Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 203
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203: Sem Grande Entrada 203: Sem Grande Entrada As garotas passaram a manhã inteira arrumando e organizando suas coisas, recuperando um pouco da normalidade depois que Elsie e sua comitiva praticamente as arrancaram do antigo dormitório.
Quando terminaram, os quartos pareciam nada com o desastre que haviam encontrado, e sentiram um pouco de orgulho por finalmente terem tudo sob controle. Por enquanto, isso era suficiente.
Daisy desabou na cadeira de madeira recém-consertada, graças à Lila, que havia juntado os pedaços quebrados que eles encontraram na sala de estar. Ivy, por sua vez, já havia feito um pedido para que entregassem um conjunto de sofá adequado assim que a chuva passasse.
“Estou com fome,” reclamou Ivy, esfregando o estômago.
“Eu também,” acrescentou Lila.
Daisy olhou para ela curiosamente. “Você come comida humana?”
Lila disse casualmente. “Claro. Embora não seja nada comparado à culinária dos Fae. Só um gosto de nossos pratos e você nunca mais voltaria a comer qualquer outra coisa. Mas a comida humana não é tão ruim, sabe. Vocês criam umas combinações malucas.”
A sobrancelha de Daisy se levantou. “Então você sente fome do mesmo jeito que nós?”
“Sim e não,” explicou Lila. “Ao contrário do humano médio, posso ficar semanas sem refeições físicas, sobrevivendo de energia mágica. Mas estive no seu reino tempo suficiente para que eu meio que… me adaptasse. Digamos que fui condicionada a desejar comida como um humano.”
Ivy não pôde deixar de perguntar. “Você está no reino humano há quanto tempo, exatamente?”
A essa pergunta, Daisy e Violeta olharam com curiosidade.
“Estou aqui desde o dia em que a rainha me enviou para encontrar a princesa,” disse Lila simplesmente, deixando que eles preenchessem as lacunas.
Violeta pausou desconfiada, inclinando a cabeça. “Quantos anos você tem, exatamente?”
Lila deu de ombros, respondendo no tom mais casual, “Ah, não sou tão velha, apenas cento e dezesseis.”
E essa foi a gota d’água.
Ivy caiu da cadeira com um grito, enquanto os queixos de Daisy e Violeta caíram.
O que ela quis dizer com ‘não tão velha’? Essas palavras chocaram especialmente Daisy.
Sua avó nem tinha vivido metade disso. Eles eram amigos de alguém que deveriam estar chamando de ancestral.
Após um momento de silêncio atônito, Violeta limpou a garganta para quebrar a tensão. “Então… vocês disseram que estão com fome, certo? Vamos comer. Está na hora do almoço,” ela checou seu celular.
Ivy e Daisy lançaram olhares incrédulos para ela, como se ela tivesse sugerido saltar de um penhasco. Finalmente, Daisy encontrou sua voz. “Onde exatamente você acha que vamos comer? Por favor me diga que não é o refeitório.”
Eles todos se lembravam claramente da humilhação da manhã. Os olhares, os sorrisos mordazes e a vibração hostil foram suficientes para dizer-lhes que não seria bom para eles, sendo Desgarrados agora.
Violeta, sempre teimosa, recusou-se a ceder. “Onde mais senão no refeitório?”
“Você vai chamar atenção,” Daisy alertou. “Vamos esperar o almoço terminar para podermos entrar.”
Mas Violeta balançou a cabeça firmemente. “Desculpe, mas não vou me contentar com migalhas.”
Lila ergueu o queixo. “Exatamente. Eu gosto do meu croissant quente, e ninguém vai me impedir de aproveitar.”
Daisy lançou um olhar suplicante para Ivy — que havia finalmente voltado para sua cadeira — mas Ivy apenas deu de ombros de forma desanimada. “Se estamos falando sério sobre derrubar a Elsie, não podemos fazer isso escondidos neste casebre. Ela provavelmente pensa que estamos assustados agora. Vamos provar que não somos tão fáceis de quebrar.”
“Até que eles nos quebrem,” Daisy disse secamente, em seguida suspirou em rendição. “Tudo bem. Não é como se eu pudesse convencê-las do contrário mesmo.”
Um sorriso irônico se espalhou no rosto de Violeta. Ela se levantou, fazendo sinal para a porta com o queixo. “Então vamos. Vamos sair daqui.”
Mas no momento em que elas abriram a porta, a chuva torrencial as fez pausar. Era um aguaceiro, do tipo que te encharca até os ossos em segundos. Daisy gemeu dramaticamente, “Deus, como eu odeio Alaric.”
Todo mundo sabia que aquela não era uma tempestade comum, e Ivy só deu de ombros.
“O que você esperava? Violeta partiu o coração dele,” Ivy apontou, ganhando um olhar severo de Lila. Ela odiava quando falavam mal de sua princesa.
Violeta balançou a cabeça. “Não adianta discutir. Vamos focar em como vamos chegar ao Tribunal de Prata com essa chuva.”
Daisy franziu a testa, calculando a distância. “Não chegaremos lá parecendo nada além de ratos afogados. Isso não é exatamente a grande entrada que queríamos.”
Ela continuou, “Acho que devemos adiar. Pelo menos até Alaric decidir ter piedade de nós.”
O estômago de Ivy roncou alto. “Mas eu estou morrendo de fome!” ela gemeu, claramente não acostumada a tal desconforto.
Violeta se firmou. “Eu vou,” ela declarou abruptamente.
Lila se endireitou de uma vez. “Não, eu vou. Deixe que eu cuide disso.”
Violeta balançou a cabeça. “Eu causei tudo isso. Preciso fazer algo a respeito. Vou ao Tribunal de Prata e trarei almoço para nós.”
Lila cruzou os braços. “Então eu vou com você. Sou sua protetora, nem comece a me dizer para ficar, Princesa.”
Violeta hesitou, mas, no final, cedeu. “…Tudo bem. Vamos.”
Melhor dois do que um, de qualquer forma.
Elas se prepararam para sair, apenas para Ivy gritar atrás delas, “Não se preocupe, eu vou pedir guarda-chuvas para nós desta vez!”
Violeta lhe deu um rápido aceno de reconhecimento antes de ela e Lila correrem para a chuva.
A chuva atingiu Violeta como uma barragem de agulhas geladas, fazendo-a estremecer da cabeça aos pés. No entanto, elas seguiram em frente, e sentir a mão de Lila envolver a sua de alguma forma a encorajou.
Elas chapinharam por poças crescendo, gotas picando suas bochechas e encharcando suas roupas até que parecesse que pesavam mil quilos. Foi nesse momento que Violeta percebeu o quanto elas realmente estavam em apuros.
No antigo dormitório, tinha sido uma caminhada de cinco minutos ou menos até o Tribunal de Prata quando elas andavam. Mas agora, eram mais de quinze. Ainda pior, não havia transporte disponível no campus para elas chamarem, nem abrigos para elas se abrigarem. Elas haviam sido cortadas, não apenas socialmente, mas de todas as pequenas conveniências.