Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 738
Capítulo 738: Rainha Annequin
Eram os Fae vizinhos. Aqueles de quem os Fae Livres haviam se escondido por séculos.
Violeta se virou a tempo de ver seus companheiros chegarem, junto com um punhado de Fae que haviam escapulido da festa atrás deles. Ela viu suas expressões mudarem em tempo real de curiosidade para confusão, e então alerta.
Nenhum deles precisava ser informado, esses não eram convidados. Eram invasores.
A tensão se intensificou instantaneamente, e um olhar para sua mãe confirmou que ela não estava satisfeita. A postura da Rainha Seraphira havia se tornado rígida, cada linha de seu corpo tenso com fúria contida.
“Como vocês chegaram aqui?” Seraphira exigiu.
Annequin respondeu calmamente, como se não tivesse acabado de invadir o território de outra pessoa. “As muralhas estão abaixadas, Rainha dos Fae Livres. Temos tentado estabelecer contato—”
“Enviando seu povo para invadir nossa terra?” Seraphira interrompeu, seus olhos faiscando de suspeita.
Annequin não levantou a voz, nem se irritou. Em vez disso, ela inalou lentamente, deliberadamente, antes de responder.
“Peço desculpas pela intrusão,” ela disse. “Astaria é vasto. Com a unificação das Cortes das Fadas, há momentos em que ações são tomadas antes de a informação chegar a mim.”
Ela fez uma pausa, depois acrescentou, “Mas pode ficar tranquila. Não pretendo causar nenhum dano. Vim para a diplomacia.”
A palavra pousou com peso.
Então ela gesticulou sutilmente para a pequena força atrás dela, cercada por guardas dos Fae Livres por todos os lados.
“Mais claramente,” Annequin continuou, “estou aqui em misericórdia.”
Os lábios de Seraphira se afinaram.
“Conveniente,” Asher disse, avançando, e todas as cabeças se voltaram para ele. Sua voz estava calma, mas a ameaça por baixo era inconfundível. “Escolhendo hoje de todos os dias, eu quase diria que foi planejado.”
Annequin virou sua atenção para ele.
Ela estudou Asher lentamente, e abertamente, seu olhar varrendo do rosto dele à postura, a maneira como ele se portava e a dominância em sua postura. Algo como interesse brilhou naqueles olhos.
Violeta não percebeu até acontecer, mas um rosnado baixo de aviso escapou de sua garganta.
Thalia não iria tolerar isso.
Os olhos de Annequin se moveram para Violeta então, e seus lábios se curvaram em um sorriso presunçoso e sabido. O olhar que ela deu para ela era condescendente, senão desdenhoso, como se Violeta fosse uma criança brincando de se vestir com uma coroa grande demais para sua cabeça.
“Você está correta,” Annequin respondeu. “Escolhi esta data deliberadamente. A estreia da princesa.”
Suspiros percorreram os Fae reunidos. Alguns recuaram instintivamente, seus olhos alternando entre Violeta e a rainha armada.
“Foi o único momento em que sabia que teria a total atenção do seu reino,” Annequin continuou, abrindo ligeiramente as mãos. “E parece que eu estava certa.”
Os murmúrios ficaram mais altos.
Ao lado de Violeta, Griffin murmurou em voz baixa, “Há um espião entre os Fae Livres.”
Roman bufou. “Você não precisa procurar muito. Meu palpite é no marido descontrolado da Rainha.”
Seu olhar foi em direção ao Barão, que estava parado ao lado, observando a troca com interesse demais e preocupação de menos.
Annequin continuou, impassível. “Minhas intenções são puras. Que melhor momento para duas rainhas se encontrarem do que à noite em que uma princesa reivindica seu lugar?”
Seus olhos se fixaram em Seraphira.
“Ou você vai me afastar, e continuar reforçando a reputação que seu povo tem de ser hostil a forasteiros? Porque me diga, quanto tempo acha que isso vai durar agora que as muralhas se foram?”
Violeta cerrou os punhos.
Ela não confiava em Annequin. Nem por um segundo.
Mas ela odiava que a mulher não estivesse errada.
As barreiras que haviam escondido os Fae Livres estavam caídas. Quer quisessem ou não, o resto do mundo agora sabia que eles existiam, e outros viriam com curiosidade. Ambição. Ou um exército.
Rhara se inclinou em direção à Rainha.
“O que fazemos, Sua Majestade?”
Todos os olhos se voltaram para a Rainha, esperando sua decisão final.
Annequin sorriu de maneira presunçosa. “Esta é a mudança que seu povo precisa, Sua Majestade.”
Rainha Seraphira a encarou por um longo momento, tentando discernir sua intenção com sua habilidade. Não havia nada nela.
“Os Fae Livres não são pessoas incultas,” ela anunciou. “Vocês são bem-vindos a celebrar conosco.”
Annequin sorriu com clara satisfação.
No entanto, os murmúrios entre os Fae Livres aumentaram imediatamente. Já era suficiente que estivessem sendo convidados a aceitar uma princesa estrangeira. Agora sua Rainha havia convidado uma corte Fae totalmente desconhecida para seu salão.
Indignação se espalhou pela multidão.
“No entanto…” Rainha Seraphira continuou, sua voz letal enquanto o poder engrossava o ar ao seu redor, “se eu descobrir mesmo o menor engano, ou uma única intenção perigosa contra meu povo, pode ter certeza, nem mesmo seus ossos serão devolvidos ao seu reino.”
Em vez de recuar, Annequin parecia impressionada — quase divertida.
“Deixei meu reino sem governante para vir aqui,” ela disse. “Rainha para Rainha. Você realmente acha que seria uma decisão sábia se eu tivesse motivos ocultos?”
“Não necessariamente,” Asher respondeu friamente. “A menos que você seja imprudente o suficiente para arriscar. Às vezes, os riscos compensam.”
Annequin voltou seu olhar para ele novamente, um lento sorriso curvando seus lábios.
Violeta franziu a testa.
Ela não precisava de intuição feminina para ver o cálculo nos olhos daquela mulher. E desde quando Asher se tornou tão falante? A irritação surgiu rápida e intensa.
Rainha Seraphira se voltou para Rhara. “Antes de entrarem no salão, revistem-nos minuciosamente. Qualquer arma ou encantamento escondido, e eles saem imediatamente.”
Com isso, Rainha Seraphira saiu.
Annequin estendeu os braços arrogantemente enquanto Rhara e vários guardas se aproximavam.
“Vá em frente,” ela disse com um sorriso presunçoso. “Toque-me como quiser, irmã.”
A carranca de Rhara foi imediata, mas ela rapidamente preparou seu rosto para uma neutralidade profissional e conduziu uma busca minuciosa.
Violeta permaneceu onde estava, observando atentamente — e esperando algo acontecer.
Rhara se endireitou. “Não há nada nela.”
O olhar de Annequin deslizou de volta para Violeta. Ela piscou.
Foi o suficiente.
Violeta nunca se considerou do tipo ciumento, mas naquele momento, decidiu que nunca gostaria dessa fae. Jamais.
Ela apertou sua saia abruptamente e se virou, saindo sem olhar para trás.
Seus companheiros a seguiram.