Casamento de Conveniência com o Alfa Snow - Capítulo 295
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295: Culpado por Coação 295: Culpado por Coação ***************
CAPÍTULO 295
~Ponto de Vista de Zara~
Os dois primeiros dias com minha mãe tinham sido incríveis. Nós fizemos tudo aquilo que eu sentia falta durante minha infância – longas caminhadas pelos extensos jardins da matilha, fofocas durante o chá e até mesmo nos entregamos a algumas extravagâncias em compras ridículas.
Era como se estivéssemos recuperando os anos que havíamos perdido, e pela primeira vez em muito tempo, eu senti uma paz que não tinha me dado conta que estava buscando.
Mas, na terceira noite, aquele puxão familiar no meu peito retornou – o chamado de casa. Snow.
Não foi intencional inicialmente, mas com o tempo construímos isso entre nós.
Então, à medida que o dia ia terminando, eu comecei a empacotar minhas coisas em silêncio. Dobrei as novas roupas que Mamãe insistiu em comprar para mim, guardei os livros que ela me deu para ler e sorri levemente com as pequenas bugigangas que pegamos durante nossos passeios.
Estava quase acabando quando ouvi o clique suave da porta se abrindo atrás de mim.
“Zara?” A voz de Mamãe ecoou pelo quarto. “Zara, querida?”
Me virei, a culpa passando pelo meu rosto, ao vê-la parada na entrada. Seus olhos precisos vasculharam o quarto, notando a mala meio empacotada sobre a cama.
Imediatamente, seu sorriso desapareceu. “O que é isso?” ela perguntou, entrando.
Eu me endireitei, tentando parecer casual. “Eu só estava… arrumando as coisas. Estou voltando para a cidade amanhã.”
A expressão de Mamãe mudou, um lampejo de decepção passou por seu rosto antes dela disfarçá-la com um sorriso tranquilo. “Amanhã? Por que tão cedo? Eu pensei que poderíamos fazer uma noite do pijama e fazer planos para amanhã.”
Mordi meu lábio enquanto a vulnerabilidade e a esperança em suas palavras apertavam meu peito. “Eu sei, Mamãe. E eu amei estar aqui, de verdade. Mas eu tenho responsabilidades em casa. Snow precisa de mim.”
Ela se aproximou, seus braços cruzados enquanto me olhava firmemente. “E eu, Zara? Eu também não preciso de você?”
Eu pisquei, surpresa pela vulnerabilidade em sua voz. Mamãe era sempre tão composta, tão forte – era raro vê-la assim.
“Mamãe…” eu comecei, mas ela levantou uma mão.
“Não, deixa eu dizer isso,” ela interrompeu gentilmente. “Eu sei que você tem uma vida fora desta matilha. Eu sei que você tem Snow e um papel a desempenhar como sua Luna. Mas pela primeira vez em anos, sinto que tenho minha filha de volta. E agora você está partindo novamente, justo quando começamos a reconstruir aquilo que perdemos.”
Suas palavras foram como um soco no estômago. Eu não tinha considerado como minha partida poderia afetá-la, não depois do esforço que ela fez para tornar esses últimos dois dias tão especiais.
“Mamãe, eu…” Minha voz vacilou, e eu suspirei, passando uma mão pelos cabelos. “Me desculpe. Eu não queria fazer você se sentir assim. Eu só pensei…”
“Você pensou que eu ficaria bem com isso,” ela completou para mim, mas a suavidade no seu tom tornou difícil respirar. Ela estava magoada.
“E eu ficarei, eventualmente. Mas, Zara, você merece ter momentos para si mesma. Para desacelerar e apenas ser. Era isso que esse tempo deveria ser. Não voltar correndo para as responsabilidades no momento que você respira. Ou pior ainda, ser sequestrada e colocada em perigo. Aqui, nós podemos te proteger.”
“E Snow também pode.”
“Sim, ele estava fazendo um bom trabalho que levou ao seu sequestro duas vezes, amor.”
Eu suspirei e me sentei na beirada da cama, a culpa se acumulando em meu estômago. “Não quero que você pense que eu não valorizo esse tempo com você. Eu valorizo. É só que… Eu nunca fui boa em ficar parada. E Snow—”
“Snow vai entender,” Mamãe disse firmemente, sentando-se ao meu lado e colocando uma mão sobre meu joelho. “Esse homem te adora, Zara. Ele nunca te privaria de mais alguns dias com sua mãe.”
Eu ri baixinho, suas palavras aliviando um pouco da tensão no meu peito. “Você faz parecer tão fácil.”
“Pode ser,” ela disse com um pequeno sorriso. “Se você permitir.”
“Eu sou casada, mamãe.”
“E eu perdi você, bebê.”
“Mas você me encontrou.”
Ela fez um beicinho suavemente, sua calorosidade irradiando sobre mim. “Sinto tanto sua falta, meu amor.”
Mamãe acariciou minhas bochechas e eu deixei uma lágrima cair. Olhei para minha mala meio empacotada, depois de volta para ela. “Então, o que você está sugerindo? Que eu fique um pouco mais?”
“Exatamente,” ela disse, levantando-se e me puxando para os meus pés. “Desempacote essa mala, e vamos fazer a noite do pijama que planejamos. Podemos pedir lanches, assistir a algumas comédias românticas terríveis e fofocar como fazíamos quando você era pequena. Só mais algumas noites, Zara. Por favor.”
O tom dela era leve, mas um brilho de esperança em seus olhos tornou impossível dizer não.
“Certo,” eu cedi com um suspiro, um pequeno sorriso surgindo em meus lábios. “Mais uma noite.”
Mamãe exultou, batendo palmas. “Ótimo! Vou arrumar tudo no meu quarto. Não demore muito, ou eu começo o filme sem você!”
Ela desapareceu pela porta, e eu ri baixinho, balançando a cabeça enquanto começava a desfazer a mala com as poucas coisas que eu já havia colocado lá dentro.
Talvez ela estivesse certa. Talvez eu realmente precisasse desacelerar e simplesmente… ser.
E esta noite, eu faria exatamente isso.
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~Ponto de Vista de Ella~
Após o turbilhão de eventos na celebração da Zara, estar de volta em casa parecia… estranho. O silêncio do meu apartamento soava mais alto do que nunca, e desfazer as malas só enfatizava o quão vazio tudo estava.
Tentei me distrair arrumando as coisas, guardando roupas, dobrando a lavanderia e fazendo chá, mas meus pensamentos continuavam vagando. Para Styles. Para Ares. Para a bagunça emaranhada que minha vida amorosa se tornou.
Justo quando me joguei no sofá, meu telefone vibrou na mesa de centro. Olhei para ele, notando o número desconhecido piscando na tela. Meu dedo pairou sobre o botão “recusar”, mas algo me deteve.
Quando ele vibrou novamente alguns momentos depois, suspirei e atendi.
“Alô?” Eu respondi, meu tom impaciente.
“Alô, anjinho.”