Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 273
Capítulo 273: Rouxinol
A cena mudou novamente, e Violeta se encontrou diante de um Asher mais jovem, cercado por um punhado de crianças da mesma idade. Elas eram claramente crianças da alcateia, pelo modo como se comportavam com familiaridade ao redor dele.
“Por que você nunca brinca com a gente?” perguntou uma delas.
“Somente crianças brincam,” respondeu Asher com aquela carranca já familiar, como se a própria pergunta fosse ofensiva.
“Mas você também é uma criança,” apontou a outra.
Asher estreitou os olhos para ele. “Eu sou um herdeiro. Um dia, vou governar sobre todos vocês, e não preciso perder meu tempo como vocês,” disse sem cobrar desculpas.
Violeta observou a cena se desenrolar com o coração apertado. Essa deveria ser a idade das maravilhas, dos joelhos ralados e das brincadeiras de faz de conta, mas ali estava Asher, já roubado de sua infância, sendo forçado a crescer cedo demais.
“Isso é maldoso da sua parte,” disse uma segunda criança, franzindo o cenho.
Um terceiro menino falou com dureza, “Eu não te culpo. Minha mãe diz que você é miserável, e eu não quero acabar como você.”
Imediatamente, a expressão de Asher mudou. “O que você acabou de dizer para mim?”
A confiança do menino vacilou por um segundo, mas a presença de seus amigos o encorajou. Ele disse, “Seu pai bate em você e na sua mãe o tempo todo. Minha mãe diz que crianças criadas assim vão crescer causando problemas.”
“É mesmo?” O jovem Asher deu um sorriso arrepiante. “Vamos ver quem vai acabar causando problemas, então.”
Seu tom carregava uma promessa sombria que fez arrepios percorrerem a espinha de Violeta. Ela conhecia o Asher adulto, e se sua versão jovem era pelo menos metade tão perigosa, então o que estava prestes a acontecer não seria nada bom.
Ele encarou o menino insolente e ordenou, “Dê um soco no seu amigo. Não pare até que eu mande.”
Imediatamente, o menino compelido virou-se para seu amigo. O rosto do primeiro menino perdeu a cor, e antes que ele pudesse sequer reagir, o primeiro soco foi desferido.
“Não, o que você está fazendo, Daniel?!” gritou o segundo amigo, dando um passo à frente para intervir, mas Asher entrou no meio e falou novamente com poder, “Não se mexa.”
O segundo menino congelou no lugar, assistindo impotente enquanto seu amigo desferia uma série de golpes brutais. Daniel não parou, nem mesmo quando o rosto de seu amigo começou a inchar e sangrar. Asher apenas observava, de braços cruzados e com o rosto torcido em cruel satisfação.
Seu pai estava certo; as pessoas só aprendem seu lugar através do poder.
“Asher!”
Uma mulher correu até a cena, e pela primeira vez a expressão de Asher vacilou.
Violeta a reconheceu imediatamente: era Maria, a mãe de Asher.
Ela nem precisava perguntar o que aconteceu. No momento em que viu o menino ensanguentado e a criança congelada, ela avançou furiosamente em direção ao filho.
“Solte-o agora!” ela trovejou.
“Mas ele começou!” Asher tentou argumentar.
“Eu não me importo!” A voz de Maria estalou como um chicote. “Asher Nightingale Nightshade, liberte-o da sua compulsão agora!”
Com um bico de contrariedade, Asher fez o que foi ordenado. Assim que Daniel foi libertado, ele olhou para suas mãos ensanguentadas, depois para seu amigo, agora um amontoado no chão. Seus gritos cortaram o ar enquanto o horror do que havia feito o atingia.
Maria, sempre a Luna composta, agiu rapidamente. Ela acalmou o menino chorando, deu ordens aos membros da alcateia atraídos pelo tumulto e garantiu que o menino ferido fosse cuidado.
Uma vez que a multidão se dispersou, apenas Maria e Asher permaneceram. Ela girou em sua direção e segurou firmemente seus ombros.
“O que diabos há de errado com você? Como pôde fazer isso com seu amigo?”
“Eles não são meus amigos,” murmurou Asher friamente. “Além disso, ele começou. Só ensinei uma lição. Se vou liderar essa alcateia, eles precisam me respeitar.”
O rosto de Maria caiu. “Foi isso que seu pai te disse? Porque, se seguir esse caminho, acabará liderando uma alcateia de fantasmas.”
Suas mãos apertaram ainda mais os ombros do menino enquanto ela o puxava para mais perto, forçando-o a olhar para ela. “Respeito não é exigido, Asher. É conquistado. E é esse mesmo tipo de Alfa que você quer ser? Um que é temido? Um que machuca seus próprios membros da alcateia? Que é desprezado pelo seu povo?”
Houve um lampejo de hesitação nos olhos de Asher. Ela viu e insistiu.
“Pelo bem da mulher que pode acabar sendo sua companheira algum dia, prometa-me, Asher. Prometa-me que nunca levantará sua mão contra ela.”
O jovem Asher não entendia completamente o peso do que ela estava pedindo. Mas, pelo bem de sua mãe, respondeu mesmo assim.
“Eu prometo.”
Maria exalou tremulando, seus ombros caindo enquanto puxava o filho para um abraço.
“Bom menino,” ela sussurrou.
E, embora isso fosse contra tudo que seu pai havia lhe ensinado, Asher se entregou ao calor dela. Ele não queria soltar. Se pudesse engarrafar aquela sensação—aquele conforto, aquela segurança—ele teria feito isso. Mas, se Henry descobrisse que estava se amolecendo, o castigo seria brutal.
Então aquilo seria o segredo deles.
Violeta assistiu com um sorriso melancólico se formando em seus lábios. Se ao menos Asher tivesse mais momentos como aquele. Mas, então, ela deve ter amaldiçoado sua sorte, pois a cena mudou novamente, e desta vez, ela estava dentro da casa, agora em meio a um enorme tumulto.
Maria e Henry estavam brigando.
Asher estava na cama, mas seus ouvidos aguçados ainda conseguiam captar os gritos de sua mãe enquanto ela era espancada. Ele fechou os olhos, se enrolou em si mesmo e tentou fingir que aquilo não estava acontecendo.
Ele desejava com todas as forças por uma vida diferente. Uma família pacífica. Um pai que não machucasse sua mãe. Uma casa sem medo.
Violeta mal conseguia respirar. Sua própria infância não foi perfeita, mas aquilo era esmagador para a alma.
Asher deve ter caído em um sono inquieto, porque a próxima coisa que percebeu foi a porta do seu quarto se abrindo de repente. Ele se sentou na cama, assustado, esperando ser seu pai, e o castigo habitual.
Mas, em vez disso, era Maria.
“Mamãe?” ele piscou, sua voz tremendo.
Maria estava na porta, com os hematomas marcando seu rosto, mas seus olhos queimavam com determinação.
“Vamos, Asher,” ela sussurrou ferozmente. “Estamos deixando seu pai.”