Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 329
Capítulo 329: O Terceiro
Todo mundo estava de bom humor. Faltava apenas uma hora para a esperada partida entre os alfas cardinais e seus pais. Neste ponto, quase todas as meninas estavam ocupadas se vestindo e fazendo maquiagem para o evento.
Mas para Nancy e Violeta, essa era uma rara janela de oportunidade para conversar. Esperar até depois da partida não era uma opção, já que não havia garantia de que teriam um momento a sós, especialmente com os alunos certamente em modo festa depois.
Violeta levou sua mãe para o seu quarto, que finalmente havia sido consertado—graças a Lila—enquanto as garotas ficavam para entreter o Alpha Ezra.
Ela havia dito a si mesma que estava pronta para esse momento. Mas quando Violeta e Nancy se sentaram, a sala caiu em um silêncio constrangedor.
“Eu sinto muito—”
“Eu sinto muito—”
Ambas falaram ao mesmo tempo.
“Eu começo,” Nancy disse rapidamente.
“Não, deixe-me.” Violeta balançou a cabeça. “Eu preciso me desculpar primeiro, Nancy. Desculpe pela última vez. Por estar brava com você e—”
“Você tinha todo o direito de estar brava, Violeta,” Nancy interrompeu gentilmente. “Eu deveria ter te ligado antes, mas bem, Ezra e eu nos deixamos levar um pouco pela febre de acasalamento…” Ela parou, suas bochechas ficando rosadas.
Violeta teve que piscar forte, quase sem acreditar. Nancy estava corando? Nancy, de todas as pessoas? Ela devia ter entrado em um universo alternativo.
Sua curiosidade foi mais forte. Violeta inclinou a cabeça e disse, incisiva, “Febre de acasalamento, hein?”
“Sim, febre de acasalamento,” Nancy respondeu, desta vez com um pequeno sorriso presunçoso.
Violeta se inclinou, mexendo as sobrancelhas. “Você sabe, nos ensinaram sobre febre de acasalamento neste semestre. Como é realmente? Uma louca vontade de se unir, ou o quê?”
“Mais do que isso,” Nancy disse, também se inclinando, respondendo à curiosidade dela sem um pingo de vergonha. “Honestamente, deveriam ter chamado de ‘frenesia de fod…’. Você acredita que Ezra e eu ficamos nisso por dois dias seguidos sem comida, e mal dormindo, apenas pequenas pausas entre os momentos.” Nancy lambeu os lábios como se estivesse saboreando a memória. “Eu garanto, não há posição na qual aquele homem não me colocou. Melhor sensação de todas,” suspirou, extasiada.
Ah, sim, pensou Violeta. Essa é a Nancy que eu conheço. Ela tinha pedido apenas um “pouco” de detalhe, mas Nancy, fiel a si mesma, entregou-lhe uma explicação completa e gráfica que Violeta sabia que iria assombrar sua imaginação para sempre. Muito obrigada, Nancy.
Talvez se sentindo travessa, Violeta disse a ela com um sorriso malicioso. “Eu também me lembro do professor dizendo que para pares acasalados, a fertilização sempre acontece durante a febre de acasalamento.”
Ela observou o rosto de Nancy atentamente. Se havia uma coisa que Nancy sempre temera, era a gravidez. Nancy tinha dito muitas vezes que Violeta era a única “praga” que ela já aturaria de bom grado. Ela não podia imaginar ter mais pequenos sugadores de vida drenando a juventude dela. Maternidade? Isso não era a sua vibe.
Mas então Nancy a surpreendeu ao dizer, “Eu não me importo.”
“O quê?!” Violeta quase gritou, seu queixo praticamente batendo no chão.
Nancy parecia um pouco nervosa, mas continuou. “Ezra quer mais filhos.”
“Mais filhos?” Violeta repetiu, de olhos arregalados.
“Ele tem um filho da falecida esposa. O menino esteve tão solitário e dar a ele um irmão parece ser a coisa certa a fazer. O nome dele é Axel e ele é um bom garoto. Confie em mim quando eu digo que você vai amá-lo quando visitarmos nas férias.”
Por um momento, Violeta apenas encarou, completamente sem palavras.
“Violeta?” O sorriso de Nancy vacilou, preocupação surgindo em seus olhos. Ela acenou uma mão na frente do rosto da filha. “Você está bem?”
