A Pequena Escrava do Alfa - Capítulo 59
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59: Lado Suave II 59: Lado Suave II [Terceira Pessoa]
Dessa vez, foi a vez do Blaise ficar em silêncio. Seus lábios estavam fechados, apertados com força enquanto esperava que seu irmão falasse.
“Não sei porque a Harper consegue ativá-la, mas se ela consegue, então nunca lhe será permitido deixar os Dentesnascidos enquanto estivermos aqui,” disse Damon. “Já que a Deusa da Lua a emparelhou conosco, deve ser por um bom motivo. Isso muito bem pode ser o motivo.”
“Harper não é apenas um meio para você atingir seu objetivo,” rosnou Blaise. “Ela é nossa companheira.”
“E eu tenho toda a intenção de tratá-la como tal, desde que ela lembre o seu lugar,” Damon retrucou. “Se ela é sua parceira destinada, então ela é um membro dos Dentesnascidos. Isso me faz o alfa dela. A desobediência dela também é um ato de traição.”
“E você tirará a vida dela por isso?” perguntou Blaise de forma cortante.
“O pai faria.”
“O pai não é o alfa dos Dentesnascidos.” Blaise franziu a testa. “Você é. A menos que… você esteja me dizendo que pretende seguir os passos dele?”
Damon franziu o cenho. “Claro que não,” ele disse. “É por isso que estou te dizendo para ir para as fronteiras o mais rápido possível. Diferente daquele homem inútil e desculpa pobre de um homem, eu sei quando e como proteger minha matilha de perigos desnecessários.”
Ele deu um passo em direção ao Blaise, mas o último recusou-se a se mover de onde estava. Em vez disso, Blaise devolveu o olhar frio de Damon, com expressões idênticas e rostos iguais, se não fosse pela cor desigual de seus olhos.
Era como se Damon estivesse olhando diretamente para um espelho — no entanto, ele não conseguia mais reconhecer o seu reflexo.
“Desde os tempos antigos, os lobisomens sempre lutaram para manter um equilíbrio entre suas companheiras e suas posições na matilha,” Damon disse lentamente, mantendo a voz suave o suficiente para que Nicole — ocupada como estava — não pudesse ouvir. “Como o beta dos Dentesnascidos, você sabe que sua posição é além de lobos comuns. Você tem uma responsabilidade com a matilha.”
“Laço antes do próprio eu, Damon,” disse Blaise. “Nossa companheira vem acima de todos e tudo mais.”
“Não nos Dentesnascidos,” Damon respondeu. “Encontre seu equilíbrio antes que eu faça isso por você.”
Blaise rosnou, mas isso foi tudo o que ele pôde fazer. Ele passou pelo irmão, lançando um olhar feroz e fazendo questão de esbarrar no ombro de seu gêmeo enquanto passava por ele.
Damon só podia observar Blaise deixar as terras da Casa Sirius com nada mais que uma pequena mochila. Quando ele alcançou os portões externos da mansão, ele olhou para trás e olhou para a janela atrás da qual Damon estava. Blaise manteve seu olhar sem palavras por alguns segundos, com lábios apertados e sem emoção, antes de finalmente se virar.
Como toda transformação, houve um estalo alto e alguns grunhidos guturais, antes de Blaise se transformar completamente em seu lobo. Ele pegou a mochila de roupas e outros pertences entre os dentes. Sem olhar para trás uma segunda vez, ele disparou, indo direto para as fronteiras conforme instruído por seu alfa.
Os olhos de Damon seguiram Blaise até que sua figura se tornasse nada mais do que um ponto no horizonte. Mesmo depois de ter partido há muito tempo, Damon permaneceu parado, olhando para o mesmo ponto onde viu seu irmão pela última vez. Só depois de um tempo ele finalmente desviou o olhar.
Seus pés o levaram de volta pelos corredores familiares em direção à enfermaria. Parecia haver muita hesitação em Damon, esses dias. Desde que Harper chegou aos Dentesnascidos, sua vida inteira parecia ter virado de cabeça para baixo.
Era um evento tumultuado após o outro, e Damon lutava para encontrar o mesmo equilíbrio que havia pregado a Blaise apenas momentos antes. Ele sempre entendeu seu lugar como o alfa. Isso significava que quem quer que fosse sua parceira destinada, ou quem quer que ele escolhesse aceitar plenamente como sua única companheira verdadeira, se tornaria a luna da matilha. Esse era um cargo que exigia que sua parceira fosse forte.
Harper estava longe disso.
Ela era fraca, frágil e delicada. Assim como ela parecia agora na cama da enfermaria. Seu rosto estava pálido como cinza, seus lábios desprovidos de qualquer cor, e suas pálpebras firmemente fechadas.
Se algo, Harper estava o mais distante possível de como Damon imaginava que sua luna seria. No entanto, ele não conseguia encontrar forças para deixá-la ir. Ele precisava de alguém mais forte para liderar a matilha com ele, mas a Deusa da Lua achou que seria engraçado emparelhar ele com uma mulher que não tinha lobo e nem força.
No entanto, ela era como uma droga da qual Damon achava impossível curar seu vício. Apenas um gosto dela, e ele já estava jogado nas profundezas. Ele não achava que seria possível sair de lá nunca mais. A enxurrada de emoções que o havia sobrecarregado quando ele a marcou pela primeira vez, então para a vez em que eles fizeram sexo pela primeira vez — não, fizeram amor pela primeira vez.
Essas eram coisas que estavam começando a enlouquecer ele.
Nem mencionar a maneira com que Damon sentia a própria força e poder aumentarem após o tempo passado juntos. Isso diminuía e apagava depois que algum tempo passava sem passar uma noite de paixão com Harper, e ele logo fez a conexão.
Ele nunca havia ouvido falar de parceiros aumentando as habilidades um do outro. Porém, vendo o súbito crescimento dela em força e agilidade, aliado ao dele, Damon tinha certeza — a Deusa da Lua os juntou para algo mais do que uma brincadeira afinal.
Agora, era mais do que uma vontade infantil e imatura que fazia Damon querer amarrá-la ao seu lado. Ele também estava curioso para saber até onde ele poderia impulsionar esse aumento. Se não houvesse limites, ele seria capaz de atingir seu objetivo ainda mais rápido do que planejado.
Nicole estava limpando seu equipamento médico quando Damon entrou, e ela deu um pequeno pulo na pele.
“Alfa!” ela soltou, com a voz uma oitava mais alta que o normal por causa da surpresa. “Uma surpresa vê-lo aqui. Veio visitar a Harper?”
A boca de Damon estava seca. Ele engoliu algumas vezes, incerto de onde veio a súbita nervosidade.
“Sim,” ele disse. “Eu gostaria de ter um tempo com ela. A sós.”