De Marginal a Ídolo: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência - Capítulo 965
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Capítulo 965: O Anfitrião Original
“Você realmente é um gênio”, disse Lena. “Como você sabia que ele viria até mim?”
June sorriu de canto de boca, encostado no sofá. Eles estavam no apartamento do Haruto agora. Os quatro haviam construído uma amizade estranha. Apesar de ser anos mais novo que os outros três, June se sentia como o mais velho entre eles.
Ele ainda estava com um tom azulado na pele porque Haruto comprou tinta que tinha tinta nela, mas ele não se importava.
Nada poderia arruinar seu dia.
“Há muitas coisas que eu sei sobre June, mas me surpreende como ele está sempre tão certo sobre essas coisas”, disse Jay antes que June pudesse responder. “No entanto, eu me acostumei com isso.”
Haruto sorriu de canto de boca ao ouvir a conversa deles.
“É porque ele não tem outra escolha”, respondeu June, ignorando o comentário de Jay. “Ele arruinou tudo. Ele nem pode fazer o Dan fazer nada agora, já que o deixou sozinho. Ele também não pode confiar no seu vizinho porque explodiu com ele por não ser o dono do Phoenix.”
“No fim, ele não tem mais ninguém.”
“Ele achou que tinha você, mas ele está enganado quanto a isso também.”
“Ele está verdadeiramente sozinho.”
***
O campo era muito mais pacífico do que Lei esperava. A casa para a qual Lena o havia enviado era imensa — uma casa de três andares escondida nas colinas, cercada por árvores e estradas longas e sinuosas. Sem vizinhos por pelo menos um quilômetro.
Enquanto ele olhava pela janela para a calmaria, a percepção de que ele estava verdadeiramente sozinho começou a se estabelecer.
“Este lugar é insano”, murmurou Lei, apoiado no peitoril da janela, balançando a cabeça em descrença. “A Lena é muito rica.”
Ele respirou lentamente, tentando limpar sua mente. Mas não funcionou. Seus pensamentos voltaram à catástrofe que acabara de acontecer. Quem poderia ter o exposto?
Não poderia ter sido coincidência. Ninguém sabia, exceto algumas pessoas, e mesmo assim, elas deveriam ser leais. Sua mente se enchia com a perda — o império que ele construíra na indústria do entretenimento estava desmoronando.
Sim, ele havia perdido seu prestígio no showbiz, mas não era só isso. Ele estava começando a perder o sentido de quem ele era.
Ele poderia começar de novo? Construir algo a partir das cinzas de sua vida antiga? Ele poderia… começar uma gangue novamente?
Ele soltou uma risada amarga com o pensamento. Parecia ter sido uma outra vida, mas as lembranças ainda se agarravam a ele.
Tudo começou há 12 anos.
Naquela época, Lei não tinha uma visão para o seu futuro. Ele era desorientado, se metendo em problemas e eventualmente sendo expulso pelos pais. Eles não tinham mais paciência com ele. Mas Lin Zhi, seu irmão mais novo, era diferente. Lin Zhi estava cheio de esperança, cheio de sonhos que pareciam grandes demais para o pequeno e pobre mundo deles. Ele queria ser um ídolo — uma verdadeira estrela.
Mas eles não tinham dinheiro para lições, para as conexões, para nada disso.
Mesmo depois de Lei ser expulso, Lin Zhi continuava o visitando, levando comida e falando com ele sobre seus planos. Não importava o quanto Lei causasse problemas, o quanto ele fosse desajeitado e descuidado, Lin Zhi acreditava nele. E por causa disso, Lei queria acreditar em algo também.
No começo, era por Lin Zhi — fazer o sonho do seu irmão se tornar realidade, dar a ele uma chance de chegar lá. Mas em algum ponto do caminho, Lei encontrou um sonho próprio.
A gangue do Lei começou como algo pequeno, algo que ninguém realmente sabia. Ele ficou anônimo porque parecia mais seguro assim. Ele não queria sua família envolvida, e ele não queria que as esperanças de Lin Zhi estivessem atreladas ao mundo sombrio no qual ele estava entrando. Mas a gangue cresceu rapidamente, e as pessoas nela o escutavam. Eles o respeitavam. Ele tinha apenas 19 anos, mas assim que provou daquela doce, doce lealdade — assim que percebeu que poderia fazer os outros trabalharem para ele…
…era o fim do jogo.
Retrospectiva, 2012: Xangai, China
Era tarde de uma noite, e Lei estava em um dos becos da cidade, sua gangue por perto, de olho em tudo. Ele se encostava na parede suja de uma loja fechada, fumando um cigarro e mantendo a cabeça baixa.
Ele deu uma tragada e exalou, observando a fumaça se enrolar na noite.
Então, ele viu ele — um homem careca, provavelmente na casa dos 40, caminhando com confiança pelo beco em um terno.
Ele tinha um chaveiro de esfregão balançando em sua pasta. Lei arqueou uma sobrancelha. Que tipo de idiota passa por aqui sozinho, parecendo assim?
Seu instinto era roubar o cara. Sua gangue poderia usar o dinheiro, e ninguém daria bola para mais um tipo de negócios sendo assaltado nesta parte da cidade. Mas algo impediu Lei.
“Ah, nós poderíamos usar o dinheiro, é verdade”, ele murmurou. “E esse cara parece cheio da grana.”
Antes que ele pudesse fazer um movimento, o homem o notou. Em vez de parecer assustado, entretanto, ele caminhou diretamente até Lei, parando a alguns metros de distância.
“O que um jovem como você está fazendo em um lugar tão perigoso como este?” o homem careca perguntou, sua voz calma, quase curiosa.
Lei não respondeu. Ele manteve sua expressão neutra, observando o cara cautelosamente.
O homem não parecia afetado pelo silêncio de Lei. Em vez disso, ele tirou algo do bolso do casaco e segurou para fora — um curativo.
“Limpe-se. Você tem um corte no rosto.”
Lei olhou para baixo, para seu reflexo em uma vitrine próxima e notou o pequeno talho perto de sua têmpora. Ele nem tinha percebido que estava sangrando.
“Você não tem aulas amanhã ou algo do tipo? Deveria ir para casa. Seus pais devem estar preocupados”, continuou o homem, ainda segurando o curativo. “Você ainda é jovem. Não deveria estar desperdiçando seu tempo em becos.”
Lei debochou, batendo a mão do homem para longe. “Vai embora, velho. Você não sabe nada sobre mim.”
O homem apenas suspirou e balançou a cabeça, mas ele não saiu.
“Ah”, ele murmurou, mais para si do que para Lei. “Eu pensei que você era o escolhido. Que pena. Seu coração é negro e não tem esperança.”
Lei franziu a testa, surpreso pelo comentário enigmático. “O que diabos você está falando?”
Antes que o homem pudesse responder, um barulho alto rompeu a tensão. Lei virou a cabeça para ver um gato preto disparando para fora de uma lixeira, a tampa se fechando atrás dele.
Quando Lei se virou de volta, o homem careca tinha desaparecido.