A Posse do Rei Vampiro - Capítulo 658
Capítulo 658: 658. Bebê do Vampiro
“Você pode contar comigo para manter a companheira do Primus segura,” Mill prometeu.
Jael tentou não sorrir com a forma como Mill se referiu a Malva, mas ele não podia negar a alegria que sentia. Ela era dele, para todos verem, e não havia dúvida quanto a isso. Infelizmente, ela não estava acordando, e não havia ninguém com a expertise necessária para ele consultar.
Kieran não estava no castelo, e o médico já havia partido há muito tempo. Além disso, levaria pelo menos duas noites para trazê-lo aqui, mesmo que partissem agora. Malva poderia morrer de fome até lá. Eles deveriam tentar forçá-la a comer e torcer para que ela conseguisse mastigar e engolir mesmo estando em sono profundo?
Ele se virou e saiu do quarto. Teria que esperar para ver. Ela ainda estava dormindo; nada parecia errado, e, se estivesse incomodada, ela balbuciava algumas coisas, mas simplesmente não acordava. Ela estaria tão exausta assim?
“Tão imerso que nem percebe minha presença?” A voz de Louis quebrou os pensamentos de Jael assim que ele abriu a porta.
O olhar de Jael escureceu. “O que você quer?”
“Você parece bastante sério,” Louis disse, tentando espiar o quarto. Jael fechou a porta imediatamente. Louis o olhou com desconfiança. “O que está acontecendo? Talvez eu possa ajudar.”
Jael cruzou os braços e suspirou. Louis era persistente, e seria mentira dizer que ele não se importava com Malva. Ele talvez pudesse oferecer alguns insights e opções. Além disso, Jael estava quase desesperado para conversar com alguém que ele não suportava.
“Por aqui,” Jael respondeu, avançando e guiando Louis até o estudo.
Ele se sentou e encarou as cartas que precisava responder. Foi interrompido por Louis, e agora estava distraído demais com seus pensamentos para sequer pensar no que qualquer Senhor poderia estar dizendo.
“O que há de errado?” Louis perguntou novamente.
“Malva não está acordando,” Jael respondeu.
Louis franziu o cenho e se sentou. “Talvez ela só esteja cansada. Não vejo por que se preocupar com isso. Mais algumas horas e ela estará acordada.”
“Não tenho tanta certeza disso.”
A testa de Louis se enrugou. “O que aconteceu? O que você fez?” ele cuspiu.
“Por que você acha que eu sou o culpado aqui?”
“Eu não acho que você seja,” Louis disse com um suspiro alto. “Você está agindo como culpado. Seu humor oscila entre felicidade e preocupação.”
“Eu não fiz nada,” Jael explicou. “Acho que ela está grávida.”
Louis olhou para ele como se ele tivesse ganhado dois chifres. “Isso é impossível.”
“Achei que você tinha uma ideia—é por isso que estava me importunando antes.”
“Eu só pensei que você provavelmente tinha feito algo estúpido. Você estava calmo demais, com um toque de orgulho, e passou o dia todo com Malva. Presumi que era uma das suas loucuras que acabaria nos causando problemas. Você está brincando comigo ou realmente engravidou ela?” Louis perguntou.
“Por que essa cara?” Jael perguntou.
Louis se recostou e tocou as têmporas. Manteve essa posição por alguns segundos e, então, se levantou. “Por favor, diga que isso é só uma suposição e que não há evidências conclusivas de que ela está grávida.”
“Há,” Jael sussurrou.
“Droga!” Louis praguejou e levantou-se de um salto.
“Esse não deveria ser sua resposta.”
“É por isso que eu não suporto você. Eu entendo que você está feliz, mas processe o que acabou de dizer,” Louis disse, batendo a mão na mesa.
“Malva está grávida,” ele repetiu.
“Um humano está grávido de um bebê de vampiro! Merda!” Louis girou em volta. “Isso é ainda pior do que imaginei.”
“Tecnicamente, o bebê seria uma mistura de ambos.”
“Que diferença isso faz?” Louis perguntou. “Você acha que é o primeiro vampiro a estar com um humano? Há uma razão para não termos meio-vampiros andando por aí. Droga! Ela não conseguiria levar a gravidez até o fim. Inferno! O último parto que presenciamos foi com os gêmeos, e a mãe deles morreu. Vampiros não dão à luz com facilidade.”
“Não diga coisas terríveis assim. Você sabe que houve complicações no parto. Isso não vai acontecer com Malva,” Jael disse.
“Sério? Você não parece tão certo disso. Vamos supor que eu esteja exagerando na situação. Você acha que agora é o melhor momento para ela ficar grávida? Menos de uma semana atrás, você quase drenou todo o sangue dela. Antes disso, ela estava de cama doente, e nós meio que pensamos que ela não ia sobreviver. Ela ainda tem marcas da doença, e agora ela não está acordando. Simplesmente perfeito.”
Jael colocou os cotovelos na mesa enquanto as palavras de Louis ecoavam em sua mente. Ele não havia pensado nisso. Nunca havia sequer considerado a possibilidade de eles terem um filho juntos, e, quando aconteceu, ele foi tomado pela alegria e não conseguiu enxergar os contratempos. Ele sabia que Louis estava certo. Malva não estava em condições de estar grávida, muito menos de um bebê de vampiro. Ele não sabia o que fazer, mas sabia que não poderia perdê-la de jeito nenhum. Ele não suportaria isso.
Louis respirou fundo e tirou as mãos da mesa. “Ela talvez não esteja grávida; pode ser outra coisa. Eu não quis trazer notícias tão terríveis. Só queria que você entendesse a gravidade da situação. Gravidez agora seria muito perigosa para ela. Ainda acho que é impossível.”
“Me deixe sozinho, Louis,” Jael levantou a cabeça da mesa. “A menos que você tenha alguma forma de acordá-la, eu não quero ouvir nada. Gostaria de ficar sozinho pelo resto do dia. Se algo importante precisar da minha atenção, você lida com isso.”
“Como desejar, eu vou…” Louis pausou e se moveu para o lado, dando passagem para Jael.
Jael levantou-se lentamente e saiu do estudo antes que Louis pudesse completar sua frase. Louis ficou parado ali, observando Jael sair. Ele abriu a porta sem realmente processar essa ação e seguiu pelo caminho.