A Pequena Escrava do Alfa - Capítulo 109
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109: Meu Companheiro Eu 109: Meu Companheiro Eu Olhei incerta para a porta; eu não conseguia dizer se havia alguém do lado de fora de guarda — eu duvidava, mas não descartaria essa possibilidade vindo do alfa dos Garra de Ferro. Ele parecia estar excessivamente cauteloso, já que até uma mulherzinha indefesa como eu não era permitida participar das discussões.
Afinal, eu reconheci o olhar nos olhos dele — era justo como o do meu pai. Ele não queria arriscar nada; não havia como prever se a ‘fraca’ companheira do Damon poderia ser secretamente alguém forte o suficiente para virar o jogo se as coisas desandassem.
— Procurando, claro — respondeu Damon. — E você não tem que ficar aí parada. Não tem ninguém do lado de fora.
— Ah. — Eu me afastei, andando até a cama antes de me sentar na beirada. — Então, o que você está procurando?
— Dispositivos de espionagem — disse Damon, sem perder o ritmo. — Tenho certeza que você já viu como é o Alfa Natan. Não me surpreenderia se aquele filho da puta tivesse grampeado o quarto com câmeras e microfones por todo lado.
Eu fiz uma careta. — Bem, então você encontrou alguma coisa?
Justo quando eu perguntei, Damon tirou uma pequena câmera. Não era maior do que o tamanho de uma cabeça de alfinete, encaixada em um vaso de flores que estava colocado na mesa para decoração.
Meu sangue gelou.
Com a mesa colocada daquela forma, a flor estava diretamente virada para a cama. Tinha uma visão clara de quem quer que estivesse nela e poderia claramente gravar tudo o que acontecia no quarto. Eu olhei horrorizada para a pequena câmera, sua luz vermelha piscando indicando que ela ainda estava gravando.
— Não é uma transmissão ao vivo, né? — perguntei, com a voz tremendo.
Como resposta, Damon esmagou a câmera entre os dedos, deixando os destroços caírem no chão.
— É só uma gravação, não uma transmissão — disse Damon. — Agora, acabou. Você não tem nada com que se preocupar.
— Aquele pervertido — murmurei em voz baixa. — Ele com certeza nos deu um quarto porque ele entendeu errado e achou que você ia — Nossa. Então ele tinha planos de assistir depois.
— Por que você acha que os Garra de Ferro não têm uma luna? — perguntou Damon, fungando. — A esposa dele encontrou as câmeras gravando as várias mulheres da matilha. Aquele pervertido tinha uma coleção e tanto, e quando ela o confrontou, não só ele admitiu, como também se recusou a mudar seus costumes. Ela o deixou pouco tempo depois.
— Eu posso imaginar — resmunguei. Revirando os olhos, eu o encarei com um olhar feroz ao dizer, — Deve ser difícil saber que o companheiro dela não era leal.
Damon se levantou da posição agachada ao pé da cama. Ele tinha estado verificando por baixo e, com isso, ele já tinha vasculhado cada centímetro do quarto. A única câmera encontrada foi a que ele já havia destruído.
— Eu não fui íntimo de outra mulher pouco depois de conhecer você, Harper — disse Damon, solenemente.
Minha cabeça girou em sua direção, encarando-o de olhos arregalados, lábios entreabertos e queixo caído com sua súbita confissão.
— Você… O quê?
— Eu disse o que quis dizer — reiterou Damon. — Eu dispensei o harém de mulheres desde que você se juntou aos Dentesnascidos.
— E a Susie? — perguntei. — Ela ainda estava usando a coleira quando eu cheguei. Você até trocou a cor por uma diferente ao invés de tirar tudo diretamente —
— Ela insistia bastante em ficar na casa de matilha — explicou Damon. — Ela estava tranquila em servir os membros não-comprometidos da matilha, caso se interessassem. Em troca, ela ganha seu próprio quarto na casa de matilha, um lugar significativamente melhor do que a casa esfarrapada e rasgada que ela uma vez possuía.
— E… — hesitei, com o nome preso na garganta. — A Lydia?
— Você não pode estar seriamente ainda advogando por ela — disse Damon com uma carranca. Ele deu um riso fraco de descrença. — Aquela sua amiga estava mais do que ansiosa para te vender para conseguir um lugar na matilha. Ela estava mais do que disposta a trair seu próprio corpo quando soube que o Garra da Tempestade havia ido embora. Eu dei a ela a opção de se tornar uma pária. Ela não aceitou.
— Mas você dormiu com ela — eu disse de forma incisiva. — Se não, ela não teria tentado as chances com você e com o Blaise.
— Eu — Damon engoliu; eu podia ver seu pomo de Adão subindo e descendo enquanto ele fazia isso. Ele então olhou para o chão, envergonhado. — Foi um erro.
Eu sabia. Era algo que eu já tinha adivinhado. Ainda assim, ouvir isso de Damon novamente apenas pareceu como uma facada no meu coração.
Meus olhos se arregalaram quando eu percebi o sentimento que estava me dominando. Era ciúmes? Meu coração se apertou e meu peito ficou tão constrito que era difícil respirar. Uma onda feia de verde estava fervendo no meu estômago; sentia como se fosse me engolir por inteiro.
Por que eu estava com ciúmes? Eu já tinha o Blaise — eu estou feliz o suficiente só com ele. Não precisava de outro companheiro, seja destinado pela Deusa da Lua ou não.
Minha mão alcançou a marca que Damon deixou em mim. Enquanto havia uma cicatriz visível, eu não conseguia sentir nada irregular sob meus dedos quando os passei por cima. Se alguma coisa, era mais um ponto sensível no meu ombro do que na minha mão. Sentia como se houvesse uma corrente elétrica que percorresse por mim mesmo quando a marca era tocada levemente.
— Por que você está me dizendo isso? — perguntei. — Por que agora? Você teve sua chance de ser um bom companheiro desde o começo, uma chance que você estragou.
— Um homem não pode ter arrependimentos?
— Você não corrigiu o Alfa Natan quando ele perguntou sobre mim. Para você, eu sou apenas uma mulher com quem você pode brincar —
— Não, você não é.
O olhar nos olhos de Damon era firme, brilhante e cheio de resolução. Eles pareciam brilhar como safiras radiantes, mesmo na escuridão do quarto. Ele se moveu um pouco mais perto, segurando meu rosto com ternura em suas mãos.
— O Alfa Natan não é um homem simples — disse Damon, sua voz suave, mas cheia de advertência. — Ele gosta de tomar o que não lhe pertence e de encontrar as fraquezas tanto dos seus inimigos quanto dos seus aliados. Eu não posso deixar ele saber que você é minha companheira destinada para sua segurança.
Devagar, seus dedos se moveram da minha bochecha para debaixo do meu queixo, levantando-o para que eu pudesse encontrar seu olhar. Ele estava de pé enquanto eu estava sentada na cama; ele olhava para baixo sobre mim com uma intensidade que fez meu estômago virar e dançar.
— Eu nunca aceitei a sua rejeição — disse Damon. — Ainda somos destinados.
— E daí? — murmurei.
Seus olhos eram como poços profundos e escuros, globos que giravam com determinação.
— Me marque — ele disse. — Complete o laço.