A Pária Destinada do Alfa: Ascensão do Cantor da Lua - Capítulo 306
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Capítulo 306: Uma jogada perigosa…
Lyla
Meu coração batia forte contra minhas costelas enquanto eu estava ao lado de Ramsey na fronteira norte. Atrás de nós, uma dúzia de guerreiros de elite mantinham posições defensivas, prontos para atacar ao menor sinal. Os antigos Ferais, liderados por Kieran, espalharam-se pela floresta ao redor, criando um perímetro invisível que ninguém poderia atravessar sem ser detectado.
Nathan se aproximou lentamente; suas mãos levantadas para mostrar que não carregava armas. Ele parecia diferente da última vez que o vi – mais magro, com olheiras escuras sob os olhos. Sua expressão era fria e calculista enquanto caminhava em nossa direção com confiança.
— Isso é perto o suficiente — Ramsey chamou quando Nathan estava a cerca de seis metros de distância.
Ele parou diante de nós na fronteira, com uma postura relaxada, como se não estivesse enfrentando dezenas de guerreiros prontos para despedaçá-lo. O sorriso confiante em seu rosto fez meu sangue ferver. Este era o homem que havia matado os Alfas do Sul, que havia enviado Ferais para massacrar inocentes, que havia bombardeado meu carro.
Um sorriso estranho brincava em seus lábios. — Nenhuma recepção calorosa para um velho amigo, Ramsey?
— Deixamos de ser amigos quando você tentou matar minha parceira — Ramsey respondeu friamente.
O olhar de Nathan se voltou para mim. — Lyla — ele disse suavemente. — Você está com boa aparência. O ritual com os Ferais foi impressionante.
Eu me enrijeço. — Como você soube disso?
— Eu sei de tudo o que acontece nestas montanhas — ele disse com um gesto desdenhoso da mão.
— O que você quer, Nathan? — Eu perguntei diretamente. — Por que veio sozinho sob uma bandeira de trégua?
— Eu vim oferecer um acordo — ele respondeu. — Um que poupará seu povo de sofrimento desnecessário.
— Não fazemos acordos com assassinos — Ramsey rosnou.
— Não estou pedindo a sua aprovação — Nathan disse friamente. — Estou dizendo como as coisas vão ser.
— Qual é a sua oferta? — Perguntei, ignorando o olhar de aviso de Ramsey.
— Dê-me a Espada de Neriah — Nathan disse abruptamente. — Agora. Hoje. Em troca, eu deixarei a Montanha Branca em paz. Minhas forças se retirarão além das montanhas do sul. Você nunca mais nos verá.
— E se recusarmos? — Ramsey perguntou.
— Então eu queimarei tudo até o chão. Começando pelos civis que você escondeu nos abrigos do oeste. Então eu ganharei acesso ao Trono da Lua Branca e colocarei minha bunda nele.
O medo embaçou minha visão por um segundo. Os abrigos do oeste eram nosso local mais seguro, sua existência era conhecida apenas pela liderança da matilha. Isso tinha que ser obra de Gamma Darius.
Pelo canto do olho, vi Caio indicando a um dos guerreiros atrás de nós, e alguns minutos depois, ele chega com Gamma Darius. Eu assisti enquanto os olhos de Nathan se arregalavam de choque. Ele não esperava por isso.
— Eu não sei o que você fez com meu pai, você e seu Obscuro — Caio disse, arrastando seu pai pelo cabelo e vindo ficar no meio — Mas este não é meu pai. O que quer que seja isso, quem quer que seja esse monstro que foi criado não é ele. Portanto, isso é o nosso modo de dizer que seu passarinho foi capturado.
Nathan o encarou por alguns segundos com uma expressão entediada e depois deu de ombros. — Ele já era velho de qualquer maneira. Mas, de qualquer forma, você está lutando uma batalha perdida — ele disse, abrindo as mãos. — Se ao menos Ramsey tivesse admitido e reconhecido meu desejo de permanecer Líder Alfa, eu não teria deixado as coisas acontecerem desse jeito.
O maxilar de Ramsey se apertou ao meu lado. — Você disse o que tinha a dizer. Agora saia do nosso território.
— Estou te dando uma segunda chance — Nathan continuou, ignorando o desprezo de Ramsey. — Renda-se a mim. Dê-me a Espada de Neriah. Isso é tudo o que peço.
Eu avancei. — O que você quer com a Espada?
Nathan zombou, como se a resposta fosse óbvia. — O que mais? Matar o Obscuro.
— Pensei que vocês dois fossem amigos — Ramsey disse friamente.
— Não. — A expressão de Nathan endureceu. — Se o Obscuro pudesse alcançar sequer metade do que eu consegui, ele já o teria feito.
Eu estudei seu rosto, tentando determinar se ele estava mentindo. Nathan sempre foi ambicioso, mas isso parecia algo mais — uma vingança pessoal contra a própria entidade que todos acreditavam que ele servia.
— Isso é o que acontece quando você duvida do filho de um Beta — Nathan continuou, seus olhos brilhando com rancor de longa data. — Renda-se, conceda-me acesso ao poder do Trono da Lua Branca, e eu pouparei todos vocês.
Ele olhou diretamente para Ramsey. — Se um Beta pode se tornar Líder Alfa, então um Beta também pode sentar no Trono da Lua Branca.
