Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 207
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207: Cometendo um Crime 207: Cometendo um Crime Daisy andava de um lado para o outro, praticamente vibrando de raiva, faltava apenas a fumaça literal saindo de suas orelhas.
Violeta a observava cautelosamente. “Daisy, eu acho que você deveria se acalmar—”
“Não! Não me diga para me acalmar!” Daisy estalou, virando-se para ela imediatamente.
Ela empurrou o rosto para perto do de Violeta, a raiva crepitando em seus olhos. “Somos pária, Violeta! Desgarrados. Eles nos marcaram como se estivéssemos doentes!” Sua voz rachou com frustração. “Já estamos tão perto de desmoronar com toda a merda que eles estão nos fazendo passar, e você—você—piorou tudo trazendo o carro do Roman Draven aqui?!”
Pela primeira vez, Ivy decidiu intervir. “Daisy, eu realmente acho que você deveria respirar fundo e tentar —”
“Não se atreva a me dizer como e o que não fazer com a minha maldita respiração!” Daisy se virou para ela também, totalmente perdendo a linha.
“Olha só onde estamos morando!” ela gritou, sua voz rouca. “Dê uma boa olhada na nossa situação atual de vida!”
Ela gesticulou selvagemente para a varanda apodrecida, a tinta desbotada e descascando, a forma como a casa ainda parecia que poderia desabar a qualquer segundo. A decadente cabana definitivamente parecia melhor por dentro do que por fora.
“Perdemos tudo! E enquanto estamos tentando salvar o que sobrou, você traz problemas direto para a nossa porta? Essa é a sua grande estratégia de vingança? É assim que vamos derrubar a Elsie? Como vamos lutar contra todo o sistema?”
“Não, não é.” A voz de Violeta se elevou para acompanhar a intensidade de Daisy, seu temperamento finalmente estalando. “Esta é a minha vingança pessoal contra Roman Draven, o babaca que mentiu para mim, me enganou e nos colocou nesta merda!”
Ela sugou o ar, seu peito subindo e descendo.
“É mesquinho. Mas é um começo.”
Daisy parecia dividida, seus ombros caídos como se não quisesse ser convencida pela ideia. “Ele vai se vingar,” ela disse cautelosamente.
“Não, ele não vai.” A voz de Violeta transbordava certeza. “Ele poderia ter nos perseguido assim que nos viu dirigindo para longe, mas ele não fez. Ele sabe que errou. Talvez, em sua lógica distorcida, ele pense que me deixar fugir com seu carro é castigo suficiente.”
Daisy a encarava, como se estivesse tentando entendê-la, dissecar o modo como sua mente funcionava. Então, após uma longa pausa, ela admitiu, “Eu não te entendo. Você deveria estar com medo. Esses caras—” ela gesticulou vagamente, “—eles podem parecer humanos, mas não são. Eles são perigosos. Eles sorriem, mas sorriem mostrando os dentes, com o sangue ainda pingando de sua última caçada. E ainda assim, você não tem medo.
“Você se enrosca com eles como um humano brincando com leões.” Daisy balançou a cabeça, incredulidade em seus olhos. “O que te dá esse tipo de confiança, Violet Roxa?”
Pela primeira vez, Violeta não respondeu de imediato.
Seu olhar se tornou distante enquanto sua mente ia para algum lugar diferente, muito mais sombrio.
Então, quietamente, ela disse:
“Porque eu não tenho medo da morte.”
Daisy se imobilizou.
Violeta continuou, “Porque existem coisas piores do que ter sua garganta arrancada por um deles. Coisas piores do que morrer.”
Ela respirou lentamente.
“Porque existem coisas piores como acordar e se perguntar quando será sua próxima refeição. Como olhar para o futuro e não ver nada além de escuridão. Como saber que não importa o que você faça, você pode acabar como todos os outros que vieram antes de você.”
Seus olhos escureceram. “Então, ficar preocupada se um riquinho Alfa estragado vem atrás de mim? Isso mal é aterrorizante.”
Um silêncio pesado caiu, as palavras de Violeta penetrando. Então, sem aviso, ela avançou, segurando o rosto de Daisy em suas mãos. Daisy ficou tensa com a proximidade repentina, mas não se afastou.
“Você me seguiu porque acreditou em mim,” Violeta disse com sinceridade. “E eu juro—eu juro por qualquer lei que ligue meu povo—”
“Eu não acho que precisa chegar a tanto,” Daisy interrompeu desconfortavelmente, lembrando-se de todas as lendas dos Fae que ela tinha lido superficialmente.
Os Fae eram vinculados às suas promessas. E se Violeta não a cumprisse, que repercussões viriam para ela? Ela não gostaria que ela estivesse em tal situação.
Mas Violeta se manteve firme. “Não. Esta é a minha promessa a você. Nós vamos nos reerguer, e eu vou garantir que você nunca se arrependa de ter me seguido.”
“C-certo…” Daisy disse por fim, claramente incerta sobre o que mais poderia dizer.
Um sorriso lento e travesso se formou nos lábios de Violeta. “Além disso, eu posso praticamente ver seus pensamentos girando na sua cabeça agora, e eu acho que sei exatamente como você se sente.”
Daisy estreitou os olhos com desconfiança.
“Ah, é mesmo?”
O sorriso de Violeta se alargou.
“Realmente.”
Em seguida, ela começou a girar as chaves do carro na mão, seu sorriso maroto aumentando a cada segundo. “Certo, Lila, retire a comida do carro.”
Lila, já pressentindo que o que a princesa estava tramando seria divertido, apressou-se em limpar os alimentos do banco traseiro. A quantidade que tinham pegado era ridícula, então ela teve que trabalhar rápido, enfiando sacolas em seus braços enquanto Violeta e Ivy assumiam sua parte. Daisy, sempre a resmungona, ajudou relutantemente.
