A Posse do Rei Vampiro - Capítulo 639
Capítulo 639: 639. Bife Grelhado
Malva abriu os olhos e percebeu que estava enrolada em um cobertor imóvel. Felizmente, havia espaço suficiente para respirar. Ela tentou se soltar, mas Jael a segurava firmemente.
“Ainda não,” ele murmurou e apertou os braços ao redor dela um pouco mais.
“Jael,” ela riu. “Nós vamos perder a primeira refeição desse jeito.”
“Não, não vamos, já que a teremos bem aqui.”
Malva inclinou a cabeça para trás para olhar para ele. Não que isso fizesse muita diferença; ela ainda não conseguia ver o rosto dele. “Não, não vamos,” ela murmurou.
“Nós dois precisamos descansar. Eu prefiro passar esse tempo com você,” ele disse.
Malva franziu o rosto enquanto tentava encontrar uma razão boa o suficiente para justificar por que isso não era uma boa ideia, mas ela sabia que Jael iria rebater tudo. Ela não se sentia tão cansada quanto antes de dormir, e agora que sabia que ele estava bem, não podia estar mais feliz.
Malva virou a cabeça em direção à porta quando uma batida ecoou no quarto, e então as portas se abriram de repente. Mill entrou segurando uma lamparina. Ela entrou e fechou a porta atrás de si. Aproximou-se com a luz à frente e quase a derrubou no chão quando percebeu que Malva não estava sozinha na cama.
“Senhor!” Ela gritou. “Eu não sabia que o senhor estava aqui. Oh, graças a Deus. Estou tão aliviada que está bem.”
“Está tudo bem, Mill,” ele sussurrou, ainda segurando Malva. “Vamos passar a maior parte do dia aqui.”
“Claro.” Mill fez uma reverência. “Há algo que deseja que eu faça?” Ela perguntou.
“Apenas nossa primeira refeição.”
“Sim, Senhor,” ela disse, levantando a cabeça lentamente. “Como você está se sentindo, Malva? Ainda tonta?” Ela perguntou.
Malva balançou a cabeça. “Só estou com um pouco de fome.”
“Vou garantir que traga comida em quantidade suficiente. Jean disse que gostaria de lhe ver assim que estivesse acordada. Se agora não for um momento ruim, eu o chamarei. Se for, pedirei para ele vir mais tarde.”
“Não é!” Malva disse e tentou se soltar do abraço de Jael enquanto mantinha o olhar em Mill, o que era um pouco difícil devido ao quão forte Jael a segurava. “Você pode chamá-lo para vir.”
“Daqui a alguns minutos,” Jael interveio.
“Não, ele pode vir agora.” Malva virou a cabeça e lançou um olhar para Jael, mas seu olhar suavizou imediatamente.
O rosto dele estava vermelho e queimado. Ela podia ver que as queimaduras estavam cicatrizando, mas só podia imaginar o quanto aquilo devia estar doendo. Seus cabelos cobriam parte do rosto, escondendo um pouco, mas não o suficiente para ocultar as queimaduras.
“Não me olhe assim,” ele disse e a soltou antes de rolar de costas e virar a cabeça para longe dela, como se estivesse tentando esconder o rosto.
“Vou deixar isso aqui,” Mill colocou a lamparina no lugar e saiu do quarto lentamente.
“Jael,” Malva chamou enquanto se aproximava dele.
Ele ainda mantinha o rosto afastado dela. Ela tinha certeza de que o rosto dele não era a única parte do corpo com queimaduras, mas não conseguia ver nenhuma em sua palma. Talvez nas costas. Ela se lembrou de que Louis tinha queimaduras mais visíveis, e elas pareciam igualmente dolorosas.
“Deve estar doendo,” ela disse, descansando a cabeça no peito dele.
“Não é tão ruim. É mais incômodo do que doloroso.”
“Bom, já está cicatrizando. Quando eu o vi pela primeira vez, você tinha bolhas por todo lado. Não está tão ruim agora,” ela disse, tentando animá-lo. Quem diria que ele se importava com a aparência? Ela estava apenas feliz por ele estar bem. Não importava se o rosto dele estava nesse estado. Ela sabia que preferiria isso a tê-lo perdido.
“Além disso,” ela acrescentou quando ele não disse nada. “Vampiros se curam em menos de duas semanas. Até lá, mal haverá vestígios disso—”
Malva deu um pulo quando sua porta foi escancarada e Louis entrou. Jael imediatamente se sentou, cuidando para levantar a cabeça dela com seu movimento.
“Você não aprendeu a não entrar nos quartos das pessoas assim?” Jael disse.
“É esse o agradecimento por salvar sua pele?” Ele retrucou. “Além disso, este é o quarto da Malva. Você pode imaginar meu horror ao descobrir que você não estava no seu. Você não deveria estar se movimentando.”
“Louis,” Malva chamou. “Você dormiu bem?” Ela perguntou.
Ele virou o olhar para ela, e seu rosto suavizou. Seu rosto não estava tão queimado quanto o de Jael, mas seus braços sim. Um parecia estar em uma condição mais grave do que o outro, mas não tão ruim que ela temesse por ele.
“Difícil fazer isso quando se está todo queimado. Mas isso não importa, como você está?”
“Estou bem,” ela sorriu.
“Sente-se estranha?” Ele perguntou ao parar em frente à cama. “Tonta ou com outros sintomas que possa ter por quase ser totalmente drenada?”
Malva não deixou de perceber como Jael ficou tenso atrás dela. “Não diga isso, Louis. Estou realmente bem. Nem deveria estar na cama, mas vou descansar só para garantir.”
“Você mal se recuperou da última doença. Não deveria passar por isso.” Malva percebeu o olhar de Louis na direção de Jael.
“Tome cuidado. Se achar que algo está errado, não deixe de mencionar. E, Senhor,” ele arrastou o título com ironia. “Tente não fazer nada imprudente. Cuidarei da patrulha e de qualquer outra coisa. Descanse o quanto for necessário.” Sua voz não parecia tão dura como antes.
“Você não manda em mim. Eu sei exatamente o que preciso fazer.”
“Ótimo,” Louis disse, recuando um passo. “Erros como este custam caro. Felizmente, desta vez não custaram muito, exceto você parecendo um bife que ficou tempo demais na grelha.”