A Noiva Predestinada do Dragão - Capítulo 173
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173: UM ANJO CHORA E O DIABO MORRE – PARTE 15 173: UM ANJO CHORA E O DIABO MORRE – PARTE 15 Parada na porta do quarto, olhando para o corpo sem vida de Allison, o sangue de Hildie gelou. A maneira como Aaron a olhava e o fato dele falar tão casualmente sobre enterrar sua irmã antes que seu corpo esfriasse a fez estremecer. Algo parecia incrivelmente estranho sobre toda a situação.
O som do granizo impulsionado pelo vento batendo na janela não ajudava seu humor, pois significava que o tempo severo estava se aproximando. Seria um dia miserável para enterrar alguém. Ela ouviu Edgar atrás dela, e o tilintar de cacos de porcelana quebrados enquanto ele os varria para a pá. Isso a trouxe de volta de seus pensamentos introspectivos.
Aaron se levantou da cama e estreitou seu olhar em Hildie. Ele deu a ela um sorriso insidioso. “Por que você está aí parada? Não lhe dei uma ordem para preparar meu banho?”
“S-sim, Senh… Eu q-q-quero dizer, Barão.” As palavras de Hildie saíram trêmulas. Ela estava tremendo muito.
O olhar penetrante de Aaron vasculhava cada centímetro de seu corpo trêmulo, seus olhos como um predador faminto buscando sua presa. Havia uma energia nervosa, enquanto ele se deleitava com a visão do medo dela. O cheiro de seu desconforto enchia suas narinas, intoxicando-o com uma satisfação distorcida. O poder que ele exercia com apenas um único olhar era um lembrete capacitador de sua dominação. Isso o fazia se sentir invencível.
Hildie estremeceu ao ver a intensidade em seus olhos. Era da mesma maneira que ele olhava para Faye logo antes de fazer coisas terríveis com ela, e a criada não queria fazer parte daquilo.
Enquanto Aaron passava pela criada e por Edgar, que ainda limpavam o chão. Ele girou sobre o calcanhar. Dirigindo-se a ambos.
“Estarei no antigo quarto de Faye. Me avise quando meu banho estiver pronto. E Edgar, deixe isso e vá procurar o agente funerário — apresse-se. Quero acabar logo com isso.”
Ambos observaram enquanto Aaron subia os degraus para o segundo andar da mansão. Os criados podiam ouvir cada passo dele no assoalho acima enquanto ele caminhava para o quarto que um dia pertenceu à sua irmã adotiva. Eles ouviram ele destrancar o quarto e então, um momento depois, o baque suave da porta ao fechá-la.
Hildie lançou um olhar para Edgar, seus olhos cheios de apreensão. “Não gosto daquele quarto,” ela sussurrou. “Não quero chegar perto dele, e o jeito como ele me olha…me faz sentir um nó no estômago.”
Edgar lhe deu um leve aceno de cabeça em concordância. Ele disse, “É melhor eu ir, senhorita.”
“Sim, você deve. Ele já está irritado e não seria bom para nenhum de nós se ele terminasse o banho e o agente funerário não estivesse aqui.”
O mordomo inclinou a cabeça e deu a Hildie um olhar intrigado. “Como vou pagar o agente funerário? Você sabe que ele não virá sem dinheiro.” Ele acrescentou, “Realmente não quero perguntar ao jovem… Barão. Ele vai gritar comigo e me mandar resolver. Honestamente, Senhorita Hildie, eu….”
Um suspiro resignado escapou dos lábios da jovem criada. Ela sabia como o homem era covarde.
“Está bem, Edgar. Eu vou pedir por você. Me faça um favor…”
Um apito agudo soou acima de suas cabeças, interrompendo a conversa, fazendo os dois criados saltarem. Eles olhavam para o balcão do segundo andar, onde Aaron estava, observando-os.
“Pegue—Edgar!” exclamou Aaron, sua voz cheia de surpresa e um sorriso maroto no rosto.
Com um gesto de sua mão, ele jogou um punhado de moedas de ouro para o chão abaixo. As moedas se espalharam em todas as direções, rolando aos pés dos criados.
“São vinte moedas de ouro para você negociar,” ele comentou. “Certifique-se de que o agente funerário chegue antes que eu termine meu banho.”
Hildie ajudou Edgar apressadamente a coletar o dinheiro espalhado pelos assoalhos frios e rangentes, enquanto Aaron rapidamente voltava e desaparecia no quarto mais uma vez. Ela cuidadosamente enrolou as moedas brilhantes em um lenço com estampa floral, garantindo que não se soltassem.
Enquanto ela estendia a mão, os dedos finos e ressequidos do mordomo, secos e envelhecidos, alcançavam para receber o dinheiro. A fragilidade de sua figura sempre a fazia lembrar de um espantalho, e ela não pôde deixar de notar como ele sempre tremia. Isso a fazia sentir pena do velho homem.
“Você deveria ir agora, Edgar, eu posso tomar conta daqui.”
O mordomo lançou-lhe um olhar preocupado. Ele expressou, “Me preocupo em deixá-la sozinha com ele.”
“Eu também me preocupo, Edgar.” Hildie transmitiu suas próprias preocupações. “No entanto, não temos escolha e não seria conveniente irritá-lo em seu humor atual. Ele é imprevisível, e é melhor manter o curso e tentar aplacá-lo.”
Depois que Edgar saiu, Hildie foi ao quarto de Allison cobrir seu corpo com um lençol, como era respeitoso fazer pelos mortos. Enquanto ela arrumava o quarto, Hildie viu um travesseiro no chão. Ela o pegou e notou que estava coberto de ranho e sangue. Mas, ao observar mais de perto, ela estremeceu ao encontrar a marca do rosto de Allison.
Seu corpo endureceu quando o sangue desceu até seus pés, e ela percebeu que estava certa o tempo todo. Havia algo estranho sobre Aaron e sua reação à morte de sua irmã mais cedo. Ele não estava triste ou perturbado com a morte dela, já que ele mesmo a havia provocado.
Aaron tinha sufocado sua gêmea.
——
Tinha ficado tão frio lá fora que era difícil aquecer a mansão. Hildie usou o último do carvão e o colocou na caldeira. Ela esperava que o mau tempo e a propagação de notícias sobre a praga não atrasassem a próxima entrega de carvão.
Hildie havia despejado a última água quente das chaleiras na banheira. O vapor do banho era reconfortante, e ela quase desejava poder se afundar nele para relaxar a tensão que estava sentindo.
A cada momento que passava, a decisão que ela havia tomado após o funeral se fortalecia – ela se despediria de Wintershold, deixando-o para sempre.