Casamento de Conveniência com o Alfa Snow - Capítulo 242
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242: M.M. Devereaux 242: M.M. Devereaux ***************
CAPÍTULO 242
~Ponto de Vista de Zara~
A batida em minha cabeça parecia um tambor incessante, cada pulsação ecoando atrás dos meus olhos conforme eu piscava para abri-los.
A luz fraca no quarto dificultava a visão, mas forcei-me a sentar, cerrando os dentes contra a dor no meu corpo.
Graças às habilidades do meu lobo, a maioria dos hematomas menores já havia desaparecido e as feridas mais profundas pareciam fechadas, embora sensíveis. Mas algo estava errado.
“Astrid?” chamei em minha mente, desesperada para sentir sua presença.
Sem resposta.
Tentei novamente, desta vez com mais urgência, “Astrid, por favor!”
Silêncio.
O pânico começou a se infiltrar no vazio da minha mente. Astrid sempre esteve lá, até nos meus momentos mais sombrios.
Mudei de posição, o som metálico das correntes de metal chocalhando ao meu redor. Olhando para baixo, notei as pesadas algemas de prata envolvidas em meus pulsos e tornozelos, queimando minha pele e presas a correntes grossas fixadas na parede.
Meu coração afundou ainda mais quando vi minha roupa — uma camiseta branca solta e shorts pretos, ambos desconhecidos.
“Que diabos…” murmurei, tentando juntar o que havia acontecido.
E então me atingiu.
“Ivan.”
A memória de seu rosto, seu sorriso zombeteiro, passou por minha mente. A luta. Os renegados. A emboscada.
Antes que eu pudesse processar mais, uma voz suave, quase casual, cortou a penumbra.
“Whoa, whoa, whoa, linda, calma aí. Vamos não nos exaltar.”
A voz enviou um arrepio pela minha espinha. Por mais familiar e estranha que parecesse, eu não conseguia identificá-la.
Eu apertei os olhos nas sombras, tentando localizar a fonte. Conforme eu forçava os olhos, uma dor aguda e penetrante percorreu meu crânio. Pisquei, levantando uma mão trêmula para minha cabeça.
“Astrid?” tentei novamente, agora sussurrando, enquanto o medo se apertava ao meu redor. Ainda nada.
Soube então que era inútil. A prata estava machucando ela, nós. E ela precisava focar sua força restante em mim.
Uma figura emergiu das sombras, entrando na luz fraca do quarto. Meu coração disparou na garganta, minha respiração interrompida enquanto reconhecia aquela pessoa.
“Marcus Devereaux,” sussurrei.
O homem que havia assombrado todos os pensamentos acordados de Snow estava ali, pairando sobre mim. Mas algo estava… errado.
Eu o escaneei de cima a baixo, procurando por qualquer coisa — qualquer detalhe que pudesse traí-lo como um impostor. Meus olhos percorriam suas feições: a linha do maxilar forte, os olhos penetrantes, a postura confiante.
Era tudo o mesmo.
Mas seu sorriso — era diferente.
Mais diabólico. Mais cruel.
“Não é ele,” murmurei para mim mesma, balançando a cabeça. “Não pode ser.”
Ele riu sombriamente, cruzando os braços enquanto se encostava casualmente na parede. “Você não vai encontrar o que está procurando. Sou da mesma árvore, querida.”
Olhei para ele cuidadosamente. “O que isso significa?” exigi, embora minha voz tremesse.
Ele inclinou a cabeça, o sorriso alargando enquanto se endireitava e se aproximava. Quanto mais perto ele chegava, mais notava as subtis diferenças. Sua energia parecia mais sombria, sua presença mais maligna.
“M-Mar—Marcus, é realmente… você?” perguntei suavemente.
Ele zombou, o sorriso se aprofundando em algo quase predatório. “O que você acha?”
Tentei raciocinar enquanto minha mente lutava para entender essa situação impossível. Mas antes que eu pudesse verbalizar meus pensamentos, suas próximas palavras estilhaçaram minha concentração.
“Olá, Zia Gold.”
Meu sangue gelou.
Seu uso casual do meu nome completo parecia invasivo, como se ele tivesse descascado uma camada da minha identidade que eu não havia compartilhado voluntariamente.
Como ele sabia disso?
Afastei esse pensamento. Não era novidade, considerando que durante o baile alfa, eu tinha sido apresentada.
Meu olhar saltou para seu pescoço, e foi aí que eu vi — uma Marca Divina negra gravada em sua pele.
“Você não é Marcus Devereaux,” sussurrei, tentando esconder o tremor em minha voz. “Você é…”
Seu sorriso se alargou, cortando-me. “Seu irmão gêmeo.”
Meu coração pulou uma batida enquanto o horror se instalava sobre mim. Seu irmão gêmeo? Marcus tinha um irmão gêmeo e nunca mencionou isso. Nem mesmo Snow sabia.
“Devo agradecer ao seu marido,” ele disse, sua voz destilando veneno. “Eu não pensei que voltaria à Cidade do Sol. Mas quando Snow matou meu irmão — brutalmente, eu devo acrescentar — eu não podia deixar isso passar, poderia?”
Suas palavras enviaram uma nova onda de medo e raiva correndo através de mim. “Você está mentindo,” estalei, minha voz tremendo.
“Estou?” ele provocou, abrindo os braços como se me convidasse a desafiá-lo.
“Então me diga,” eu disse, forçando-me a encarar seu olhar apesar do terror roendo meu interior. “Qual é o seu nome?”
Seu sorriso ficou ainda mais perverso, e ele se inclinou levemente, como se me zombasse.
“Eu sou Melvin Maverick Devereaux,” ele declarou, sua voz pingando malícia.
Eu o encarei, meu peito se apertando. A batalha de Snow com Marcus havia sido um pesadelo, e agora, aqui estava seu irmão gêmeo — uma sombra mais escura do que o homem que tínhamos pensado ser nosso maior inimigo.
“O que você quer comigo?” perguntei firmemente, apesar das minhas mãos trêmulas.
Melvin riu, seus olhos brilhando com algo sinistro. “Vingança, minha querida. E você? Você é a peça perfeita para começar.”
Conforme ele se aproximava, suas palavras ecoavam em minha mente, me gelando até os ossos.
“Eu preciso sair daqui. E preciso fazer isso rápido.”
***************
~Ponto de Vista de Snow~
Os pneus chiavam enquanto eu acelerava pela rodovia. Meus dedos agarravam o volante com força, meus nós dos dedos ficando brancos. Minha mente corria tão rápido quanto o carro, revivendo o rosto de Zara na foto — o desamparo, as correntes.
“Estou chegando, amor. Aguente firme.”
O toque agudo do meu telefone me sobressaltou, me puxando momentaneamente dos meus pensamentos. Olhei para o identificador de chamadas — Zade.
Com um rosnado, atendi, apertando o botão no volante para ativar o modo de viva-voz. “O quê?”
“Onde está minha irmã, Snow?” a voz de Zade estava afiada. Meu maxilar se apertou. “Estou indo buscá-la.”
“Como você sabe onde ela está?” Zade exigiu, sua voz impregnada de suspeita e urgência.
“Demônio Ousado te ligou, não foi?” eu cuspi, já montando a fonte da súbita interrogação de Zade.
“Sim, e por um bom motivo,” Zade estalou. “Você está se jogando no perigo sozinho com a vida de Zara em jogo? Você está louco? O que você está pensando?”