Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 275
Capítulo 275: O Herdeiro Quebrado
Henry mandou matar Brian. Estilo execução pública.
Ele trouxe o homem para frente de toda a matilha, arrastando-o como um sacrifício destinado a apaziguar os deuses de sua própria paranoia. Então, com seu habitual gosto por teatro e aquela voz autoritária que fazia as pessoas esquecerem o quão distorcido ele era, Henry fez seu discurso.
“Se eu não tivesse sido rápido o suficiente, teria perdido tanto meu filho quanto minha esposa,” ele disse, tom justo, como se fosse a vítima ali. “Ainda não sei as verdadeiras intenções de Brian, mas suspeito que ele pretendia entregá-los aos meus inimigos.
“Eu sei que muitos de vocês não gostam de como eu governo. Eu não me importo. Não preciso da aprovação de vocês. Minha intenção sempre foi tornar a Casa Oeste grandiosa novamente. E, para isso, alguns espinhos precisam ser arrancados do jardim.”
Então, ele encerrou com as palavras que fizeram o estômago de Violeta revirar.
“Eu sou seu Alfa. Eu sei o que é melhor para o meu povo. E eu vou fazer a Casa Oeste prosperar.”
É claro que alguns tolos aplaudiram. Alguns até comemoraram. Mas nem todos. Outros ficaram paralisados, confusos, até chocados, enquanto a família de Brian chorava silenciosamente no canto. Tinha que ser uma armação, pensavam os mais simpáticos. Brian era bondoso. Leal. Um homem bom. E nunca faria algo assim.
E ainda assim, ele confessou seus crimes bem antes de Henry decapitar sua cabeça na frente de todos. E assim, ele se foi.
Alguns suspeitaram de jogo sujo, mas não havia provas, apenas seus murmúrios e uma multidão com muito medo para vocalizá-los.
Mas a verdade era esta:
Da mesma forma que Henry fez Asher compelir sua mãe, ele também o fez compelir Brian. Ele o armou para a morte.
Nunca havia sido sobre justiça para Henry.
Somente controle.
A cena mudou novamente, e desta vez, os olhos de Violeta se arregalaram de horror ao avistar Asher com os braços suspensos acima da cabeça, preso ao teto por correntes. Ele estava completamente nu, exceto pelos shorts pretos que usava.
E bem ali, de pé diante de Asher, estava seu próprio pai, Henry Beladona, com um chicote de aparência sádica na mão e um brilho de expectativa distorcida iluminando seus olhos.
A visão por si só fez a pele de Violeta arrepiar. Não, não, ele não ia realmente machucá-lo.
Mas é claro que ele ia.
“Eu não te ensinei que mulheres são apenas um meio para um fim? E ainda assim…” Ele lançou um olhar de desdém para Asher, “você tentou fugir com sua mãe?”
A primeira chicotada atravessou as costas de Asher, e embora seu corpo tenha se contraído ligeiramente, ele não emitiu nenhum som. Não houve grito. Nem choro. Apenas uma resistência silenciosa que fez o peito de Violeta sentir como se estivesse sendo esmagado por uma montanha de pedras.
Violeta não conseguiu desviar o olhar do castigo, embora seu cérebro implorasse que o fizesse. Ela precisava desse momento marcado na memória como combustível para o fogo do ódio que nutria por esse monstro que era o pai de Asher.
Ela observou a marca vermelha florescer na pele de Asher, seguida pela segunda e terceira chicotada. Dessa vez, elas rasgaram a pele. O sangue começou a escorrer em finos riachos, e só então Henry fez uma pausa para dar algum alívio ao garoto.
Henry se aproximou, agarrou o queixo de Asher e forçou-o a encarar seus olhos. Aqueles olhos semicerrados estavam vidrados de dor, mas ainda resistiam.
“Você é meu herdeiro, Asher Beladona,” Henry disse, voz como veneno misturado com mel. “Esta matilha, este legado, um dia será todo seu…” Então sua voz subitamente caiu, os olhos se estreitando. “E ainda assim você estava disposto a jogar tudo fora? Por quê?! Um pouco de prazer?!”
Ele deu um tapa em Asher, rachando seu lábio. O garoto cambaleou, mas não caiu. Nem mesmo gemeu. Violeta não conseguiu dizer se Henry estava mais impressionado ou enfurecido.
“Meu pequeno soldado,” ele zombou friamente. “Dor está apenas a um passo do prazer. E você deve aprender a aceitá-la bem.”
Então, Henry se perdeu, chicoteando o garoto repetidamente até que o corpo de Asher cedeu, sangue encharcando seus shorts e escorrendo pelas pernas. Até que os braços de Henry estavam cansados e sua respiração vinha em curtos e rasgados suspiros.
Só então ele jogou o chicote de lado e libertou seu filho das correntes.
Assim que Asher foi solto, ele cambaleou ligeiramente, mas se sustentou. E então, o pequeno Asher ergueu o olhar e encarou Henry diretamente nos olhos. Aquela resistência silenciosa enviou um arrepio pela espinha de Violeta.
Mas Henry não estava assustado. Ao invés disso, ele se inclinou, pressionando sua testa contra a do filho com uma afeição assustadora. “Lembre-se sempre, você é meu herdeiro. E isso é para o seu bem.”
Então ele se afastou.
“Vá até sua mãe,” ordenou. “Tenho certeza de que ela vai querer cuidar de você.”
Asher assentiu sem dizer uma palavra e saiu.
A cena mudou novamente rapidamente.
Violeta agora estava diante de uma porta meio aberta, um frio medo se infiltrando antes mesmo que ela tocasse nela. Algo estava errado. Muito errado.
Ela entrou.
Lá dentro, Asher estava imóvel ao pé da cama. Tão parado que poderia ser confundido com uma estátua.
Violeta avançou, seu coração acelerado, e engasgou antes mesmo de alcançar a cama.
Maria.
A mãe de Asher estava deitada na cama, os olhos abertos, olhando para o nada. Seus pulsos estavam cortados. A lâmina estava ao lado dela, os lençóis manchados com sangue que já havia secado.
Ao lado do travesseiro havia um bilhete. Violeta se aproximou cambaleando, seu fôlego preso no peito. Ela pegou o bilhete com as mãos trêmulas, esperando respostas, mas ele apenas dizia:
“Cante alto agora, meu pequeno Nightingale.”
As palavras perfuraram sua alma, sua visão ficando turva de lágrimas.
Seu olhar voltou para Asher. Ele não havia se mexido e, pior, ainda estava ensanguentado pelo espancamento de seu pai, mas ali permanecia, encarando o cadáver de sua mãe como se fosse incapaz de processar o que via.
“Oh, Asher…” Violeta sussurrou, avançando em sua direção. Ela estendeu a mão instintivamente para envolvê-lo em um abraço, mas congelou.
Desta vez, ela não passou através dele. Seus braços envolveram algo sólido. Real.
Violeta recuou lentamente, encarando-o. E pela primeira vez, Asher estava olhando de volta para ela.
O que…?
Antes que pudesse dizer algo, o rosto de Asher se contorceu em fúria, veneno escorrendo de sua voz.
“Como caralho você entrou na minha cabeça?!”
Violeta abriu a boca, mas antes que pudesse explicar—diabos, antes que pudesse sequer entender o que estava acontecendo—uma força poderosa a golpeou.
A próxima coisa que Violeta sabia, é que estava sendo arrancada da memória e empurrada diretamente para a realidade.
Exceto que seu pesadelo apenas começava.
Porque um certo Alpha da Casa Oeste estava pairando sobre ela, sua mão firmemente enrolada em torno de seu pescoço, sufocando sua vida.