Desafie o(s) Alfa(s) - Capítulo 112
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112: Quando a Lealdade é Questionada 112: Quando a Lealdade é Questionada “Por que você ainda está aí parada? Mexa-se!” Elsie latiu para Grace, que pulou com o comando alto.
Sem hesitar, Grace agarrou o celular e começou a digitar, com os dedos tremendo um pouco. Para o mundo exterior, Grace tinha sorte por ser a assistente eficiente e indispensável de Elsie, gerenciando todas as suas contas e atividades. Se ao menos soubessem que a garota pobre vivia um paraíso doloroso.
A verdade desconfortável era que Grace era a serva de Elsie, atada a ela por uma dívida de gratidão e uma hierarquia implacável. Elsie não se importava com ela nem um pouco.
Grace não era uma elite; ela era apenas uma pobre humana que Elsie tinha tirado do anonimato. Tudo o que Grace tinha, a fama, respeito, admiração e riqueza, tudo vinha dela. Sem Elsie, Grace não seria nada e ambas sabiam disso.
Antes que Grace terminasse de digitar, uma voz cortou o cômodo. “E você acha que isso é uma boa ideia?”
Todas as cabeças no recinto, incluindo a de Elsie, se viraram quando Natalie Avax entrou no armário com uma elegância que poderia rivalizar com qualquer modelo de passarela. Ela se movia com confiança sem esforço, sua presença indubitavelmente magnética. De tal maneira que, mesmo em um espaço cheio dos mais finos artigos de luxo, ela era a única coisa que todos não podiam deixar de notar.
A expressão de Elsie endureceu numa carranca enquanto ela se virava em direção a Natalie, sua voz cheia de irritação. “Acredito que eu tenha te chamado horas atrás?”
Mas Natalie mal a olhou, passando por ela como se ela não valesse a pena ser reconhecida. Seus olhos agudos examinaram o cômodo, captando a opulência sem um pingo de deslumbre.
“Não teste a sua sorte, Elsie,” ela disse friamente. “Não sou Grace, alguém que você pode dar ordens, e certamente não estou desocupada o suficiente para vir correndo como um cão ao seu mestre.”
A provocação atingiu seu alvo, e Grace se encolheu, seu rosto corando enquanto arriscava um olhar para cima. Seu olhar se encontrou brevemente com o de Natalie antes de ela abaixar a cabeça novamente, muito humilhada para manter o contato.
Um músculo tremeu na mandíbula de Elsie enquanto ela considerava Natalie. Natalie nunca tinha sido uma inimiga, mas também não era uma amiga. Era a arrogância descarada dela que mais enfurecia Elsie. Como a rainha reinante da academia, Elsie estava acostumada a ser adorada, temida e obedecida. Mas não por Natalie.
E por um bom motivo.
Natalie era uma Avax. A família Avax era um colosso, gigantes da tecnologia com riqueza e conexões que ofuscavam até mesmo as de Elsie. Até o presidente humano e o rei lobisomem dependiam do seu apoio.
Quase todos os estudantes da Lunaris vinham do dinheiro, mas ninguém igualava o peso da família Avax. Suas conexões, especialmente com o submundo, os tornavam intocáveis. Cruzar com eles era uma tolice, e Elsie sabia melhor do que tentar.
“Certo,” Elsie disse, com os dentes cerrados, forçando um sorriso apertado. “Se você estava ocupada, então…”
Suas palavras eram uma tentativa de salvar a própria imagem, mas por dentro, raiva e ódio ardiam. Se Natalie não fosse tão rica e intocável, Elsie já teria lhe dado uma lição há muito tempo.
Natalie, não afetada pela tentativa de reconciliação de Elsie, passeou até o banco estofado onde outras três garotas da elite estavam sentadas, suas posturas rígidas com desconforto.
“Olá, garotas,” Natalie as cumprimentou com um aceno descompromissado, seu tom leve e despreocupado.
As três garotas trocaram sorrisos hesitantes e acenos desajeitados em troca. Elas já estavam cientes da tensão entre Elsie e Natalie, e isso fazia com que sua presença se sentisse dolorosamente deslocada. Elas enterraram seus rostos em revistas que claramente não estavam lendo, no entanto, fingiam estar desinteressadas na cena que se desenrolava diante delas.
“Então…” Natalie colocou sua bolsa de designer impossivelmente cara ao seu lado, cruzando elegante uma perna tonificada sobre a outra. “Eu ouvi algo interessante sobre você querer boicotar o Oráculo. Por favor, me diga que você estava apenas brincando?”
Ela terminou com um sorriso que não chegava aos olhos, sua voz afiada mesmo fingindo doçura. O cômodo ficou em silêncio, pois todos os olhos se voltaram para Elsie, esperando para ver como ela responderia.
Mas a mandíbula de Elsie só se apertou, especialmente enquanto ela olhava para Natalie, que relaxava no banco como se ela fosse a dona do lugar.
“Já que você parece tão preocupada com o que eu faço, deixa eu te perguntar então, Natalie. Por que você se importaria com isso? O Oráculo cruzou uma linha e alguém precisa lembrá-la de quem está no comando.” Elsie disse, ficando de pé e cruzando os braços.
