Casamento de Conveniência com o Alfa Snow - Capítulo 154
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154: A Verdade 154: A Verdade **************
CAPÍTULO 154
~Ponto de vista de Zara~
Andrew deu um passo para trás, murmurando baixinho. “Eu vou… deixar vocês dois a sós.”
Minha mente acelerou enquanto eu olhava para Zade, prendendo a respiração. O que ele estava prestes a dizer, eu sabia que mudaria tudo.
Suas palavras pesavam no ar, sufocando a tensão entre nós.
“O que você quer dizer com algo que eu preciso saber?” perguntei cautelosa, mantendo minha voz baixa. A tempestade de emoções das fotos, a traição da Mansão de Snow, e agora essa nova reviravolta me deixaram abalada.
Zade me olhou. Seus olhos estavam cheios de tristeza e algo mais, algo duro. “Você é minha irmã, Zara. Você é minha irmã perdida.”
Pisquei para ele, então soltei uma pequena risada – uma que soou vazia até para meus próprios ouvidos. “Que tipo de piada é essa?” disse, minha voz tremendo apesar da minha tentativa de me manter composta.
“Não é uma piada,” respondeu Zade, seu tom firme, mas entrelaçado com dor.
“Pare.” Balancei a cabeça enquanto uma risada amarga escapava de mim. “Isso não é engraçado, Zade. Eu tenho uma família. Um pai, uma mãe e um irmão. Eu conheço minha família. Desculpa, mas a sua piada é cara – nós não somos parentes.”
Os lábios de Zade se torceram num sorriso amargo enquanto ele abaixava o olhar por um momento. Quando ele encontrou meus olhos novamente, eles carregavam uma seriedade assombrosa que fez meu pulso acelerar.
“Você se lembra da história que eu te contei?” ele perguntou suavemente. “Sobre a casa da árvore, o folclore… Alcateia Garra Dourada?”
Um arrepio percorreu minha espinha enquanto a memória surgia. Especialmente a da casa da árvore e a memória que eu vi.
Não era imaginação minha naquela época, certo? Assenti hesitante. “Sim, mas… o que isso tem a ver com—”
“Não era só uma história,” disse Zade, sua voz ficando mais certa a cada palavra. “Era a minha história. Nossa história.”
Congelei, minha mente lutando para acompanhar o que ele estava dizendo.
“Zara,” Zade começou, respirando fundo como se ganhando coragem, “você foi sequestrada quando criança. Durante o ataque à nossa matilha.”
“O quê?” Minha voz quebrou, a única palavra uma mistura de descrença e medo.
“Você tinha apenas cinco anos,” ele continuou, seu tom suavizando como se a memória o doesse. “A Alcateia Garra Dourada era uma das matilhas mais fortes naquela época, se não a mais forte há vinte anos. Mas fomos atacados – emboscados pelos nossos inimigos.”
Zade fez uma pausa, seu olhar focado em algo no céu, algo que eu tinha certeza de que não estava lá.
“Naquela noite, em meio ao caos, você foi levada pela esposa do Gamma. Ela tinha sido uma espiã para nossos inimigos, mas você era uma de suas favoritas. Cory acreditou que poderia salvar você da carnificina ao fugir com você, mas algo deu errado.”
“Não,” sussurrei, balançando a cabeça. “Isso não faz sentido. Minha família—”
“Você estava desaparecida,” Zade interrompeu, sua voz quebrando um pouco. “Procuramos em todos os lugares, mas não conseguimos te encontrar. Mais tarde, encontramos a mulher que te levou, mas naquele momento, você já tinha ido. Desaparecido sem deixar rastros.”
Suas palavras atingiram como um martelo, cada sílaba estilhaçando meu senso de realidade. Meu peito se apertou enquanto eu lutava para respirar, para pensar.
“Nossa matilha ficou devastada,” Zade continuou, sua mandíbula tensa enquanto ele lutava para manter a compostura.
“Por que ela não… Não. Você pode perguntar a ela. Deixe que ela te diga onde manteve sua irmã. Isso deve ser algum mal-entendido,” disse eu, mais para me convencer do que para ele enquanto o foco de Zade se mantinha forte.
“Ela não vai.”
“Não vai ou não pode?” perguntei afiadamente.
“Ela não pode. Ela está morta.” Zade virou o rosto na minha direção, a dor gravada profundamente em seus olhos como nada que eu tinha visto antes.
“Perdemos tantos naquela noite, Cory inclusive. Meu pai… nosso Alfa, morreu tentando nos proteger. E então perdemos você também.”
Lágrimas brotavam em seus olhos, mas ele as afastou com um piscar. “Nossa mãe ficou destroçada. Ela procurou por você incansavelmente por cinco anos, mas com nossos números reduzidos e inimigos ainda à espreita, tivemos que recuar. Ela voltou para a carreira para lidar com a situação, antes de perder a sanidade e eu… eu tive que dar um passo à frente. Fui enviado aos nossos tios para treinar, reconstruir e proteger o que restava da nossa matilha.”
Eu o olhava, minha mente girando. “Não,” sussurrei novamente, minha voz tremendo. “Você está errado. Eu não sou… eu não sou quem você pensa que eu sou.”
“Zara,” disse Zade, aproximando-se, sua voz calma mas firme. “Você não se lembra porque era muito jovem. Mas quando Andrew te viu pela primeira vez, ele notou algo – o quanto você se parecia com nossa mãe. Ele me falou de você, e eu precisava te conhecer pessoalmente.”
Balancei a cabeça, lágrimas descendo em torrentes pelas minhas bochechas, mais do que tinham por causa da traição de Snow. “Isso não faz sentido, Zade. Eu não posso ser sua irmã. Eu tenho memórias, uma família—”
“Memórias que podem não ser reais,” interrompeu Zade gentilmente. “Pense bem. Você nunca questionou por que seus pais nunca falam sobre a sua primeira infância? Ou por que seus registros de nascimento parecem incompletos?”
Minha garganta apertou. Houve momentos em que eu me perguntei, lampejos de confusão quando eu pensava nos meus primeiros anos. Mas eu sempre descartava isso como inconsequente, já que a memória só trazia dores de cabeça severas.
Meus pais me disseram que eu me envolvi em um acidente quando era pequena e, como resultado, tive amnésia.
Essa era a história e a verdade, não isso.
Zade alcançou o bolso e tirou um pedaço de papel dobrado. “Se minhas palavras não forem suficientes,” disse ele suavemente, “talvez isso te convença.”
Ele me entregou o papel, e com dedos trêmulos, eu o desdobrei. Meus olhos varreram o texto, os números embaçados enquanto minhas lágrimas caíam.
Resultados de DNA: Correspondência Confirmada. Probabilidade: 99,98%.
Olhei para o documento, prendendo a respiração enquanto o peso da verdade recaía sobre mim.
“Não,” sussurrei, agarrando o papel com força. “Isso não pode ser real. Não pode—”
“É,” disse Zade, sua voz quebrando um pouco. “Você é minha irmã, Zara.”