A Posse do Rei Vampiro - Capítulo 725
Capítulo 725: 725. Deixe Eles Falarem
Dois meses tinham se passado desde que Jael revelou pela primeira vez que Malva estava grávida. Malva não tinha certeza se sua gravidez tornava as coisas mais fáceis ou mais difíceis entre eles. No começo, Jael a deixava fazer o que queria e não reclamava muito, mas com o tempo, ele se tornou ferozmente protetor, muitas vezes até o ponto de sufocar. No entanto, ela não podia negar a ternura em suas ações. Mesmo agora, enquanto caminhavam juntos nos corredores pouco iluminados do castelo, ela podia sentir o peso do olhar dele sobre ela.
A reunião dos senhores dois meses atrás tinha sido um ponto de virada, mas não um fim. Os senhores se aquietaram relutantemente após a intervenção de Lorde Garth e o discurso apaixonado de Malva, mas o ceticismo deles persistiu. Os senhores que permaneceram no castelo a observavam atentamente, e ela podia dizer que todos eles percebiam que ela estava grávida. Ela se perguntava quanto tempo levaria até que a notícia chegasse ao restante dos senhores. Malva não achava que levaria muito tempo.
Ela parou na passarela, colocando uma mão na parede para se equilibrar. A criança crescendo dentro dela era um lembrete constante de quanto sua vida havia mudado — e quanto ainda estava em jogo.
“Você está bem?” A voz de Jael estava baixa, carregada de preocupação.
“Estou bem,” disse Malva, embora a onda de náusea dissesse o contrário. Ela se endireitou e alisou seu vestido. “Você não precisa ficar por perto, Jael.”
Seu maxilar se apertou, mas ele não disse nada. Em vez disso, estendeu a mão para segurar a dela, e após um momento de hesitação, ela permitiu.
O silêncio entre eles era ao mesmo tempo reconfortante e pesado. Malva passou os últimos dois meses reconstruindo seu senso de controle, juntando os fragmentos de sua confiança após tudo que havia acontecido. Mas ainda havia rachaduras em sua armadura, e ela podia sentir os olhos de Jael buscando por elas, querendo protegê-la de tudo — até mesmo de suas próprias vulnerabilidades.
Também havia a questão com Danag. Malva tentou estar tão envolvida quanto deveria, mas aparentemente, fazer uma criança não era um passeio no parque, e à medida que os dias passavam, mais terrível se tornava. Sua náusea estava muito pior, e ela se pegava dormindo nos momentos mais estranhos.
“Estive pensando,” começou Jael, seu polegar roçando seus dedos. Isso a trouxe de seus pensamentos, e ela olhou para ele. “Devemos fazer preparativos para garantir sua segurança — e a do bebê.”
Malva estreitou os olhos, tentando entender do que ele poderia estar falando. Ela não ficaria surpresa se tivesse algo a ver com as caminhadas que insistia em fazer. Jael tentou várias vezes cancelá-las, mas felizmente, Kieran achou que eram uma boa ideia, e as caminhadas permaneceram.
Infelizmente, Kieran não pôde ficar e teve que partir após apenas alguns dias. Malva ficou triste, mas ele a assegurou que assim que ela se sentisse minimamente mal, ele deixaria sua propriedade e retornaria ao castelo em uma única noite. Malva simplesmente assentiu, esperando que nada fizesse com que ela precisasse de sua presença.
“O que exatamente está sugerindo?” ela sussurrou enquanto se aproximavam das portas da frente.
Jael não respondeu imediatamente. Em vez disso, conduziu-a pelas portas, com os guardas segurando-as abertas e se curvando silenciosamente para ambos.
As portas se fecharam ruidosamente, e Malva se encolheu. “Você não ouviu elas se fecharem tantas vezes para ainda se assustar?” Jael provocou.
“Não me assusto toda vez. Não é minha culpa que as portas sejam tão barulhentas.”
“Vou pedir aos guardas que as fechem de forma suave na próxima vez. Que tal?”
“Claro que não.” Malva lançou um olhar fixo para ele. “Não há nada de errado com o som das portas agora. Eu estava apenas distraída por meus pensamentos.”
“E o que poderia te deixar tão distraída?”
“Você é quem mencionou proteger a mim e ao bebê. Não é algo para se distrair?” Malva perguntou, irritada que Jael estava transformando seu leve sobressalto em um grande acontecimento.
“Sim, acho que essa é por minha conta.”
Malva estreitou os olhos, mas manteve a boca fechada. Estava mais interessada no que ele tinha a dizer do que em discutir mais. “Então, o que está acontecendo?”
“Bem,” Jael resmungou. “Tenho certeza de que a notícia já se espalhou, e os senhores estarão conspirando. Estou prestes a receber muitas cartas — e provavelmente, visitantes indesejados.”
Malva parou de andar e se virou para ele. “Você quer dizer que não confia nos senhores.”
O silêncio de Jael foi resposta suficiente.
