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Casamento de Conveniência com o Alfa Snow - Capítulo 235

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235: A Linhagem 235: A Linhagem ***************
CAPÍTULO 235
~Ponto de Vista da Luna Estrela~
Reculando levemente, inclinei o queixo dela para cima para que pudesse encontrar meus olhos. “Seu coração já sabe, Tempestade. É o seu medo que está turvando tudo. Você tem medo de escolher errado, de decepcionar alguém. Mas o único jeito de seguir em frente é ser honesta—consigo mesma e com eles.”

As lágrimas dela diminuíram, e ela limpou as próprias bochechas, com uma expressão conflitante. “E se eu escolher errado, Mamãe?”

“Não existe escolha errada aqui,” afirmei com convicção. “O único erro que você pode cometer é fingir que isso vai se resolver sozinho. Você deve a ambos eles — e a si mesma — encarar isso de frente. Mas lembre-se disso: quem quer que você escolha, certifique-se de que seja alguém que te veja, que te ame pelo que você é. Alguém que te faça sentir que pode ser seu eu mais verdadeiro.”

Tempestade concordou lentamente, a respiração dela se acalmando. “Não sei se estou pronta.”

“Você saberá quando for a hora,” eu a garanti. “Mas não espere muito tempo, Tempestade. A vida nem sempre nos dá o luxo do tempo.”

Ela se aninhou em mim de novo, o corpo relaxando à medida que parte da tensão se dissipava. “Obrigada, Mamãe,” ela murmurou.

Beijei o topo da cabeça dela, segurando-a perto. “Sempre, meu amor. Sempre.”

Mas enquanto ela descansava contra mim, eu não pude deixar de me perguntar que escolha ela faria — e o que significaria para todos nós.

Se a Tempestade escolhesse Ryland, seria ótimo, mas será que o lobo dela aguentaria perder o companheiro?

A ligação do companheiro era forte. Mesmo que ela amasse Ryland, isso também poderia pressionar e desestabilizar qualquer equilíbrio.

Simplesmente não conseguia imaginar um caminho claro para ela. A outra escolha seria ficar com ambos, mas isso poderia causar caos. E não apenas entre os dois rapazes, mas alguém cujo pensamento poderia chacoalhar a Tempestade, seu pai — meu marido, Alfa Tempestade.

****************
~Ponto de Vista do Zade~
Entrando no arquivo da matilha, vasculhei as fileiras de registros e pergaminhos meticulosamente empilhados. Indo mais adiante, minhas narinas foram recebidas pelo cheiro do pergaminho e da tinta, um contraste gritante com a turbulência girando dentro de mim.

Algo sobre os eventos recentes — os ataques, os avisos sutis direcionados para Zara — não me parecia certo.

Eu tinha que investigar mais fundo.

Também não podia incomodar minha mãe com essa questão, pois preocupá-la seria como fazer Zara se preocupar.

Eu sabia que as ameaças eram reais e poderiam ser conectadas se eu investigasse mais fundo, mas eu não queria esse tipo de medo abalando elas e a matilha.

Usamos bons 18 anos para consertar isso. Não podemos voltar ao ponto de partida.

A luz trêmula da única lanterna projetava sombras alongadas nas prateleiras enquanto eu retirava um velho livro contábil de couro.

A capa estava rachada, o símbolo da Garra Dourada outrora vibrante agora desbotado. Folheando as páginas, eu pegava trechos da história da nossa matilha, mas nada substancial sobre a conexão que eu procurava.

“Vamos lá,” resmunguei em voz baixa, empurrando o livro para o lado e pegando outro.

Horas passaram enquanto eu revirava o arquivo, minha frustração crescendo. Pergaminhos, mapas, atas de reuniões antigas do conselho — nada parecia ligar os pontos. Minha mente fervilhava com possibilidades.

Por que a matilha Garra Dourada tinha sido o alvo no passado? E por que Zara sempre estava no centro dessas ameaças?

Finalmente, meus olhos pousaram numa caixa sem marcação enfiada no canto de uma prateleira inferior.

A superfície estava coberta de poeira, e parecia que não era tocada há anos.

Com a curiosidade aguçada, eu a arrastei para fora e abri a tampa com cuidado.

Dentro havia cartas antigas amarradas com uma fita desgastada. O papel estava amarelado e frágil, mas a caligrafia ainda estava legível. O nome do meu pai, Alfa Gold, estava rabiscado no topo da maioria dos envelopes.

Com as mãos trêmulas, desatei a fita e comecei a ler.

As primeiras cartas eram comuns — atualizações sobre alianças, distribuições de recursos — mas então uma me chamou a atenção. A caligrafia estava mais frenética, a tinta mais escura e desigual.

Alfa Gold,
Sabemos o que você está escondendo. A garota, Zia, tem mostrado sinais de sua herança. Ela deve ser entregue antes que seus poderes despertem plenamente. Não nos teste. Você foi avisado.

Reli a carta várias vezes, meu coração acelerado. Sua herança? Que poderes? Meu pai nunca tinha mencionado nada assim.

Passeei a mão para a próxima carta, minha pulsação acelerando.

Gold,
A linhagem de bruxas corre profundo em sua família, e você sabe disso. As habilidades de Zia não estão dormentes — estão crescendo. Se você não entregá-la para nós, nós iremos buscá-la. As consequências da desobediência serão sentidas por toda a sua matilha.

Minha mão apertou a carta. Bruxas?

Recordei, tentando vasculhar minha memória sobre nossa linhagem.

Quem era bruxa?

Deixei a carta cair e imediatamente fui procurar nos arquivos a resposta. Encontrei um dos livros — contábeis.

E então, obtive a resposta.

A avó da minha mãe — da Zara — a nossa bisavó — tinha sido uma bruxa?

Minha mente acelerou, juntando as implicações. Zara tinha herdado este poder, e suas habilidades emergentes a tornaram um alvo, ainda como criança.

Minha bisavó foi a maior bruxa viva em seu tempo e até agora. Bom, até Zara nascer, acreditando que ela herdou seus poderes em uma escala maior.

Não é à toa que meu pai a protegia tanto, mantendo-a nas sombras dos assuntos da matilha. Mas por que ele não nos contou?

E a Mamãe… Não tem como ela não saber disto.

Outra carta chamou minha atenção, esta mais pessoal. O tom era resignado, quase triste.

Para a minha querida Zaria,
Eu temo pela segurança da nossa família, especialmente pela Zia. Os inimigos que enfrentamos são implacáveis, e eles a veem mais do que como uma criança — eles a veem como uma arma. Não posso permitir que ela se torne um peão deles. Seja o que for que aconteça, proteja-a, Zaria. Ela é o nosso legado e a nossa força.

A carta terminou abruptamente, a assinatura borrada. As palavras do meu pai ressoavam em minha mente.

Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu pegava o último pedaço de pergaminho na caixa. Não era uma carta, mas um diagrama — uma árvore genealógica. As linhas intricadas traçavam nossa linhagem por gerações, e no topo havia um nome que eu não reconhecia: Lila Goldthorn.

Minha respiração falhou. Abaixo do nome dela, em escrita tênue, estavam as palavras Bruxa da Chama Eterna.

Lila Goldthorn. Nossa bisavó.

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