Violeta piscou, sua voz baixa de espanto. “Quem é você e o que fez com a Nancy?”
Percebendo o que havia acabado de acontecer, Nancy caiu na risada e deu em Violeta um empurrãozinho brincalhão. “Oh meu Deus, pare! Você é ridícula!” Ela riu muito, e Violeta a acompanhou, as duas se divertindo juntas naquele raro momento de pura diversão.
Mas à medida que a risada diminuía, uma seriedade silenciosa se instalou sobre elas como uma névoa.
Nancy mexeu com as mãos, culpa nublando sua expressão. Finalmente, ela falou com uma voz suave. “Eu fui uma péssima mãe para você, Violeta.”
“Você fez o seu melhor,” Violeta respondeu honestamente.
“Eu poderia ter feito melhor.”
“Você me acolheu quando ninguém mais o faria. Você me deu um teto, comida, tudo que eu precisava para crescer.” Ela deu de ombros. “Isso conta para algo.”
Os olhos de Nancy caíram. “Eu ainda deveria ter feito melhor.”
“Então faça melhor para o seu próximo filho. Se é que você quer ter um.” Ela fixou os olhos em Nancy, seu tom firme. “Eu não me importo se Ezra é um Alfa ou seu companheiro. Tenha um bebê porque você quer e não porque sente que é seu dever.”
“Eu quero ter esse filho, Violeta,” Nancy disse com convicção. “Tenho feito muita auto-reflexão ultimamente, e percebi que minha vida até agora não teve um real significado. O fato de um bom homem como Ezra estar me dando uma segunda chance, apesar do tipo de vida que levei, isso tem que valer algo, não é? Quero saber o que realmente significa ser mãe. Não posso fugir para sempre. Então sim, quero essa criança.”
“Então tenha,” Violeta disse simplesmente. “Não é tarde para eu ser uma irmã mais velha.”
Um enorme sorriso surgiu nos cantos dos lábios de Nancy. “Obrigada, Violeta.”
“Obrigada, Nancy,” Violeta respondeu com um pequeno sorriso.
Nancy não conseguiu se conter. Ela puxou Violeta para um abraço apertado, fungando enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. “Sinto muito por todos os bons momentos que perdemos.”
“Eu já te disse, está tudo bem. Por favor, não chore.” Violeta a acariciou desajeitadamente. “Se nós duas começarmos, não haverá ninguém para nos confortar.”
Nancy soltou uma risada, afastando-se para enxugar suas lágrimas. “Certo. Nada de choro. Nada de energia negativa neste quarto.”
Ficou claro que Nancy estava de volta a si mesma quando as próximas palavras que saíram de sua boca foram: “Então, quatro namorados, hein?”
Violeta revirou os olhos. “Isso meio que aconteceu.”
Nancy arqueou uma sobrancelha. “Violet Purple. Quatro alfas cardinais não ‘meio que acontecem’.” Ela disse o nome completo com ênfase pesada.
“E pensar que eu estava preocupada que você ia morrer virgem.” Nancy bufou, soltando um suspiro de exasperação. “Eu não sabia que você era—espera um segundo. Vocês transaram? Oh meu Deus,” ela arfou dramaticamente, olhos arregalados. “Violet Purple, você teve uma orgia?!”
Deus a ajude. Violeta não queria ter essa conversa.
Nancy parecia escandalizada, segurando o peito. “Meu Deus. Pensar que isso é tudo culpa minha. Ensinei a ela tudo o que sabia e ela levou cem passos adiante.”
Então, como se algo tivesse ocorrido a ela, os olhos de Nancy se arregalaram novamente. “Por favor, me diga que você está tomando a pílula ou algo assim. Violet Purple, eu não posso ser mãe e avó ao mesmo tempo! Como meu filho chamaria seu filho? Irmão? Irmã?”
“Oh meu Deus, Nancy! Você está exagerando! Eu nem mesmo transei ainda!” Ela gritou de volta.
Nancy piscou. “Ok, espera—o quê? Por quê?” Ela de repente franziu a testa, sua expressão mudando para curiosidade. “O que está errado? Os rapazes não são capazes? Ou…” Ela inclinou-se com um sorriso maroto. “Eles são grandes demais pra você? Não consegue encaixar? Não se preocupe, pode ser muito no começo. Mas você vai se acostumar. Sempre tem lubrificante. Ou—espera, devemos encontrar uma bruxa para magicamente reduzir o tamanho? Ezra me disse que essas coisas são possíveis.” Nancy parecia genuinamente animada enquanto começava a listar possíveis soluções.
