Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 307
Capítulo 307: Em Quem Confiar?
“…e sim, Nancy está ligada a um lobisomem da Alcateia de Asher. Isso é praticamente tudo,” Violeta terminou, narrando sua conversa anterior com Asher para suas colegas de quarto.
Já era noite, e embora os pais visitantes tivessem ido embora, algumas das Casas ainda estavam dando festas. Infelizmente, como párias, eles não eram permitidos a participar. Não que eles se importassem, não quando lhes dava tempo para aprimorar seu plano. Enquanto os estudantes estavam ocupados bebendo e se divertindo, eles estavam preparando um jantar de vingança bem elaborado para ser servido na Noite de Gala.
“Uau,” Ivy exclamou, claramente impressionada. “Isso é muita coisa que não sabíamos.”
“Acho que confio no Asher. Eu deveria contar a verdade a ele,” Violeta disse, mas os três pares de olhos a prenderam no lugar com uma intensidade surpreendente.
Ela engoliu em seco e rapidamente reformulou, “Um pouco da verdade?” Violeta fez uma careta quando as expressões deles não mudaram em nada.
Tentando novamente, ela ofereceu um motivo válido, “Asher não vai me machucar. Ele provou isso várias vezes. E veja quanta informação conseguimos dele em apenas um dia. Se ele e eu trabalharmos juntos, talvez finalmente possamos descobrir a verdade sobre meu pai—sobre minha origem.”
“Talvez devêssemos esperar até depois do plano de vingança antes de contar um pouco da verdade a ele,” Daisy disse, usando aspas no ar. “Apenas no caso dele não gostar do que fazemos e decidir usar seu segredo como vingança.”
Violeta assentiu. “Entendi seu ponto. Mas Asher não é assim. Não importa o que eu faça, ele nunca revelaria algo que pudesse me machucar.”
“Depois da vingança ou não, não contaremos nada a Asher Beladona ou a qualquer dos alfas cardinais,” Lila disse de repente, sua voz como aço. Todos os três se voltaram para ela.
“Por quê?” Violeta perguntou, sua voz tensa. Ela estava cansada de todos os segredos. “Poderíamos fazer com que ele jurasse um pacto para nunca falar sobre isso.”
“Ainda não.” O tom de Lila não vacilou.
Daisy e Ivy trocaram olhares, percebendo a tensão crescente.
Violeta levantou-se, olhos fixos em Lila, sua mandíbula cerrada. “Por quê? É porque você tem medo que ele descubra a verdade sobre meu pai? Um pai sobre o qual você se recusa a me contar qualquer coisa?”
Lila suspirou. “Apenas deixa pra lá, Violeta.” Ela se levantou languidamente, claramente com a intenção de sair.
Ela acrescentou calmamente, “Além disso, eu não queria dizer isso porque achei que você precisava de um pouco de felicidade em sua vida, mas não se apaixone demais pelos alfas cardinais. É para o seu próprio bem. Isso é tudo o que tenho a dizer.”
Ela se virou, indo para seu quarto, mas a voz de Violeta estalou como um chicote.
“Não ouse dar mais um passo!”
“Violeta?” Daisy disse cautelosamente.
Mas Violeta a ignorou. Seus olhos estavam ardendo, seu peito arfando de emoção.
“Você não pode lançar bombas assim e simplesmente ir embora! Não—você não pode fazer isso! Estou tão cansada das suas mensagens enigmáticas! Então se explique agora mesmo! O que você quer dizer com eu devo me afastar dos alfas cardinais?!”
“Você não deve confiar neles, é só isso. Eles podem se voltar contra você no futuro, é só isso.”
“Exatamente, por quê?!” Violeta exigiu.
“Já te disse, Violeta. Tudo fará sentido com o tempo.”
“Tempo? Tempo?! Que tempo exatamente?” A voz de Violeta aumentou, chegando ao fim da sua paciência. “Você não me conta sobre minha mãe! Ou meu pai! Nem mesmo sobre meus poderes! Você diz que sou Fae, mas eu não me sinto como nada! E agora você está me dizendo para ficar longe dos Alfas? Por que, Lila? Por quê?!”
Mas Lila não respondeu, ela simplesmente continuou andando. Violeta correu atrás dela e agarrou seu braço, puxando-a de volta. “Não me ignore, Lila. Estou falando com você!”
Foi quando Lila perdeu a paciência, seus olhos faiscando. “Porque você é uma ameaça ao trono deles!”
Violeta congelou. “O quê?”
“Você é Fae, Violeta. Fae são mais fortes que lobisomens. Você realmente acha que eles deixariam algo como você andar livremente entre eles? Você realmente acredita que vai acabar com todos os quatro? Um deles será Rei Alfa um dia e ele vai se casar com Elsie. É hora de acordar de suas ilusões, princesa. Seu pequeno harém de fantasia não vai sobreviver fora das paredes da Academia Lunaris.”
Pode-se dizer com segurança que Violeta estava chocada. Ela não esperava que aquelas palavras viessem de Lila. Mas, acima de tudo, parecia que a realidade havia acabado de dar um tapa em seu rosto. E ainda assim, algo clicou em sua cabeça. Seus olhos se estreitaram.
