Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 186
186: A Princesa 186: A Princesa “Incrível!”
“Me belisca!”
“Impossível!”
As três garotas gritaram em uníssono, suas vozes se sobrepondo em choque, incredulidade e puro espanto.
O pulso de Violeta estava trovejando em seus ouvidos. Seu instinto lhe disse desde o início que havia algo estranho sobre Lila, mas nada a tinha preparado para isso. Lila? Uma Fae? Era alucinante.
“Isso é loucura!” Daisy exclamou, quase arrancando o próprio cabelo como se isso ajudasse seu cérebro inteligente a processar a situação.
“Isso não deveria ser possível! Fae não existem! Eles são nada mais do que histórias das aulas de mitologia, mas aqui está você, parada bem na nossa frente… em carne e osso…” Ela parou, cutucando Lila no rosto de forma hesitante.
No momento em que suas pontas dos dedos tocaram a pele de Lila, ela ofegou. “Caralho! Você é real!”
Os olhos de Lila brilharam de diversão.
“Ah, as fadas são muito reais. Nós só não nos misturamos muito. História ruim e tudo mais, especialmente com humanos. Então nós nos mantemos isolados, escondidos e seguros.”
“Humanos não gostam do imprevisível,”
Violeta apontou, com os braços cruzados enquanto processava essa revelação. “Especialmente quando se trata de criaturas com habilidades sobrenaturais que eles não conseguem controlar.”
Lila sorriu para ela. “Bingo.”
Enquanto Violeta e Daisy estavam ocupadas tentando compreender todo o acontecimento, Ivy tinha uma abordagem completamente diferente. Ela circulou Lila lentamente, olhos estreitados enquanto examinava cada centímetro de suas características faéricas como se estivesse estudando um artefato antigo em um museu.
“Suas orelhas,” Ivy finalmente disse, sem esconder sua fascinação. “São reais?”
Lila ergueu uma sobrancelha. “Você está olhando para elas agora mesmo, Ivy. O que você acha?”
Ivy mordeu o lábio, incerta, antes de estender a mão. Mas, percebendo que poderia ser indelicado, ela encontrou o olhar de Lila. “Posso tocá-las?”
Lila deu de ombros. “Claro.”
Os dedos de Ivy roçaram de leve a lateral da orelha dela, seus olhos se arregalando conforme faziam contato. Ela esperava algo antinatural, como cartilagem dura ou uma textura inumana, mas em vez disso eram macias. A pele era quente e lisa e não muito diferente das próprias orelhas dela, apenas… de formato diferente.
“Caramba,” Ivy sussurrou, a textura a fascinando.
Enquanto ela continuava deslizando os dedos para cima e para baixo, Lila de repente soltou uma risada borbulhante, seus ombros sacudindo.
“Isso faz cócegas!” ela admitiu, rindo.
Encorajada pela reação dela, Ivy ficou mais ousada, traçando a curva delicada antes de finalmente roçar a ponta muito—estalo!
Ivy gritou, puxando a mão para trás enquanto Lila mostrava seus caninos, um rosnado agressivo soando de sua garganta. Seus olhos violetas normalmente calorosos haviam escurecido com um aviso.
O quarto caiu num silêncio atônito à medida que caía a ficha de que Lila quase arrancou a mão de Ivy.
Violeta e Daisy instintivamente se tensionaram, trocando olhares cautelosos. Eles estavam dividindo um quarto com uma criatura poderosa o suficiente para matá-los num piscar de olhos. De repente, isso não parecia mais uma boa ideia.
Lila, percebendo o que havia feito, rapidamente deu um passo para trás e levantou as mãos em um gesto apaziguador.
“Me desculpe,” ela disse com remorso genuíno.
“Que diabos foi isso?” Ivy exigiu, ainda se recuperando de sua experiência quase fatal. Tipo. Perder um dedo era tão bom quanto a morte para ela.
“Eu deveria ter avisado.” Lila suspirou, esfregando a nuca de forma constrangida. “Aquele lugar é… sensível. É uma zona erógena para nós. Apenas nosso parceiro deveria tocá-lo.”
“Oh.”
O rosto de Ivy virou um tom profundo de vermelho ao perceber. Seus lábios se entreabriram em constrangimento, e ela rapidamente escondeu as mãos para trás, longe das orelhas de Lila.
