Condenada Contigo - Capítulo 740
740: Perfume 740: Perfume Algum tempo atrás…
Desde o momento que Zeres partiu, Iryz começou a gemer em seu sono. Ela começou a ter um pesadelo assim que Zeres a fez dormir com seu feitiço.
Por um bom tempo, ela continuou se revirando na cama, murmurando algumas palavras sem sentido e suando muito. Após alguns minutos do que parecia ser um pesadelo extremo e horrível, algo como fumaça avermelhada apareceu ao redor dela, envolvendo seu corpo. Então, de alguma forma, seu pesadelo foi interrompido.
Então, de repente, ela se levantou da cama como se tivesse sido sacudida para acordar. Seus olhos estavam abertos, mas fixados em um único ponto, logo à sua frente. Ela desceu da cama e começou a andar decididamente, deixando seu quarto em direção a um destino específico. Seus globos oculares nem se moviam de esquerda para direita e, mesmo assim, seus pés não tropeçaram enquanto ela descia as escadas.
Quando saiu pela porta principal, Iryz parou por um momento antes que seus pés se movessem novamente, parecendo saber para onde deveriam levá-la. Ela caminhava em linha reta pela rua vazia como se estivesse seguindo algo ou alguém que a chamava.
O tempo passou e suas pequenas costas já não podiam mais ser vistas da porta principal da livraria. Zeres chegou mais alguns minutos depois e a procurou rapidamente dentro da casa.
“Iryz?!” sua voz ecoou novamente enquanto ele saía às pressas da casa e olhava ao redor, chamando para ver se talvez ela estivesse por ali.
Ele cerrava os dentes enquanto preocupação e raiva passavam por seus olhos prateados. Ele não podia deixar de pensar que alguém poderia tê-la levado e seu sangue fervia nas veias só de pensar nisso. Não! Sobre seu cadáver! Aquela menina era sua única esperança em salvar Alicia naquele momento! Ela era a única pista que ele tinha para obter o feitiço de ressuscitar Alicia! Ele mataria qualquer um que tentasse levá-la!
Sem se importar se alguém o visse, Zeres pronunciou um feitiço para rastrear o aroma dela. Ao contrário dos vampiros que podiam rastrear o cheiro de alguém pelo olfato, Zeres podia rastrear alguém apenas usando seus olhos porque ele tinha a habilidade única de ver o cheiro de uma pessoa.
Assim que a magia brilhou em seus olhos, ele começou a ver resquícios de algo vermelho pairando no ar. Isso significava que Iryz não tinha ido embora há muito tempo!
Sem perder mais um segundo, Zeres seguiu o rastro da fina trilha de fumaça avermelhada. Ele sabia que aquilo definitivamente era de Iryz. Ele se moveu o mais rápido que pôde, e para seu alívio, conseguiu alcançar a menina mais rápido do que esperava.
Ele a viu caminhando pela calçada e cerrou os dentes de raiva enquanto se aproximava dela, pretendendo dar-lhe uma bronca por simplesmente ter saído sem informá-lo ou a outros. Mas ele parou três passos antes dela ao perceber que a maneira como ela caminhava era um pouco estranha. Parecia que ela não estava andando conscientemente.
Zeres estreitou os olhos. A suspeita superou a raiva que subia dentro dele, então ele decidiu segui-la em silêncio e esperar para ver o que ela estava fazendo. Ele estava curioso para saber onde ela estava indo naquelas horas da madrugada.
Agora ele pensava que ela estava confirmando sua suspeita, que de fato ela não era uma simples humana. Caso contrário, por que estaria lá, caminhando sozinha por uma rua vazia às 3 da manhã? Não era só isso, mas Zeres também estava intrigado com aquele brilho avermelhado que ela exalava ao redor do corpo. Esse não era o cheiro usual que ele associava a ela. Seu cheiro era geralmente transparente e azulado.
E o mais estranho é que ele simplesmente não conseguia descobrir que tipo de feitiço era aquele que fazia essa faixa de fumaça avermelhada aparecer ao redor dela. Seria um feitiço que ele não conhece? Mas isso era impossível. Como poderia haver um feitiço existente neste mundo que ele não conhecesse?
Ele franziu a testa, mais confuso, e diminuiu o passo, deixando-se ficar alguns passos atrás dela. Ele queria saber o que essa menina estava escondendo dele. Seja lá o que ela fosse, ele teria certeza de descobrir esta noite, mesmo que fosse a última coisa que fizesse.
Justo quando ele pensou nisso, ela atravessou a rua. Os olhos de Zeres se arregalaram ao ver um carro se aproximando rapidamente. Ele estava prestes a saltar para frente para puxá-la de volta, mas se conteve, pensando que, se houvesse a possibilidade dela ser uma bruxa, ela definitivamente desapareceria do local para evitar ser atingida.
Mas ela não fez isso. O pneu do carro chiou e, no último milissegundo, Zeres teleportou e agarrou-a. Ele materializou-se um pouco mais longe da cena para criar a ilusão de que o motorista tinha acabado de ver um fantasma atravessando a rua.
“Ze-Zeres?” a voz dela ecoou de forma atordoada enquanto Zeres olhava para trás para ver se o carro tinha parado. Ele não parou, o que foi um alívio.
Ele olhou para baixo, para a menina pequena que ainda estava deitada em seus braços e viu apenas confusão e perguntas em seus olhos.
“O que… está acontecendo?” ela olhou em volta e seus grandes olhos se arregalaram ainda mais no momento em que ela percebeu onde estavam. “Espera… estou sonhando?” Parecia que ela não sabia que tinha caminhado até ali, tão longe de sua casa.
Zeres ficou sem palavras por um momento enquanto a encarava, examinando-a como se tentasse decidir se ela estava atuando ou era real.
“Você sonâmbula e acabou aqui.” ele eventualmente disse a modo de explicação, e ela arregalou os olhos para ele em choque?
“O quê?! S-serio? Até aqui? Você está brincando, certo?!” embora ela dissesse isso, ela podia ver pelo rosto dele que ele não estava brincando com ela.
Ele a colocou no chão e quando ela gemeu de dor, ambos olharam para os pés dela. “Ah, eu cortei meus pés.” Ela murmurou enquanto levantava o pé esquerdo e viu um corte pequeno no dedão.
As sobrancelhas de Zeres se juntaram. Parecia que ele estava tão ocupado desconfiando dela que não percebeu que ela tinha caminhado descalça pelas ruas o tempo todo.