Era isso. Violeta havia chegado ao seu limite.
“Mãe!” ela exclamou, o rosto ardendo. “Acho que é hora de você ir embora.” Ela pulou da cama. Ela estava cansada. Muito cansada.
“O quê? Tudo bem.” Nancy se levantou, sorrindo. “Vamos terminar essa conversa mais tarde.”
Nem a pau, pensou Violeta sombriamente. Não havia jeito de ela deixar essa mulher continuar plantando esses pensamentos selvagens e aterrorizantes em sua cabeça.
Nancy enxugou o rosto e suspirou. “Mas eu não posso sair assim, Ezra vai surtar se ver as lágrimas secas no meu rosto. Onde fica seu banheiro?”
“Ali.” Violeta apontou rigidamente, rangendo os dentes.
“Obrigada, filha,” Nancy cantou, claramente se deleitando com o sofrimento de Violeta, sorrindo o tempo todo enquanto desaparecia no banheiro.
Violeta desabou na cama com um longo suspiro de exaustão. Meu Deus. Ela enterrou o rosto no colchão, completamente esgotada. Mas depois de um momento, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
Se Nancy estava feliz, então tudo bem. Ela podia viver com isso. Ela estava prestes a se permitir relaxar quando ouviu um som de assobio.
Os olhos de Violeta se abriram rapidamente. Sua cabeça levantou, seu coração afundando no segundo em que avistou a fonte do som.
Oh não.
Ali estava ele.
Roman estava rastejando por seu buraco habitual no canto do quarto, em sua forma de cobra favorita.
“Roman, não!” Violeta sibilou, pulando da cama. “Volte! Volte!”
Ela correu em sua direção, agitando os braços freneticamente para espantá-lo. Oh Deus, por favor, Nancy ainda está aqui! Esse não era o jeito de eles se encontrarem!
Mas o destino obviamente tinha outros planos.
“Violeta!” A voz de Nancy ecoou do banheiro, ficando mais próxima. “Por que seu banheiro é tão—” Ela entrou no quarto e congelou no meio da frase, os olhos se arregalando. “Cobra!”
Antes que Violeta pudesse dizer uma única palavra, Nancy pegou seu chinelo com a rapidez de um relâmpago, soltando um grito de guerra. “Não no meu turno, Satan!”
“Não, espera—” Violeta tentou, estendendo a mão inutilmente, mas era tarde demais.
Nancy já estava em modo de ataque total, avançando contra Roman, que sibilou em pânico e disparou pelo chão, tentando desesperadamente escapar de suas furiosas investidas.
“Volte aqui, seu diabinho!” Nancy gritou, mirando golpes mortais enquanto Roman deslizava por sua vida.
Sem escolha, Roman correu para o canto e se transformou no meio da deslizada. Num piscar de olhos, ele estava completamente humano novamente, completamente nu, de rosto vermelho, e ostentando marcas de chinelo por todo seu corpo.
Nancy congelou no meio do golpe, seus olhos arregalados como pires. Ela olhou para o homem meio nu agora agachado no canto, com o peito arfando da perseguição.
“Que porra é essa?!” Nancy gritou, cambaleando para trás, uma mão voando para seu peito.
“Nancy, espera!” Violeta gritou, correndo para frente. “Calma! Não fique assustada! Este é Roman. Ele é meu… uh… meu terceiro namorado.”
Nancy apenas olhou para ela, atônita em silêncio. Seu cérebro visivelmente entrou em curto-circuito.
“Que porra, Violeta!” ela finalmente engasgou, olhando entre Violeta e Roman, os olhos selvagens.
E assim, os olhos de Nancy reviraram, e ela desmaiou imediatamente. Felizmente, Roman se moveu e a pegou no meio do caminho até o chão.
Roman, ainda sem fôlego e com uma aparência totalmente desarrumada, murmurou para sua sogra inconsciente em seus braços. “Prazer em conhecê-la, acho?”
Violeta gemeu, batendo a mão na testa. “Ah, pelo amor de Deus.”