“Entendido. Não toco mais… nunca mais,” Ela assentiu devagar, completamente envergonhada.
Uma tensão desconfortável se instalou no quarto novamente antes de Violeta interrompê-la, perguntando com suspeita. “Tem algo que eu não entendo.”
“O que é?”
A voz de Violeta estava carregada de ceticismo enquanto ela dizia. “Você é uma Fae, o que significa que está longe de casa. Então por que está aqui? Especificamente na Academia Lunaris, uma escola cheia de lobisomens? Devemos nos preocupar com suas intenções?”
Daisy, que tinha ouvido atentamente, assentiu em concordância. “Isso mesmo. Você é a primeira Fae viva que eu já vi.
O resto não passa de lendas escritas em livros, histórias transmitidas através das gerações. E mesmo assim, aqui está você, escondida à vista de todos. Então nos diga, Lila, qual é seu verdadeiro propósito aqui?”
A pergunta assentou pesadamente no ar enquanto esperavam por uma resposta.
Já era um milagre que humanos e lobisomens coexistissem sem se despedaçarem. Se as Fae estavam agora secretamente se integrando no reino humano, sua presença poderia significar uma de duas coisas—ou uma tentativa de paz ou o prelúdio de uma guerra. E se fosse o último, tudo o que sabiam poderia desabar em caos.
A última vez que o sobrenatural foi exposto, o mundo quase entrou em colapso. Outra revelação desta magnitude poderia ser catastrófica.
“Vocês estão certas,” Lila admitiu, a tensão de precaução entre elas aumentando. “Eu vim aqui com um propósito.”
Um arrepio percorreu a espinha de Violeta, Ivy se enrijeceu e os lábios de Daisy se comprimiram numa linha firme. Era exatamente o que temiam. As três garotas trocaram olhares inquietos, preparando-se para o pior.
Mas antes que pudessem expressar suas preocupações, Lila rapidamente acrescentou, “Não é o que vocês estão pensando. Eu não vim aqui para começar uma guerra ou revelar nossa existência. Minhas intenções são boas.”
Ivy zombou, ainda cética. “Então suas ‘boas intenções’ envolvem fingir ser humana e frequentar a Academia Lunaris?”
Lila balançou a cabeça. “Não. Fui enviada aqui em uma missão.” Ela finalmente confessou, “A verdade é… estou procurando por alguém.”
Uma sensação estranha se estabeleceu no estômago de Violeta, seu batimento cardíaco acelerando. “Alguém?” ela repetiu.
Lila assentiu. “Sim.”
“Quem?”
Lila engoliu em seco, como se estivesse prestes a revelar algo que não deveria. “Estou procurando pela filha da Rainha. Nossa futura herdeira. Ela foi levada ao nascer e estamos procurando por ela desde então.”
“E você acredita que ela está aqui?” Violeta perguntou, sua voz controlada. “No reino humano? Na Academia Lunaris?”
Lila disse. “Sim. Estou certa disso. Eu chequei e rechequei. Todos os sinais apontam para aqui.”
O fôlego de Violeta se prendeu levemente. Ela não tinha certeza do porquê, mas algo dentro dela se agitou com essas palavras.
“Então… você deve tê-la encontrado,” Violeta inquiriu sutilmente.
“Eu encontrei,” Lila confirmou, seus olhos violetas fixos em Violeta com certeza inabalável. “Nós duas já nos encontramos.”
O mundo pareceu girar sob os pés de Violeta. Por um segundo infinitesimal—apenas o mais breve dos momentos—uma centelha de esperança se acendeu em seu peito.
Violeta passou sua vida inteira sem saber de onde veio. Ela não tinha passado, nem raízes, nem família, apenas questões que nunca foram respondidas. E embora ela nunca dissesse em voz alta, ela ansiava pela verdade. Ela sempre desejou ter família.
Mas essa frágil esperança se despedaçou em um instante porque Lila já havia encontrado a princesa. O que significava…
Não era ela.
A decepção foi como uma pedra pesada em seu peito, e os ombros de Violeta descaíram apenas um pouco antes dela recompor sua expressão em neutralidade. Se Daisy e Ivy perceberam a troca, nenhuma delas disse nada.
Ivy simplesmente levantou a mão. “Apenas perguntando por curiosidade, mas… quem é a princesa sortuda?”