A velha rivalidade — Ramsey, filho de um Lycan e o herdeiro legítimo do Trono da Lua Branca e Nathan, filho de um Beta, que só se tornou Alfa por acaso e não por direito de nascimento. Um foi criado para liderar sua matilha, o outro foi criado para governar nosso mundo. Nunca percebi até onde ia o ciúme de Nathan.
Ramsey caminhou lentamente para frente, parando a poucos centímetros de Nathan. Sua voz era tranquila, mas se destacava claramente no silêncio tenso.
— Você vai morrer, Nathan Tanner. Grave minhas palavras.
Com isso, ele se virou e começou a caminhar de volta em minha direção. O rosto de Nathan contorceu-se de raiva.
“Isso se você não morrer primeiro,” ele gritou atrás de Ramsey. Então ele riu, o som era tão feio “Na verdade, antes de você morrer, vou fazer você me ver reivindicando Lyla como minha. Então eu te mato.”
Ramsey parou no meio do passo. Por um momento, pensei que ele atacaria Nathan ali mesmo. Em vez disso, ele continuou a caminhar sem olhar para trás, seus ombros rígidos de fúria controlada.
“Você tem até o pôr do sol,” disse Nathan. “Depois disso, eu tomo o que quero à força.”
Ele se retirou para a floresta, deixando-nos com seu ultimato pairando no ar como veneno.
“Ele está louco,” Lenny murmurou assim que estávamos de volta à caverna.
“Não,” disse Ramsey. “Ele está desesperado. E homens desesperados são os mais perigosos.”
“O que ele quis dizer sobre matar o Obscuro?” Caio perguntou, parecendo confuso. “Achei que ele estava trabalhando com o Obscuro.”
“Ele está mentindo,” insistiu Lenny. “Tentando nos confundir.”
Eu não tinha tanta certeza. Algo nos olhos de Nathan parecia genuíno quando ele falou sobre o Obscuro—ódio, talvez até medo.
“Não importa,” disse Ramsey. “Não vamos dar a ele a Espada, e certamente não vamos ceder o Trono da Lua Branca.”
“Nem poderíamos dar a ele a espada se quiséssemos. A espada não vai magicamente para quem não tem habilidades de cantar à lua,” acrescentei.
“A coisa mais importante agora é nos prepararmos para o próximo ataque. Nathan conhece nossa base, ele pode aparecer a qualquer momento,” disse Lenny.
“Como ele sabia que estávamos aqui?”
“Acho que ele seguiu nossos cheiros ou meu pai,” disse Caio calmamente. “Enquanto isso, o que você acha que eu devo fazer com ele, Alfa?” Caio perguntou, apontando para seu pai.
“Vamos mantê-lo preso por enquanto,” sugeri. “Ele ainda pode ser valioso para nós.”
“Concordo,” Ramsey assentiu. “Lyla, você voltará para a Lua Branca conforme combinado. Lenny, você mobilizará nossas tropas e informará que estamos passando para o plano B.”
“E eu?” Caio perguntou.
“Monitore os movimentos de Nathan,” ordenou Ramsey. “Leve alguns dos antigos Ferais. Eles podem se misturar com suas forças.”
Enquanto todos se dispersavam para suas tarefas, puxei Lenny de lado. “Ainda vou para o Lago Branco,” sussurrei.
“Depois do que Nathan acabou de dizer?” Lenny parecia horrorizado. “É muito perigoso.”
“Precisamos de aliados, e quero tentar convencer o Lago Branco a lutar conosco. Se não conseguirmos mais aliados, não conseguiremos enfrentar Nathan e suas tropas. Eu sei que é perigoso, mas vou com alguns dos Ferais e meus guerreiros de elite.”
Lenny suspirou. “Não vou conseguir te fazer mudar de ideia, não é?”
“Não,” admiti. “Mas eu preciso da sua ajuda. Crie uma distração para que eu possa escapar dos guardas me levando para a alcateia da Lua Branca sem que eles percebam.”
Depois de um momento de hesitação, ele assentiu. “Tome cuidado, Ramsey colocaria minha cabeça em uma estaca se algo acontecesse comigo.”
“Eu vou.”
Uma hora depois, o transporte que estava me movendo chegou e estava pronto. Kieran e três outros ex-Ferais esperavam perto da junção da estrada que levava tanto à Lua Branca quanto ao Lago Branco, prontos para me acompanhar até o Lago Branco.
Eu disse meus adeuses a Ramsey, que ficou ali, insistindo que estaria lá para nos ver partir. Depois que nos afastamos do acampamento e começamos a dirigir, estávamos quase perto da junção onde Kieran estava me esperando,
bati desesperadamente no teto do carro, fazendo barulhos altos de vômito. O guerreiro que dirigia imediatamente saiu da estrada e correu até mim. Nesse instante, peguei-o desprevenido, acertando-o na canela antes de nocauteá-lo com um golpe.
Antes que o resto dos guerreiros pudesse agir, Kieran e os outros Ferais os nocautearam.
Depois de tirá-los da estrada e tentar seguir com o carro deles, ouvimos um farfalhar no mato, e quando olhei para cima, era Caio. Ele tinha um sorriso divertido no rosto.
“O que você está fazendo aqui?” perguntei, já procurando atrás dele para ver se Ramsey o seguiu.
“Não se preocupe, Ramsey estava certo de que você faria este truque e pediu para eu ir com você. Vamos,” ele disse, caminhando até o lado do motorista do carro. “Não temos o dia todo.”