Natalie riu baixinho, o som pingando com condescendência. “Ah, Elsie, sempre tão rápida para jogar o papel de ditadora. Mas me diga,” ela se inclinou ligeiramente para a frente, seus olhos avelã encontrando os azuis de Elsie, “o que acontece quando o Oráculo revida? Ela não é apenas uma fofoqueira qualquer. Ela é intocável por um motivo.”
Os lábios de Elsie se comprimiram numa linha fina. Ela odiava que Natalie tivesse razão, mas ela não estava prestes a recuar.
“O que você quer dizer com intocável? Ela é apenas uma humana se escondendo atrás de um teclado. Além disso, o Oráculo não era nada. No começo, ninguém lia ou comentava suas páginas de fofocas inúteis nem comprava suas revistas, até eu entrar na história!”
Ela continuou, sua voz ficando mais alta, “Eu patrocinei ela! Eu dei a ela asas para voar! Eu dei o conteúdo! E era tudo sobre Moi!” Elsie apontou para o próprio peito, declarando, “Eu fiz dela quem ela é! Então confie em mim quando eu digo que ela não ousaria ir contra mim publicamente.”
“E mesmo assim você não sabe quem ela é… você nem ao menos tem certeza se ela é ele ou ela.”
“Eu não me importo!” Elsie disse, “Eu a fiz e eu desfaria. Eu sou Elsie Lancaster.”
Natalie não aguentou mais e se levantou. Ela encarou Elsie, dizendo com um tom cortante, “Eu pensei que você fosse inteligente, mas parece que você é uma bimba burra. Ou talvez a fama tenha subido à sua cabeça, você acha que é intocável?”
Os olhos de Elsie brilharam de raiva, sua voz subindo imediatamente. “Como você ousa—!”
Mas Natalie não deixou ela terminar. “O Oráculo tem sujeira sobre todos nesta escola,” ela disse, suas palavras cortando a indignação de Elsie. “E eu quero dizer todos. O que você acha que acontece quando você a pressiona? Ela vai retribuir. Com força.”
Os lábios de Elsie se comprimiram em uma linha fina, mas Natalie não havia acabado. “O Oráculo sempre foi uma enciclopédia de segredos. Mesmo que você não tivesse ajudado ela a subir, era apenas uma questão de tempo antes que alguém percebesse o valor dela e fizesse o mesmo. E não vamos esquecer, você se beneficiou dela também. Olhe para você, a Abelha Rainha da Lunaris. Toda essa atenção, todo esse controle. Você não estaria onde está sem ela.”
O tom de Natalie não era zombeteiro, mas tampouco era simpático. Era neutro, desapegado e de alguma forma, isso fez suas palavras doerem ainda mais.
“Você alimentou um leão,” os lábios de Natalie curvaram-se em um sorriso fraco e sem humor. “E agora ele cresceu o suficiente para te ver como uma refeição. Confie em mim, você não quer ser a refeição de um leão. É desagradável… e bagunçado.”
A expressão de Elsie escureceu ainda mais. A piada claramente não foi feita para o seu deleite. Natalie também não foi afetada pela energia hostil irradiando dela. Ela simplesmente não se importava.
Seu tom se tornou mais sério. “Além disso, mesmo que você quisesse boicotar o Oráculo, você realmente acha que é tão simples? Asher, Alaric, Roman e Griffin ainda estão inscritos nela. Eles dependem dela tanto quanto todos os outros. Querendo ou não, o Oráculo é parte integral do ecossistema da Lunaris. Ela mantém os estudantes entretidos, e estudantes felizes significam menos caos.”
Natalie se aproximou de Elsie, colocando a mão no ombro dela. O gesto era tanto desarmante quanto dominador, um movimento sutil de poder que fez as outras garotas na sala prenderem a respiração.
“Com ela segurando segredos sobre todos vocês, é como se ela estivesse mantendo a ordem. Imagine o que aconteceria se vocês lobos decidissem brincar de deuses e tiranos sem alguém como ela por perto para mantê-los na linha. Neste caso, o Oráculo não é apenas intocável, ela é necessária. Ela não pode ir embora, não é mesmo?”
O insulto foi leve mas claramente tecido no raciocínio calmo e calculado de Natalie. Mas a expressão da garota permaneceu neutra, até agradável, mesmo que a mensagem fosse clara como o dia: o Oráculo era intocável, e Elsie faria bem em lembrar disso.
Elsie não disse nada, fervendo interiormente em vez disso. Mesmo Grace ficou em pé desajeitadamente com o celular ainda na mão, incerta se deveria continuar digitando ou se refugiar nas sombras
“Mas então eu sei qual é o seu problema,” Natalie deixou a mão cair, “Violet Roxa, não é?” ela disse, observando os olhos de Elsie se arregalarem ligeiramente, embora ela rapidamente disfarçasse sua expressão.
“Você está ameaçada pela posição dela, não está?”
“Eu não estou —”
“Meu tempo é valioso, Elsie Lancaster, e eu não atendi o seu chamado para desperdiçá-lo ainda mais. Você quer que eu esteja aqui porque obviamente notou minhas interações recentes com Violet Roxa e quer saber onde está minha lealdade? Ou exigir algo de mim?”
Natalie ergueu as sobrancelhas enquanto mantinha o olhar, “Estou errada?”