“Você não acha que eles iriam tão longe, acha?” Malva perguntou, sua voz mal acima de um sussurro.
A expressão de Jael escureceu. “Não acho que fariam isso, mas basta uma pessoa para ligar tudo.”
“Seraphino?” Malva perguntou. Ela não gostava de dizer seu nome, mas queria confirmar se ele era a razão da preocupação de Jael.
“Não! Nunca. Eu prometo pela minha vida que não acontecerá uma terceira vez.” Jael já planejava matar Seraphino no local, se necessário. Todo o banimento tinha sido risível. Ver Seraphino sair após colocar as mãos em sua parceira—hematomas por todo o pescoço dela—fez algo em Jael que ele não conseguia explicar. Ele sabia que, se houvesse uma próxima vez, Seraphino não sairia vivo. Ele lidaria com as consequências depois.
Malva assentiu, aliviada por Seraphino não ser a razão de sua preocupação. Por mais que ela odiasse, ele ainda a assustava. A ideia de vivenciar algo similar novamente era algo que ela não queria considerar.
“São os outros senhores que me preocupam mais. Eles não farão nada diretamente, mas se planejarem…” Jael deixou suas palavras no ar. Ele não queria que Malva se preocupasse. Ela já tinha o bebê para pensar; ele garantiria que ela não precisasse carregar esse fardo.
O peso de suas palavras se fez sentir sobre ela, mesmo que Jael não terminasse. Por um momento, Malva sentiu a enormidade da situação pressionando seu peito. Instintivamente, colocou uma mão sobre o estômago, seu olhar caindo.
“Eu não vou deixar nada acontecer com você ou com nosso filho,” Jael disse firmemente, sua mão acariciando a bochecha dela e a forçando a olhar para ele. “Você me entende, Malva?”
Ela assentiu, embora a dúvida pairasse nas bordas de seus pensamentos. O desprezo dos senhores por sua humanidade não era algo que pudesse ser apagado da noite para o dia. Ela só conseguia imaginar o horror que surgiria quando descobrissem que sangue humano poderia se misturar com sangue de vampiro. Malva compreendia a preocupação de Jael e a sentia igualmente. Os próximos meses trariam mais problemas para eles.
“Então me deixe ajudar você,” ele continuou, seu tom suavizando. “Você não precisa lutar essa batalha sozinha.”
Malva quis dizer que essa era sua fala, mas se perguntou se ele havia notado a batalha que ela achava que havia escondido bem. Ela procurou nos olhos de Jael, vendo a suavidade por trás de sua força. Ele estava tão preocupado quanto ela, embora escondesse isso melhor.
“Tudo bem,” ela disse finalmente, sua voz firme. “Mas não vou deixar que me vejam como fraca. Posso ser humana, mas ainda sou sua parceira e mãe do seu filho—e provarei a eles que sou digna desse título.”
Os lábios de Jael se curvaram no mais leve sorriso, orgulho brilhando em seus olhos. “Você já fez isso.”
Eles continuaram caminhando, seus passos em sincronia. Malva sentiu uma pequena medida de paz. Não era muito, mas era suficiente para se agarrar. Ela sabia que o incidente com Seraphino sempre pairaria sobre eles—especialmente para Jael—e ele queria mais do que qualquer coisa provar a ela que isso não aconteceria novamente.
Ela queria muito acreditar nele, e por enquanto, era tudo o que ela faria. Independentemente do contratempo, ela confiava em Jael com sua vida e a do bebê. Ela tinha certeza de que ele colocaria sua vida e o trono em risco para mantê-los seguros.
Malva olhou para a lua; estava brilhante naquela noite, e que visão bonita. “A lua está cheia esta noite. Muito bonita,” ela sussurrou enquanto eles começavam a caminhar novamente.
“Sim,” Jael respondeu sem olhar para cima.
Malva sorriu para ele. “Você nem está olhando para ela.”
“Estou,” ele respondeu.
Malva balançou a cabeça e não insistiu. Jael provavelmente diria algo embaraçoso. “Tudo bem, se você diz.”
“Eu digo,” ele respondeu de maneira categórica.
Enquanto caminhavam na noite iluminada pela lua, Malva se viu envolta em um momento de silêncio. O mundo ao redor deles parecia parado, mesmo sabendo que problemas pairavam nas sombras de suas vidas. A presença constante de Jael ao seu lado oferecia algum conforto, mesmo enquanto sua mente lutava com as muitas incertezas diante deles.
“O que você acha que eles vão dizer quando descobrirem?” ela perguntou suavemente, quebrando o silêncio.
O olhar de Jael se voltou para ela. “Eles dirão muitas coisas, nenhuma delas agradável. Mas as palavras deles não importarão.”
Malva arqueou uma sobrancelha cética. “Você está bastante confiante nisso.”
“Eles têm me questionado por anos, Malva. Primeiro por esperar para ascender ao trono, depois pelas mudanças que fiz. Nada disso me deteve, e isso também não irá. Deixe que falem.”