Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 274
Capítulo 274: Liberdade Roubada
“Para onde estamos indo?” Asher perguntou à sua mãe. Eles estavam caminhando rapidamente, e ele tinha que acompanhar o ritmo dela.
A única coisa que Maria carregava era uma pequena bolsa que ela segurava fortemente ao seu lado. Asher a observou, notando o formato do conteúdo – tinha que ser pilhas de dinheiro. Ele sabia onde seu pai escondia os montantes, e parecia que sua mãe também sabia. Ela não havia empacotado roupas, o que só podia significar que tudo isso era súbito e desesperado.
“Eu não sei,” Maria respondeu apressadamente, ainda que ansiosa. “Mas tem que ser qualquer lugar que não aqui.”
Asher podia ouvir o coração dela; estava batendo rápido. Seu próprio pulso também acelerava. Ele sabia o que era isso, estavam tentando escapar de seu pai. Mesmo sem serem informados, ele entendia como isso poderia acabar mortalmente se algo desse errado. Se Henry os encontrasse, ele os puniria até não restar nada.
“Fique perto,” Maria avisou, puxando-o para apertá-lo contra o seu lado.
Asher não precisava que dissessem duas vezes. Pressionou-se contra ela, ansiando pelo calor e pelo cheiro familiar dela. Ela cheirava a baunilha e âmbar—baunilha, o sabor do sorvete que ela uma vez comprou para ele secretamente; e âmbar, um aroma que simplesmente cheirava a segurança. Conforto. Lar.
Ela deve ter combinado algo com Brian no portão, porque ele a deixou sair com cuidado, sem fazer perguntas. A próxima coisa que Violeta sabia é que estavam dentro de um carro, dirigindo para longe na noite.
Violeta se encontrou no carro com eles, invisível, mas muito presente, esperança surgindo em seu peito com a ideia de fuga. Mas então, a realidade bateu nela como um caminhão. O adulto Asher ainda vivia com seu pai.
Merda. O que tinha dado errado?
Não demorou muito para ela ver.
Maria gritou de terror quando uma figura apareceu no meio da estrada do nada. Ela desviou para evitar ele, mas perdeu o controle e bateu em uma árvore com um estrondo doentio.
Era Henry. Ele os havia encontrado.
Violeta nunca poderia esquecer o terror no rosto de Asher. E pior, o momento em que Henry abriu a porta do carro à força e começou a arrastar Maria pelo braço.
“Sai agora mesmo, Asher!” ele berrou.
Violeta assistiu impotente enquanto o jovem Asher saía do carro, seus olhos nus piscando contra a noite. Seus óculos haviam se perdido no acidente.
Felizmente, além de um pequeno corte em sua bochecha, ele não parecia estar gravemente ferido. Mas seu destino já estava selado.
“Você estava tentando me deixar?! E com o meu maldito filho?!” Henry rugiu, sua raiva desenfreada enquanto acertava Maria no rosto.
Maria caiu no chão com a força do golpe. Mas mesmo assim, ela ergueu a cabeça, olhos brilhando e cuspiu de volta com desafio:
“Ele é nosso maldito filho, não só seu! E se alguém tem mais direito sobre ele, sou eu! Eu o pari! Eu sou a mãe dele!”
“É mesmo? Então vamos ver.” Henry disse com um tom de frieza vazia que fez até os pelos do corpo de Violeta se arrepiarem, apesar de ela ser apenas um fantasma nessa visão.
Ele puxou Maria pelo cabelo e se inclinou, sussurrando em seu ouvido, “Você pode ser a mãe dele, mas eu sou o que te fodeu sujo e colocou ele no seu ventre! Você é minha mulher! Isso significa que você pertence a mim! Ele também.”
“Pare, Henry! Você está me machucando!” Maria gritou, lutando contra o seu aperto. Mas é claro, ele não se importava.
Em vez disso, Henry se endireitou e se virou para Asher. “Você. Venha aqui!”
Violeta engoliu seco, seu coração batendo forte enquanto o pavor inundava seu peito. Qual punição doentia ele estava planejando desta vez?
Asher parou a poucos passos de distância, seu corpo pequeno tremendo.
“Mais perto!” Henry vociferou.
Asher obedeceu.
“Mais perto ainda.”
Ele avançou.
“Mais.”
Outro passo.
“Bom,” Henry ronronou com satisfação doentia.
Como lobisomens, eles podiam ver claramente no escuro com seus olhos brilhantes, e Violeta, embora apenas uma observadora, viu tudo com uma clareza dolorosa.
“Compela ela,” Henry disse friamente.
Mesmo sendo uma espectadora passiva, Violeta sentiu o sangue fugir de seu corpo. Não. Aquele maldito desgraçado não podia estar querendo isso.
“Eu quero que você obrigue sua mãe a nunca fugir. A ficar com você,” Henry ordenou. “Ou você quer crescer sem uma mãe?”
Asher se mexeu desconfortavelmente, sua garganta engolindo com apreensão.
“Asher, não. Por favor,” Maria implorou, lágrimas lacrimejando em seus olhos. “Você não pode tirar meu livre-arbítrio.”
“Cala essa merda de boca!” Henry sibilou, apertando ainda mais seu aperto antes de se virar para seu filho. “Pense bem, Asher. Você quer ser deixado sozinho comigo? Você não quer sua mãe aqui para cuidar de você? E me diga, a quem você vai obedecer? Sua mãe… ou a mim?”
A manipulação era venenosa.
Violeta não aguentava mais. Ela avançou em direção a Henry, gritando em seu rosto, “Seu desgraçado de merda! Você não faz isso com sua esposa! A mãe do seu filho! Pare com essa loucura!”
Mas era inútil. Suas palavras se dissolviam no ar. Ela não podia mudar nada. Era apenas uma observadora presa em uma memória que já havia acontecido.
Asher ficou congelado, confusão escrita em todo seu rosto jovem. Violeta não o culpava. Como poderia? O pobre garoto estava preso, emocionalmente despedaçado entre medo e moralidade.
“Eu… eu não sei,” Asher gaguejou, “Obrigar a mamãe é errado… Eu—eu acho que não posso—”
“Faz isso, seu imbecil, ou eu vou até aí e faço eu mesmo!” A voz Alfa de Henry chicoteou, trovejante e autoritária, fazendo o menino estremecer de terror.
Sem escolha, Asher deu um passo à frente. Henry segurou Maria firme, uma mão prendendo sua mandíbula, a outra apertando sua cintura em uma brutal contenção.
“Asher, por favor…” Maria sussurrou entre lágrimas.
Mas Asher, dominado pelo medo e desespero, desligou suas emoções. Ele cerrou os punhos, e com toda a raiva, confusão e confiança quebrada dentro dele, ele a obrigou.
“Você sempre ficará ao meu lado como minha mãe. Você nunca me deixará.”
Maria fechou os olhos, seu coração partido transparecendo em seu rosto enquanto a obrigação tomava conta, seu corpo endurecendo em resignação.
Violeta soltou um grito angustiado, dor rasgando profundamente dentro de seu peito.
Merda dessa memória.