“Você disse que sou uma ameaça ao trono deles,” ela repetiu lentamente, seu tom desconfiado. “O que ser Fae tem a ver com o trono deles?”
Lila engoliu em seco. Um vislumbre de medo passou por seu rosto, como se ela tivesse deixado escapar algo que não deveria dizer.
Violeta se aproximou, dizendo em um tom baixo. “Você está escondendo algo. O que você não está me contando, Lila?”
Mas Lila endureceu sua expressão e reformulou cuidadosamente, “Você é uma ameaça aos alfas.”
“Não foi isso que eu ouvi.” Violeta sibilou.
“Acredite no que quiser, princesa. Estou cansada por esta noite. Então, se me der licença.” Lila se virou.
“Pare aí mesmo!”
Lila parou com um suspiro irritado.
Violeta se colocou à sua frente, com os punhos cerrados ao lado do corpo. “Como a legítima princesa do povo Fae, eu invoco a autoridade que me foi investida. Exijo que me conte a verdade agora mesmo.”
A sala ficou mortalmente silenciosa. A expressão de Lila ficou pálida. Todos sabiam das leis. Os Fae eram obrigados por suas palavras e sua hierarquia. E com Violeta invocando sua autoridade real, Lila não tinha escolha a não ser obedecer.
Mas de repente, um sorriso inquietante curvou os lábios de Lila, e assim, ela voltou a ser aquela pessoa fria e indecifrável. Sua voz era quase zombeteira quando disse, “Da próxima vez que quiser invocar um comando, você provavelmente deve saber que tipo de Fae você é. E só para deixar claro, você é uma princesa não coroada. Isso significa que você não tem autoridade.”
Ela se aproximou. “Mesmo que tivesse, sua autoridade ainda estaria abaixo da da Rainha Fae…” Os olhos de Lila brilharam enquanto ela desfere o golpe final. “—e a Rainha Fae diz não.”
Com isso, ela se virou e foi embora, deixando o silêncio se instalar atrás dela como uma geada.
Violeta não podia acreditar no que acabara de acontecer. Não, ela estava em choque, congelada no lugar como se seus pés tivessem criado raízes.
“Violeta?” Daisy chamou, a preocupação transparecendo em sua voz.
Violeta nem percebeu que as lágrimas haviam escorrido por suas bochechas até que as enxugou furiosamente. Sua decisão estava tomada.
“Violeta?” Ivy perguntou com mais cautela ao vê-la pegar o celular e a jaqueta, claramente se preparando para sair. “Para onde você vai?”
Mas Violeta não respondeu. Ela saiu para a noite, suas vozes preocupadas ecoando atrás dela. Tudo estava desmoronando. E agora, ela não sabia mais em quem confiar—se é que havia alguém.
Por entre as lágrimas, Violeta mexeu no telefone, a tela embaçando enquanto ela digitava o contato de Alaric. Não levou nem três toques antes que ele atendesse.
“Oi,” sua voz soou, distraída como de costume. “O que acontece?”
Mas então Violeta fungou, e ele percebeu de imediato, mudando o tom.
“Violeta? O que está acontecendo? Você está bem?”
Ela tentou controlar a respiração, mas falhou. “Onde você está?”
Houve uma pausa, então, “Estou no laboratório,” ele respondeu com cuidado, como se tentasse ler nas entrelinhas.
Violeta soltou uma risada tingida de lágrimas, limpando as bochechas. “Claro que você está,” murmurou, tentando mascarar sua dor com humor. Só Alaric estaria enterrado em livros e fórmulas enquanto todos os outros estariam se divertindo.
“Estou indo para lá,” Foi tudo que ela disse e encerrou a chamada. Violeta enfiou o celular no bolso da jaqueta, limpando o rosto com as costas da manga. Ela caminhou em direção à sua morada privada.
Felizmente, era o laboratório e não a casa dele—um descuido que os elites nunca perceberam na Regra dos Rebeldes. Aquela brecha estava prestes a se tornar sua salvação nesta noite.
Quando Violeta chegou, Alaric já estava esperando na entrada, com os braços cruzados e postura tensa.
“O que está acontecendo?” Alaric começou a perguntar, caminhando em sua direção, as sobrancelhas franzidas. “Asher fez algo de novo—?”
Ele não conseguiu terminar.
Violeta chegou até ele apressadamente e jogou os braços ao redor dele, enterrando o rosto em seu peito. O calor dele a envolveu, e ele a envolveu em seus braços com mesma força.
“O que aconteceu?” ele perguntou gentilmente, passando a mão pelo cabelo dela em um gesto calmante.
Violeta balançou a cabeça, não pronta para explicar. Na verdade, ela nem queria se lembrar do que aconteceu nesta noite.
“Posso passar a noite no seu laboratório?” ela perguntou, tentando minimizar a situação. “Prometo que não vou ocupar muito espaço.”
Alaric não disse nada em resposta. Em vez disso, ele gentilmente a afastou e, antes que ela pudesse piscar, a ergueu em seus braços.
Violeta soltou um leve grito, agarrando-se aos ombros dele. “Alaric!”
Mas o príncipe do relâmpago não parou, nem disse uma palavra. Alaric a carregou pela entrada do laboratório como se ela não pesasse nada, as portas se fechando atrás deles.