Eles trabalharam na velocidade do relâmpago, todos eles se movendo em sincronia, como se já tivessem feito um assalto antes. Em questão de minutos, o assento foi esvaziado, deixando apenas o luxuoso carro de propriedade de Roman Draven estacionado diante deles, encharcado de chuva e esperando para ser devolvido.
Violeta sorriu diabolicamente. “Agora, a coisa certa a fazer é devolver o carro,” ela disse com sinceridade fingida.
As garotas assentiram devagar, observando-a com suspeita.
“Mas,” ela continuou, agachando-se e pegando um punhado de terra molhada e lamacenta, “a coisa certa não significa necessariamente trazê-lo de volta inteiro.”
E sem nenhuma hesitação, ela espalhou a lama pelo capô do carro e o efeito foi instantâneo.
Lila, Daisy e Ivy respiraram fundo juntas, em choque, horror e empolgação cruzando seus rostos.
“Ai, meus deuses!” Ivy apertou o peito. “Você acabou de profanar o carro de um alfa cardinal.”
“Violeta!” Os olhos de Daisy estavam arregalados com incredulidade. “Isso é o carro do Roman Draven! Você está querendo morrer?”
Mas Violeta já estava recolhendo outra mão cheia de lama.
“Daisy,” ela chamou com um sorrisinho sabido. “Vem cá. Experimenta. É revigorante.”
Daisy hesitou, dividida entre o bom senso e o atrativo inebriante da vingança.
“Bora, Dais,” Lila sorriu, cutucando-a. “Você sabe que quer.”
Daisy mordeu o lábio. A ideia era muito tentadora. Então, como se algo dentro dela finalmente se quebrasse, ela agarrou uma mão cheia de terra encharcada pela chuva e a arremessou direto no para-brisa. O barulho do impacto instantâneo foi satisfatório.
Por um breve segundo, houve silêncio apenas
para as meninas explodirem em vivas.
Daisy soltou um rugido vitorioso, sentindo uma onda de empolgação tão pura que ela queria engarrafar e guardar para sempre.
“Ivy, é sua vez!”
As palavras mal haviam saído dos lábios de Violeta antes de Ivy avançar com uma empolgação delirante. Ela apanhou um pedaço de lama, depois, com um rodopio teatral e um giro delicado do pulso, espalhou na porta do motorista.
As meninas uivaram e comemoraram.
“Nossa, olha essa postura!” Lila aplaudiu dramaticamente. “Tanta elegância! Tanta graça! O carro do Roman nunca esteve tão perfeito!”
Ivy riu, girando como uma bailarina. “Obrigada, obrigada, eu me esforço.”
“Lila, agora é você!” Violeta chamou, fazendo sinal para ela.
Lila avançou feliz, com entusiasmo dançando em seus olhos. Ela juntou tanta lama quanto pôde, e então a atirou no para-brisa com precisão. O respingo foi glorioso, listras marrons espessas escorrendo como chocolate derretido.
As meninas gritaram com excitação. Isso estava tão divertido!
“Ok, a gente tem que gravar isso,” Violeta de repente anunciou, tirando seu celular.
Os olhos de Lila brilharam. “Boa ideia!”
Daisy resmungou, exasperada. “Não a incentive, Lila.”
Mas Ivy a apoiou. “Não, não, isso é genial. Vamos nos certificar de nunca esquecer a vez que cometemos crimes de guerra contra o carro do Roman Draven. E para provar para os babacas que não podemos ser vencidos!”
E assim, Daisy acabou gravando a coisa toda.
A câmera capturou tudo. Desde a maneira como Violeta, Ivy e Lila desfiguraram alegremente o carro outrora cintilante e verde, cobrindo-o camada por camada com grossas e úmidas camadas de lama sobre seu corpo liso.
Elas não se contiveram nem um pouco. As meninas cobriram cada centímetro, cada fenda, até que o carro outrora luxuoso ficou irreconhecível, parecendo mais uma besta grotesca coberta de lama.
“Precisa de mais,” Ivy refletiu, olhando para a obra-prima delas como uma pintora contempla o último traço de seu trabalho.
“O interior.”
As meninas viraram as cabeças em sua direção rapidamente.
Ivy sorriu maliciosamente. “Devíamos colocar um pouco dentro. Sabe, para realmente tornar um pesadelo limpar.”
A sugestão foi tão diabólica que as meninas momentaneamente esqueceram como respirar. Então—
“GÊNIA!” Lila comemorou, batendo palmas.
Violeta gargalhou, com um olhar orgulhoso em seus olhos. “Ivy, eu retiro tudo o que eu disse sobre você ser uma covarde. VOCÊ É LOUCA!” De um jeito bom, ela quis dizer.
Elas imediatamente foram ao trabalho.
Lila puxou a porta aberta, e sem hesitação, começaram a espalhar lama por todo o banco de couro, o painel e até o volante.
Ivy, rindo como uma lunática, foi até a alavanca de câmbio.
Quando terminaram, o carro do Roman Draven parecia ter sido ressuscitado das profundezas do inferno em si.
Lila tirou uma última foto para documentação e sorriu satisfeita. “Senhoras, nós cometemos o crime perfeito.”
Violeta concordou com a cabeça em aprovação. “E sem arrependimentos.”
“Nenhum,” Ivy concordou, rindo.
Daisy suspirou. “Ok, talvez um pouco.” Ela acrescentou, “Mas é bom.”
Violeta sorriu, jogando as chaves no banco do motorista.
“Agora, vamos devolver.”