Coração Amaldiçoado - Capítulo 311
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311: Desumano 311: Desumano Mas havia algo diferente, algo aterrorizante nele. Havia apenas algo… algo além de sua beleza irreal que a fazia estremecer de medo só de olhá-lo. O ar ao redor dele estava envolvido por uma energia ameaçadora indescritível, e ela sentia como se estivesse na presença de uma força além da compreensão humana. Ele definitivamente não parecia humano.
Um arrepio percorreu a espinha de Elle ao encarar o homem à sua frente. Havia uma aura transcendental emanando dele, fazendo-a sentir como se estivesse na presença de uma criatura não destinada a este mundo. Cada centímetro dele parecia irradiar um sentido palpável de inumanidade, como se ele fosse algum tipo de força malévola que assumiu a roupagem de forma humana. Parecia que uma forma condensada de um poder selvagem havia sido comprimida e dominada dentro do invólucro de um humano. Elle não conseguia livrar-se da sensação de que não havia nenhum traço de humanidade nele, nenhum fiapo de empatia ou compaixão. Era como se ele fosse um ser de pura escuridão, sem nada para conectá-lo ao mundo dos mortais.
Um som desaprovador ecoou do outro homem, tirando a atenção de Elle do homem ao seu lado.
“Você escorregou e acabou matando eles?” perguntou o homem aterrorizante, seus olhos fixos no outro homem à sua frente.
“Eles desmaiaram sozinhos. Eu nem cheguei a fazer nada ainda,” o outro homem defendeu-se brincalhão da acusação de seu parceiro. Os olhos de Elle se arregalaram ao ouvir a conversa descontraída entre essas duas pessoas divinas ou demoníacas à sua frente. Ela não podia acreditar. Aquela voz. Ela já ouviu aquela voz antes! Eu conheço essa voz! Ela não sabia como ou por quê, mas sabia que conhecia aquela voz!
De repente, a mente de Elle foi inundada com memórias de um homem sentado com ela em seu colo, o livro de escolha ao seu colo enquanto ele lia uma história para ela quando ela era mais jovem. Embora ela não pudesse ver bem seu rosto, o som de sua voz era inconfundível. Era a mesma voz que acabara de ouvir. Seria possível…?
“Tenho certeza que você fez algo.” O homem ao lado de Elle riu sombriamente. “Você apenas não percebeu o que tinha feito.”
Com um solavanco, o corpo de Elle avançou e ela se levantou, apoiando-se no cotovelo. Era como se um jorro de adrenalina tivesse percorrido suas veias, dando-lhe um breve momento de força. Mas ao se firmar, suas mãos tremiam incontrolavelmente, seu corpo enfraquecido lutava para manter o equilíbrio no frio altar de pedra debaixo dela.
O homem ao lado dela fez um movimento para ajudar, mas a mão de outra pessoa agarrou seu pulso e o imobilizou em sua trajetória.
“Eu acabei de te dizer para não tocá-la, Gav.” O homem com a voz familiar disse firmemente.
Mas, o homem chamado Gav respondeu com um sorriso malicioso ao seu parceiro, uma sobrancelha arqueada elegante em questionamento.
“É instinto, Zeke.” Ele respondeu com um encolher de ombros.
Elle recuou. Sua mente gritou em descrença ao ouvir aquele nome em particular.
Zeke?! Ezequiel?! O dono desta voz era Ezequiel?!
Ela virou o rosto lentamente.
O homem chamado Zeke era… Elle estava sem palavras.
Era como olhar para a pintura de um deus, seus traços perfeitamente cinzelados e afiados. Ele era totalmente transcendental. Era como se ele tivesse sido esculpido por alguma mão divina, esculpido em mármore e trazido à vida por alguma magia negra. Sua aparência era simplesmente irreal!
“P-prínci…príncipe Ez…Ezequiel?!” gaguejou Elle. Ela sabia naquele momento que este homem era ninguém menos que Ezequiel, seu ex-cunhado, por assim dizer. Ele é irmão de Sebastian e marido de Alicia! Ele era o príncipe desaparecido!
Elle estava em choque, sua mente girando com a revelação de que o homem parado diante dela era o príncipe há muito perdido.
“Você cresceu.” Ele respondeu após alguns momentos de silêncio e Elle se viu incapaz de falar. Eram apenas duas palavras, mas por que essas palavras tocaram algo dentro dela? Naquele momento, a mente de Elle foi inundada com flashes de memórias, como uma tempestade repentina. Memórias que pareciam ter sido apagadas de sua mente por tanto tempo. Ela se lembrou de um homem de terno preto lendo uma história para ela e depois se lembrou do mesmo homem vestindo uma roupa de cirurgião. Ele usava uma expressão indefinível o tempo todo, mas ela viu seu eu mais jovem sorrindo tão feliz para ele.
“Você é… o… tio Zeke!” seus olhos eram círculos arregalados. O homem chamado Gav riu. “Esta garota acabou de chamar o todo-poderoso Zeke de tio dela?”
Zeke simplesmente olhou para o homem rindo antes de voltar seu olhar para Elle. “Peço desculpas, mas não posso ajudá-la a se levantar. Nenhum de nós dois pode tocá-la.” Zeke explicou.
“Por quê?” Elle foi pega de surpresa por sua própria audácia em fazer uma pergunta, mas não conseguiu evitar.
Apesar de reconhecer Zeke, ele parecia um tanto diferente do ‘ele’ em suas memórias. Elle não conseguia deixar de se sentir confusa e aturdida pelas memórias e pelo homem diante dela que não era nada como ela se lembrava. Mas, apesar do choque, ela se viu ousadamente fazendo perguntas a ele. Seu rosto parecia diferente, e seu comportamento era irreconhecível ao que ela se lembrava. Ele parecia não ser diferente do homem chamado Gav, exceto pelo fato que toda vez que Zeke olhava para ela, ela ainda podia ver um vislumbre de humanidade em seus olhos que estava completamente ausente nos de Gav.
“Aqui está o que acontece quando tocamos seres vivos de outro mundo.” Gav falou enquanto tocava o braço do homem mascarado. A pele do homem mascarado escureceu e rachou, como se estivesse sendo consumida por um fogo invisível. O cheiro pungente de carne queimada encheu o ar, e o homem se contorcia e gritava silenciosamente em agonia. Elle estremeceu ao pensar que Gav quase a tocara. Se Zeke não o tivesse impedido a tempo…