A Obsessão da Coroa - Capítulo 760
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760: Algo para contar – Parte 3 760: Algo para contar – Parte 3 Recomendação Musical: Time Passing II – Mark Isham
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Após conversar com Ethan e passar um tempo ouvindo ele falar sobre a filha do Sr. Ferwell, Lucy não poderia estar mais feliz sabendo que ele não passaria mais a vida sozinho. Era bom vê-lo seguir em frente, e isso diminuía seu sentimento de culpa.
Em uma das noites no Castelo de Hawthrone, Lucy foi até a sala de estudos no andar superior, que antes era dela. Ela sentou lá por horas pensando sobre sua vida e as pessoas ao redor. Enquanto estava absorta em seus pensamentos, alguém bateu na porta aberta e, ao olhar para cima, ela viu sua tia parada na entrada.
Lucy se levantou da cadeira onde estava sentada, e Tia Monique acenou com a mão para que ela sentasse.
“O que você está fazendo, sentada aqui sozinha. Rememorando velhas memórias?” perguntou sua tia, entrando no cômodo e olhando para os livros que estavam alinhados em um lado da parede. Além dos livros, havia outras coisas aqui, como os instrumentos musicais. “Esqueci que você tocava violoncelo. Você tocou depois que se casou com aquele homem inútil?”
Diferentemente de suas outras tias, que eram elegantes e comedidas nas palavras, Lucy tinha notado como Tia Monique gostava de entregar algumas de suas palavras sem nenhum filtro. Era uma das muitas razões pela qual sua mãe Samara não gostava que Lucy ficasse na companhia de sua tia.
“Samuel não gostava de violoncelo. Ele não gostava de música e de sons altos,” respondeu Lucy, e sua tia clicou a língua em desgosto.
“Se eu soubesse disso antes, teria dito que ele era um homem horrível. Que tipo de pessoa não gosta de música?” comentou Tia Monique, fazendo uma volta no cômodo antes de abrir a tampa das teclas do piano. Ela se sentou no banco, estalando os dedos.
“Você sabe tocar piano, Tia Monique?” perguntou Lucy, surpresa em seu tom.
“Sei, mas não tenho certeza se me lembro de todas as teclas. Vamos ver,” e o vampiro mais velho começou a tocar as teclas muito melhor do que sua governanta costumava tocar no passado. Lucy se sentou no lugar, colocando o queixo na mesa enquanto ouvia a música preencher o cômodo. “Você sabe por que eu não casei com um homem?” perguntou sua tia.
“Nunca descobri,” respondeu Lucy.
“É porque meu próprio pai era inútil e também meu meio-irmão. Cheguei a acreditar que não valia a pena compartilhar minha vida com ninguém e queria viver sozinha,” disse Tia Monique enquanto continuava a tocar as teclas sem parar nem por um momento. “Mas então conheci um humano. Ele não era muito de se olhar, mas era uma boa pessoa. Mais jovem do que eu. Infelizmente, não pude passar muito tempo com ele, pois ele foi morto por um lobisomem nas fronteiras.”
Lucy levantou a cabeça e disse, “Sinto muito por ouvir isso. Você gostava dele?”
“Seria difícil dizer por causa do pouco tempo que passamos juntos. Às vezes,” disse Monique, seus dedos deslizando suavemente pelas teclas pretas e brancas, “eu me pergunto se a vida seria diferente ou se ele teria sido morto pela então Rainha. Não é sempre que todos encontram a pessoa que sentem um desejo de conhecer e passar o tempo. Alguns de nós perdemos isso, alguns persistem.”
Ouvindo essas palavras de sua tia, Lucy olhou para suas mãos, pensativa.
“Você nunca conheceu mais ninguém com quem quisesse passar tempo?” perguntou Lucy.
“Conheci. Meu cachorro Brutus,” Monique riu, e Lucy sorriu com a resposta de sua tia. “Pessoas com quem você se conecta não aparecem frequentemente. É por isso que, quando aparecem, você aproveita o momento.”
Sua tia parou de tocar o piano e então virou-se para olhar para Lucy, encontrando seu olhar. “Venha aqui, deixe-me ensinar a música que eu aprendi primeiro no piano.” Monique se moveu para o lado, dando espaço para Lucy sentar.
Lucy caminhou até o banco antes de tomar seu assento ao lado de Tia Monique.
Era fascinante ver como sua tia usava apenas uma mão para tocar o piano.
Os sentimentos e pensamentos de Lucy estavam mais organizados agora, comparados aos últimos dias, como se ela estivesse mais tranquila. Ela finalmente podia ver as coisas mais claramente, coisas que não havia notado antes. Ela sabia que sua tia não queria que ela se arrependesse de nada, e ela estava grata por isso, por ser compreensiva.
Do modo como Ethan havia falado com ela, ela sentiu que era hora de falar com Teodoro.
“Irei à cidade amanhã. O magistrado adoeceu e preciso ir buscar alguns documentos assinados, pois estarei renunciando à corte real,” declarou Tia Monique, mostrando a Lucy onde mover as teclas enquanto movia lentamente seus dedos. “Você gostaria de vir? Eu poderia usar uma companhia.”
Lucy balançou a cabeça, “Eu adoraria acompanhá-la.” Não era como se ela tivesse algo mais para fazer no castelo. Ethan estava visitando a Srta. Ferwell, e o irmão Calhoun estava ocupando Madeline. Nesse ritmo, Lucy estava certa de que logo receberiam mais uma boa notícia do casal, pensou Lucy enquanto sorria para si mesma. Isso deixou Teodoro com mais responsabilidades na sala do tribunal real.
“Aqui, você aperta ambos juntos,” ensinou Tia Monique, e Lucy pressionou seus dedos ao mesmo tempo nas teclas pretas e brancas.
Depois de passar tempo suficiente com sua tia, Lucy começou a voltar para seu quarto. Mas antes de chegar ao seu quarto, ela virou e caminhou em outra direção. Ela finalmente parou em frente ao quarto de Teodoro.
Ela limpou a garganta antes de levantar a mão e bater na porta enquanto pacientemente esperava que fosse aberta.
Quando Teodoro finalmente abriu a porta, Lucy notou que ele ainda não havia trocado de roupa, mesmo que não estivesse mais trabalhando. Mas ele não estava usando seus óculos.
Lucy perguntou, “Você ainda está planejando ir à feira da aldeia?”