A Noiva Predestinada do Dragão - Capítulo 112
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112: O CÉU SEM ESTRELAS – PARTE 6 112: O CÉU SEM ESTRELAS – PARTE 6 Faye ouviu o menino sussurrar fracamente enquanto ela se aproximava, viu Andre carregando a pequena e trêmula figura de Tobias em seus braços. O cheiro de suor e cavalos preenchia o ar enquanto a armadura do cavaleiro tilintava a cada passo.
Tobias, sua pequena figura, soltou um pedido trêmulo, “Por favor, vossa Graça, ajude-me.” Sua voz era mal audível e estava quebrada pelo medo.
Faye correu pelo castelo, seguindo de perto atrás de Andre e Tobias em direção ao anexo do cavaleiro. Era onde os aposentos do paladino estavam localizados. Ela ajudou a abrir a porta para Andre, e ele deitou o pequeno menino em sua cama.
Faye começou sua avaliação, “Tobias, onde você foi mordido?” Ela perguntou.
“Na minha perna.” Ele esticou o braço em direção à parte inferior de sua perna e o dedo, apontando para o seu tornozelo esquerdo. Faye puxou a bainha de suas calças, fazendo a criança gritar de agonia.
“AHHHHHH!!!! Ele implorou, “POR FAVOR, NÃO TOQUE!”
A perna do menino estava grotescamente inchada, a pele esticada apertada e brilhante, virando um tom profundo de vermelho que beirava o roxo. O coração de Faye se torceu no peito enquanto Tobias subitamente ficou rígido, seu corpo convulsionando violentamente.
Ela podia ouvir o som assustador de seus dentes batendo um contra o outro e o gorgolejar molhado da espuma borbulhando de sua boca. Vê-lo dessa forma fez seu estômago revirar. Ela esticou a mão para tocar Tobias, mas recuou com o calor irradiando de sua pele, que parecia estar em chamas.
“O-Que está acontecendo com ele?” Ela lançou um olhar confuso para Andre.
A expressão do cavaleiro era sombria enquanto ele observava o menino convulsionar. “O menino está morrendo, vossa Graça.” ele declarou secamente.
A visão de Tobias, desamparado e vulnerável, puxou as cordas do seu coração, e ela sabia que tinha que agir rapidamente.
Ela girou ao som de vozes sussurrando atrás dela. Eram os criados e outros cavaleiros reunidos para ver quem gritava no anexo.
Faye estava frustrada. Ela não sabia como seus poderes funcionavam nem como invocá-los. Ela agarrou seu vestido, enfurecida com a situação. Ali estava ela, com esse enorme poder e sem maneira de utilizá-lo.
A mente de Faye estava correndo freneticamente enquanto ela olhava para a multidão que se reunia ao redor dela e do menino. Seus olhos estavam cheios de preocupação, e ela podia ouvir a respiração trabalhosa dos meninos, assim como os murmúrios nervosos das pessoas ao seu redor — seus sussurros questionadores, perguntando por que ela não estava usando sua habilidade de cura no menino.
Faye permaneceu imóvel, sentindo a magnitude dos olhares expectantes fixados nela. Ela olhou nos olhos ansiosos deles. Faye simultaneamente ansiava pela presença reconfortante e pela orientação de Sterling. Ela estava perdida sobre o que fazer a seguir. Seus nervos estavam desgastados e a apreensão a consumia.
Com uma voz trêmula, ela reuniu sua coragem e falou, o som de suas próprias palavras ecoando em seus ouvidos. Seus olhares a pressionavam, fazendo-a sentir como se estivesse sufocando. “Eu-Eu vou tentar ajudá-lo,” ela conseguiu dizer.
Faye fechou os olhos e segurou a mão sobre a perna de Tobias. Ela rezou silenciosamente para Iahn na esperança de que seu poder surgisse, mas, pelo contrário — nada aconteceu.
Faye olhou repetidamente por cima do ombro em direção à porta, seus olhos passando de um lado para o outro em antecipação. O ar ao seu redor parecia pesado com ansiedade. Ela esperava que Sterling aparecesse a qualquer momento com os magos ou o clérigo, que talvez pudessem mostrar-lhe como usar suas habilidades recém-descobertas.
Uma voz zangada a trouxe de volta aos seus pensamentos, “O que você está esperando? O menino vai morrer se você não começar a curá-lo.”
Outra voz acrescentou. “Ela é uma farsante. Ela enganou o Duque e o povo de Everton.”
A multidão no anexo logo se tornou agitada. Faye olhou para encontrar Andre olhando-a com desprezo também. As vozes na sala cresceram mais altas, suas palavras cortantes e violentas.
Ao voltar o olhar para o menino deitado na cama, uma onda de pavor a invadiu. O tom rosado de sua pele havia sido substituído por um profundo azul, e seu peito não se movia mais ao respirar.
O barulho dos gritos na sala era ensurdecedor, interrompido apenas pelo som de seu próprio coração acelerado.
