Casamento de Conveniência com o Alfa Snow - Capítulo 392
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392: Meia Verdade 392: Meia Verdade **************
CAPÍTULO 392
~POV do Kaid~
Por um segundo, Zara não fez nada—apenas ficou lá parada, com os lábios ligeiramente abertos como se quisesse dizer algo, mas não conseguisse se expressar.
Sua garganta se movimentou enquanto ela engolia em seco, seus olhos azuis brilhando sob o brilho tênue dos postes de luz.
Eu esperei.
Ela abriu a boca e depois fechou.
Eu suspirei, balançando a cabeça. “Você não precisa dizer.”
Zara piscou, surpresa.
Eu gesticulei em direção ao meu carro. “Entre.”
Ela hesitou. “Kaid—”
“Não vou deixar você vagando por aí parecendo que vai desmaiar.” Eu a encarei firmemente, mas com suavidade. “Simplesmente entre.”
Por um longo momento, ela apenas me olhou, como se ponderasse suas opções.
Então, finalmente, ela suspirou e andou ao redor do carro, deslizando para o banco do passageiro.
Eu segui, dando partida no motor.
O que quer que tivesse acontecido entre ela e Snow… foi grave. E eu tinha a sensação de que ela ainda não estava pronta para verbalizar.
Portanto, eu não insistiria, pelo menos não agora. Eu só garantiria que ela não ficasse sozinha.
“Quando você estiver pronta para falar… estarei aqui.”
Os olhos de Zara se voltaram rapidamente na minha direção e eu ofereci um sorriso calmo. “Tudo bem. Eu só… eu só quero ser livre.”
Não incomodei mais Zara, enquanto minha mente tentava entender exatamente o que estava acontecendo.
Imediatamente, peguei meu celular e mandei uma mensagem para Richard. Eu sabia que ele estava ocupado com seus próprios problemas, mas eu também precisava da ajuda dele para descobrir o que estava acontecendo com Zara.
***************
~POV do Snow~
Quando cheguei de volta à mansão, estava mal conseguindo conter minha raiva. Minhas mãos estavam cerradas em punhos, e meu corpo todo vibrava com a urgência mal controlada de destruir algo—alguém.
Vera.
Eu marchei pelo corredor, indo direto para o quarto dela. Assim que cheguei à porta, nem me dei ao trabalho de bater. Eu a empurrei, a madeira batendo contra a parede com um estrondo alto.
Vera, que estava sentada na beirada de sua cama, estremeceu, com os olhos arregalados, virando-se para me encarar.
“Snow—”
“O que diabos você fez?” Eu falei entre dentes, minha voz perigosamente baixa.
Ela engoliu em seco, mas rapidamente mascarou sua expressão com uma de inocência fingida. “Eu… Eu não sei o que você quer dizer.”
Eu soltei uma risada áspera e sem humor, me aproximando. “Você não sabe?” Minha loba estava enfurecida embaixo da pele, mal contida. “Você usou mágica em mim. Você me fez pensar—.” Eu apertei a mandíbula, forçando as palavras a sair. “Você me fez acreditar que Zara estava em minha cama. Você me fez—”
Nem consegui terminar a frase. O mero pensamento do que aconteceu torceu meu estômago em desgosto.
Os lábios de Vera se entreabriram levemente, e por um momento, houve algo quase frágil em seu olhar. “Eu não quis te enganar assim,” ela murmurou, baixando os olhos. “Só queria te acalmar. Aliviar sua dor. Ela te deixou. Sua esposa te deixou. Eu não aguentava ver sua loba sofrer e eu… Snow…”
Eu respirei com dificuldade. “Você chama isso de me acalmar?” Me aproximei ainda mais, minha voz carregada de fúria. “Você me violou, Vera. Você a violou.”
Os olhos dela se levantaram abruptamente, um vislumbre de desespero neles. “Snow, eu—”
“Quem diabos é você?” Eu exigi, minha voz mais baixa agora, mas não menos perigosa. “O que você é de verdade?”
Vera hesitou.
Então, lentamente, ela suspirou e abaixou o olhar para o chão. Quando ela olhou de volta, sua expressão era indecifrável.
“Eu sou uma bruxa,” ela admitiu.
A sala mergulhou em silêncio.
Eu a olhei fixamente, meu pulso martelando em meus ouvidos. “O quê?”
“Eu sou uma bruxa, Snow.” Ela endireitou os ombros, suas mãos se fechando em punhos em seu colo. “Eu não te contei antes porque eu sabia que você não me queria se soubesse.”
Minha cabeça rodava. Uma bruxa. Isso explicava tudo—a ilusão, a força do laço de companheiro, a força antinatural do laço.
Eu dei um passo para trás, minha mente acelerando. “Por quê? Por que mentir? Nosso laço é até mesmo real?”
Pain refletiu em seus olhos. “Pela Deusa da Lua, você sabe que isso não é verdade.”
“Então por que mentir?” Eu questionei mais uma vez.
Vera soltou um riso oco. “Porque minha vida inteira, eu tive que esconder o que sou. Se soubessem, eles ou me temeriam ou tentariam me usar.”
Minha mandíbula se apertou. “E o que você quer de mim, Vera? Medo? Ou algo mais?”
Ela estremeceu, balançando a cabeça. “Nenhum dos dois! Eu só… Eu só queria uma chance.”
Eu disse nada, esperando.
Ela suspirou, esfregando os braços como se lembrasse de uma dor antiga. “As bruxas queriam que meus pais me introduzissem à magia negra, mas eles recusaram. Eles tentaram me tirar de lá antes que eu fosse corrompida. Mas a Clave Sombria—” Sua voz se quebrou levemente. “—eles mandaram lobos desgarrados atrás de nós. Eles mataram meus pais bem na minha frente.”
Eu a olhei, minha raiva vacilante diante da emoção crua em sua voz.
Minha loba se acalmou, observando. Escutando.
“Meus pais morreram para me proteger,” continuou ela, seus olhos brilhando com lágrimas contidas. “Eu supostamente deveria morrer também, mas escapei. E você me encontrou, mas ainda assim não consigo evitar me esconder, sentindo como se estivessem vindo atrás de mim.”
Vera soltou uma respiração trêmula e enxugou as lágrimas. “Eu não escolhi ser sua companheira, Snow. Mas a Deusa da Lua fez assim. E quando eu descobri, pensei que talvez… talvez eu finalmente estivesse segura.”
O silêncio se estendeu entre nós.
Pela primeira vez, eu vi algo além do engano. Além das manipulações. Eu vi a garota quebrada por trás de tudo.
Eu suspirei, apertando a ponte do meu nariz. Droga.
Apesar de tudo, o laço de companheiro me puxava, fazendo meu peito apertar com a visão de sua dor. Era instinto—lobos não são feitos para ignorar seus companheiros.
E Vera? Ela também sentia.
Sem aviso, ela avançou e me abraçou, enterrando o rosto em meu peito.
Eu endureci, minhas mãos se fechando ao meu lado.
Ela estava tremendo. “Por favor,” ela sussurrou contra minha camisa. “Só… só me abrace por um segundo.”
Por um breve momento, eu deixei. Apenas por um segundo.
Então, ela levantou a cabeça, seus lábios se entreabrindo levemente, sua respiração tocando minha mandíbula.
E antes que eu pudesse reagir, ela se inclinou para me beijar.
Eu recuei instantaneamente, agarrando seus ombros e empurrando-a para longe.
“Não.”