ela colocou de lado a ombreira gravada com o brasão de Astaria sobre a mesa.
Em seguida vieram as braçadeiras, que ela desatou com facilidade, seguidas pela placa do peito em camadas que protegia seu torso. Cada peça atingiu a mesa com um baque surdo que ecoou pela silenciosa biblioteca.
Seraphira a observava sem palavras. Isso não era o que ela esperava de forma alguma.
Annequin moveu-se com eficiência e método, com a experiência de alguém que tinha colocado e retirado sua armadura mais vezes do que poderia contar.
Os grevas seguiram, depois as guardas articuladas do quadril e, por último, a gorjeira em sua garganta. Ela a desprendeu e rolou o pescoço com uma careta exagerada.
“Deuses,” Annequin murmurou, flexionando os ombros. “Aquela coisa é uma tortura.”
Ela se endireitou, finalmente livre da concha de metal que havia usado na festa. Sob a armadura, Annequin vestia uma túnica ajustada em azul ardósia discreto, cingida na cintura, combinada com calças leves e botas. Não havia joias. Nem insígnias. Nada que proclamasse seu título como rainha.
Ela olhou para Seraphira e acrescentou, quase como um pensamento tardio, “A propósito, excelente comida. Verdadeiramente. Eu teria apreciado mais se não estivesse desconfortável dentro daquela lata.”
Seraphira não respondeu. Ela simplesmente estudou a mulher à sua frente, tentando conciliar o tom despreocupado com a autoridade inegável que Annequin carregava. Ela se comportava tão levemente que seria fácil — perigosamente fácil — subestimá-la.
Mas Seraphira sabia melhor. Ninguém governa um reino por acidente.
Annequin terminou colapsando na cadeira oposta a ela sem graça alguma, jogando os braços para os lados e soltando um gemido dramático. “Liberdade,” ela declarou. “Juro, nunca mais vou vestir armadura. Pelo menos não tão cedo.”
Em contraste, a Rainha Seraphira sentou-se em sua cadeira com elegância. Ela cruzou as mãos sobre a mesa, sua postura perfeita.
Ela não perdeu tempo.
“Por que você está aqui?” ela perguntou.
Annequin piscou para ela, então gemeu novamente, esfregando o rosto. “Férias.”
Seraphira ficou tensa. “Desculpe?”
Annequin baixou a mão e encontrou seu olhar diretamente, todo o humor retirado em um instante. “Meu reino é barulhento. Política. Os nobres e suas opiniões intermináveis.” Ela deu de ombros. “Então eu escolhi o único lugar que ninguém ousaria me seguir. E aqui está você. Parabéns. Seu reino apareceu no meu radar.”
“E você espera que eu acredite nisso?”
Annequin ergueu uma sobrancelha. “Por que não acreditaria?”
Seus olhos sondaram o rosto de Seraphira. “Diga-me, Rainha dos Fae Livres. O que você acha que eu vim conseguir em seu reino?”
“Ou,” Seraphira inclinou-se, sua voz baixando. “Você me diz, o que meu marido prometeu a você?”