Ela estendeu uma mão trêmula para tocar o corpo inerte do menino, mas recuou com o frio que a saudou.
Tobias estava morto.
Andre, que estava ao seu lado há apenas alguns momentos, havia desaparecido na multidão, abandonando-a para enfrentar as consequências de sua fúria sozinha.
Lágrimas escorreram de seus olhos. “Eu-Eu sinto muito!”, ela disse, enquanto olhava para a ira nos olhos dos criados e cavaleiros que se fechavam ao seu redor.
A multidão enfurecida começou a gritar e a lançar insultos contra ela, culpando-a pela morte do menino. Um dos cavaleiros na multidão balançou sua mão enguantada contra ela, atingindo-a com força na lateral da cabeça.
Ela sentiu uma dor aguda e depois uma sensação morna enquanto seu sangue escorria pelo lado do rosto. A cacofonia de vozes zangadas e armaduras retinindo encheu seus ouvidos. Ela instintivamente levantou os braços para se proteger dos golpes que choviam sobre ela, sentindo seu corpo tremer a cada impacto.
——
O som dos soluços de Faye e a visão de seu corpo se contorcendo na cama despertaram Sterling. Ele esfregou os olhos com o dorso das mãos, tentando dissipar a névoa do sono de sua mente. Enquanto se sentava, o cheiro de linho fresco enchia suas narinas e a sensação dos lençóis frios e macios contra sua pele o lembrava do sono tranquilo que estava desfrutando.
Ele se virou para examinar Faye, sua testa franzida enquanto ela estava enrolada em uma bola, como se estivesse se protegendo de algo. Ele não pôde deixar de se perguntar se ela estava tendo outro pesadelo de estar de volta a Wintershold.
Conforme ela lentamente levantava o rosto, ele notou a expressão de dor gravada em suas feições adormecidas. Ele podia ouvir o som fraco de seus soluços e o suave farfalhar dos lençóis. Lágrimas escorriam pelos cantos de seus olhos fechados, deixando um caminho brilhante em suas bochechas e molhando o travesseiro sob ela.
O coração do Duque doeu ao estender a mão para enxugar as lágrimas de Faye. Mas de repente, num piscar de olhos, ele se encontrou dentro do anexo do cavaleiro da fortaleza.
Ele foi recebido por uma série de sons ásperos – o barulho de dezenas de pessoas gritando, batendo e chutando algo no chão. Havia um cheiro de sal e ferro de alguém sangrando que pairava pesado no ar. Conforme seus olhos se acostumavam à visão diante dele, ele viu Faye enrolada em uma bola no frio chão de pedra cinza; seu rosto coberto de cortes, hematomas e sangue, contorcido em dor.
A visão dela daquela maneira era horrível, e o Duque congelou em choque, incapaz de se mover ou falar.
Seu coração parecia estar batendo fora do peito enquanto ele via a condição dela. Cada músculo de seu corpo se tensinava, e sua respiração ficava superficial e rápida.
A visão do Duque ficou vermelha de raiva. Ele nunca havia experimentado um surto tão poderoso de emoções antes, e isso o deixou se sentindo completamente paralisado.
Tudo o que ele podia fazer era ficar ali, olhando incrédulo para a cena diante dele. Toda vez que tentava falar, nenhum som saía de seus lábios, e cada vez que tentava mover os pés para resgatar Faye da multidão enfurecida, eles não se moviam como se estivessem colados ao lugar onde ele estava.
Os olhos de Sterling estavam fixos no rosto ensanguentado de Faye, enquanto ela levantava seus dedos quebrados e esmagados em direção a ele. O cheiro metálico de sangue enchia o ar, fazendo seu nariz estremecer. Ele podia ouvir o som de ossos estalando enquanto ela tentava mover a mão.
A fúria dentro dele era como um fogo em fúria, e ele podia sentir seus punhos cerrando com força, prontos para golpear qualquer um que ousasse se aproximar de sua preciosa borboleta.
Com um estrondo alto que ecoou pelo ar, a raiva do Duque transbordou.
“SAIAM-DE-PERTO-DELA!”Ele berrou com raiva.
Mas suas palavras caíram em ouvidos surdos enquanto a multidão não mostrava sinais de parar seu ataque violento contra Faye. O som de punhos batendo em carne enchia a sala, pontuado pelos gritos de dor de Faye.
Finalmente, com um último golpe brutal, o corpo de Faye ficou mole e caiu no chão, inerte e quebrado. O silêncio que se seguiu era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som de respiração pesada e pés se arrastando enquanto a multidão se dispersava. Deixando-a morrer.
——
Os olhos de Sterling se arregalaram ao ouvir um som alto de batidas.
“BOOM! BOOM! BOOM!” Um bater frenético e alto veio da porta do quarto.
Uma voz gritou do outro lado, “Comandante! Comandante, responda-me. Você está bem? Vou arrombar esta porta se você não responder.”
Ele reconheceu a voz como sendo de Andre.
O Duque finalmente respondeu, “Sim! estamos bem. Atenção!”