A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 660
Capítulo 660: Correndo à Beira-Mar
Otto não parou de cavalgar até que as luzes do castelo desaparecessem atrás da espessa parede de árvores.
O nevoeiro se enrolava baixo ao redor do chão da floresta, engolindo seu caminho com dedos frios e fantasmagóricos. Galhos quebravam sob os cascos dos cavalos, cada som demasiado alto, demasiado agudo, demasiado perigoso.
Jasmine se agarrava às rédeas, com os pés descalços bem encolhidos sob ela, dedos dormentes do vento gelado.
Ela continuava olhando para trás por sobre o ombro.
Embora ela tivesse seguido este caminho tantas vezes para ver a Sereia, ainda sentia medo e isolamento.
Ela nunca tinha estado aqui tão tarde.
Mesmo sabendo que Hildegard tinha partido.
Mesmo sabendo que ela não poderia voltar.
Mesmo sabendo que seu coração doía tanto que mal podia respirar.
“Jasmine,” Otto disse finalmente, sua voz tensa. “Pare de olhar para trás.”
“Eu não consigo evitar,” ela sussurrou. “Ela está lá. Sozinha. Por minha causa.”
A mandíbula de Otto se contraiu.
Ele também se sentia mal.
Ele sentia vontade de vomitar de culpa.
Mas obrigou-se a permanecer focado.
Ele precisava.
Se eles desmoronassem aqui, não haveria salvação para ninguém.
“Estamos quase na clareira,” ele murmurou. “Aguente firme.”
Jasmine assentiu fracamente, embora estivesse tremendo tanto que seus dentes batiam.
O frio não era a pior parte.
Era o silêncio.
O medo.
Por cerca de trinta minutos depois, a floresta finalmente os cuspiu em uma longa faixa de areia iluminada pela lua, o mar rugindo ao lado deles como uma besta enfurecida.
O vento noturno cortava direto através dos ossos de Jasmine.
Otto continuava lançando olhares de lado para ela enquanto cavalgavam, a culpa piscando em suas feições repetidamente como uma chama em uma tempestade.
Ele odiava isso.
Ele odiava que ela estivesse congelando.
Ele odiava que ela estivesse descalça.
Ele odiava que ela continuasse enxugando lágrimas com mãos trêmulas.
Ele odiava que Hildegard estivesse sentado numa cela esperando para morrer.
Agora ele se perguntava o que ela estava passando.
Será que finalmente a pegaram?
Ele odiava que Jasmine continuasse olhando para ele como se quisesse respostas e ele não soubesse como lhe dar todas elas.
Após um longo período de silêncio, Jasmine sussurrou,
“Otto… agora você pode me contar o que está acontecendo?” Ela perguntou.
Ele estremeceu.
Ele apertou as rédeas e falou cuidadosamente.
“Você foi incriminada,” ele começou, a voz pesada. “Alguém plantou o colar. Alguém mandou uma criada mentir. E pelo que vimos, foi definitivamente Auburn. Achamos que Cereja ajudou ela.”
Jasmine engoliu seco, encarando o horizonte escuro.
“A Rainha…” Otto continuou em silêncio, “foi manipulada de todas as partes. As coisas saíram do controle.”
A respiração de Jasmine parou.
Os ombros de Jasmine enfraqueceram.
Ela esperou ele prosseguir.
Ele não o fez.
Porque tudo mais que ele sabia iria esmagá-la.
Ele não contou a ela a única coisa que ela precisava saber.
Que ela estava grávida.
Hildegard lhe dizendo no último momento ainda parecia uma queimadura em seus ombros.
Ele disse apenas o que ela podia suportar.
“Jasmine…” ele sussurrou.
Mas Jasmine apenas olhava para frente, o vento soprando em seus cachos escuros, sua expressão se fechando com algo que Otto não conseguia entender.
“Otto,” ela sussurrou, sua voz mal era um sopro. “Você não está me contando algo que eu posso sentir.”
Sua garganta se fechou.
Antes que ele pudesse falar, a voz de Jasmine se quebrou
E então ela desabou.
Não fracamente.
Não como alguém que desmorona.
Mas como alguém cujo mundo havia sido destruído vezes demais.
Suas lágrimas não eram suaves.
Eram violentas.
Brutas.
Anos de dor, traição, quase morte, abandono e perda saindo de uma vez.
Ela chorava até seu corpo tremer, segurando a crina do cavalo para se manter ereta.
Otto estendeu a mão instintivamente, estabilizando seu braço.
“Jasmine-
“Não!” ela respondeu em meio às lágrimas. “Não me toque. Não… por favor, não.”
Sua voz era pequena.
Despedaçada.
Ela limpou o rosto com força com as mãos, sua respiração tremente.
“Eu confiei neles,” sussurrou Jasmine, olhando as ondas com olhos ardentes. “Confiei na Rosa. Confiei naquela alcateia. Confiei em todos.”
Sua voz ganhou força.
“E para quê? Para ser jogada em uma cela? Para ser acusada? Para ser acusada como se eu não fosse nada? Como se eu fosse sujeira?”
Otto ficou em silêncio.
Ela não tinha terminado.
“Meu lobo é inútil,” ela chorou. “Eu não consigo nem me transformar. Não consigo ouvi-lo. Eu não posso senti-lo. Estou cansada de ser indefesa. Estou cansada de ser caçada. Estou cansada de ser empurrada de lado como se eu não pertencesse a lugar nenhum!”
Suas mãos tremiam violentamente.
Sua respiração ficou ofegante.
“Calma, Jasmine.” Otto tentou acalmá-la enquanto colocava as mãos em seu ombro.
“Se você sabe que foi tudo uma armação, então por que não podemos contar à Rainha?” Ela perguntou. “Quero dizer, se você e Hildegard entendem, por que não podem simplesmente me levar de volta e explicar tudo.”
Otto esfregou as têmporas e tentou massagear a dor de cabeça latejante.
Ele suspirou pesadamente. “Jasmine, não é tão fácil quanto você pensa. Jasmine, você estava prestes a ser sentenciada.”
O rosto de Jasmine ficou pálido.
Seu pequeno rosto brilhava sob a luz da lua.
“Qu… O quê?” Jasmine piscou.
Ele suspirou pesadamente.
Seus cavalos não estavam mais se movendo.
Tudo o que podiam ouvir era o som suave da beira do rio e a brisa fresca.
“Eles iam condená-la. Arrancar seus olhos e cortar suas mãos antes de levá-la à pior prisão para criminosos. O pacote completo. Você não teria sobrevivido um dia lá.”
Seus lábios tremiam de medo.
“E por isso tivemos que agir. Se não tivéssemos agido, você teria recebido sua sentença hoje.” Ele lhe disse.
Jasmine permaneceu sentada.
“A Rainha… e… e… quero dizer… uh… Eu entendo que o Rei não gosta de mim. M… mas pelo menos ela acreditaria em mim.” Jasmine gaguejou.
Ele balançou a cabeça. “Ela sabe que algo está errado. Mas a política entre lobos é uma droga.”
Jasmine ficou muda e silenciosa.
Tão silenciosa que ele se preocupou que ela tivesse desmaiado de vez.
“E eu confiei nela.” Jasmine balançou a cabeça enquanto cobria o rosto. “Ela me disse para confiar nela. Me disse que me via como sua própria neta. Ela me usou.”
Otto suspirou.
“Para onde vamos agora?”
Antes que ele respondesse, ouviu um splash no mar.