A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 658
Capítulo 658: O Acerto de Contas
Os lábios de Rolando se abriram, mas nenhum som saiu.
Seu rosto perdeu toda a cor
como se Coral tivesse arrancado os ossos debaixo de sua pele
e o deixado de pé sobre o nada.
“Rolando,” Rosa repetiu, a voz quebrando. “Sobre o que… ela está falando?”
Coral, arrastada pelos guardas, riu.
Um som frágil e maníaco.
A risada de alguém que não tinha mais nada a perder.
“Oh, conte a ela!” Coral gritou enquanto os guardas a arrastavam pelo mármore.
“Conte a ela como você vem se esgueirando para os aposentos de Cereja desde que ela voltou! Conte a ela como quase todos os servos viram vocês dois se encontrando em becos tão públicos que é tão fácil…
“BASTA!” Rolando rugiu tão alto que as paredes tremeram.
Até os guardas congelaram.
Cereja, ainda ofegante por sua magia exposta, estava no trono, um sorriso malicioso e cruel estampado em seu rosto.
Ela não negou.
Ela nem mesmo olhou para cima.
Rosa olhou para Rolando, seu coração ecoando em seus ouvidos.
Sua voz saiu pequena.
Fina.
Um fantasma da mulher que ela era.
“Rolando… por favor.”
Seus olhos brilhavam. “Diga-me que ela está mentindo.”
Rolando engoliu em seco. “Rosa, eu juro. Eu te asseguro. Eu não fiz isso. Eu juro. Mas então eu não entendo. É como se-
Ele fez uma pausa e engoliu em seco novamente.
“Eu nunca fiz nada disso. Posso jurar isso para você. Mas é como se apenas ouvir essas acusações… É como uma memória que eu nunca tive…. Uh… É como…
E Rosa sabia.
Antes mesmo de ele abrir a boca novamente, antes mesmo de levantar a cabeça
Ela sabia.
“Oh Deusa…” Rosa sussurrou, o ar saindo de seus pulmões em um tremor violento.
“Oh Deusa, não…”
Rolando finalmente falou.
“Rosa, eu juro a você, eu não fiz isso! Nada do que ela está dizendo faz sentido, mas então….
Rosa cambaleou para trás como se ele a tivesse apunhalado.
“Mas então O QUÊ?” ela sussurrou.
Ele apertou os olhos. “Estou tendo algumas memórias.”
“Memórias?” Ela ofegou, seu peito arfando.
Sua voz rachou com uma descrença tão aguda que poderia ter quebrado pedra.
“Rosa, eu juro a você, eu nunca fiz nada que se possa entender. Mas é só isso. Eu não quero mentir para você.” Ele disse com olhos suplicantes. “Nunca fiz nada com Cereja. Todos sabem que eu a odeio!”
“Você estava com minha irmã, e agora está me dizendo que teve algumas memórias? Que você não entende?”
Cereja virou-se para olhar para Rosa com um sorriso malicioso, e Rosa sabia que sua irmã estava se deleitando com isso.
Ela se perguntou como nunca percebeu o quanto sua irmã a odiava
Rolando tentou alcançá-la, mas Rosa afastou sua mão com um rosnado.
Seus olhos brilharam vermelho, e o fogo em seu sangue se ergueu novamente.
“Você traiu?” Rosa sussurrou devastada. “Com ela?”
Rolando levantou ambas as mãos, suplicando.
“Rosa, escute—”
“NÃO!” Rosa gritou, afastando-se dele como se ele queimasse.
“Não ouse dizer meu nome! Não ouse falar comigo!”
O peito dela subia e descia violentamente, sua loba debatendo-se dentro dela, poder subindo por sua espinha como lava derretida.
Cereja recuou.
Até ela sabia que isso estava prestes a se tornar mortal.
Rosa deu um passo trêmulo mais perto de Rolando.
“Eu te dei tudo,” ela sussurrou.
A voz dela não aumentou.
Não precisava.
Era o tom mais suave que ela já havia usado e o mais aterrorizante.
“Eu te amei mesmo quando você me fazia sentir como nada.
Eu te defendi quando meu povo duvidou de você.
Eu mantive este reino unido por você.
Por nós.”
A respiração dela tremia.
“E você me traiu com a minha irmã?”
A mandíbula de Rolando se contraiu. “Rosa, por favor. Isso é um grande mal-entendido, eu juro e-
Mas as palavras dele já eram mais que suficientes.
Um grito rasgou sua garganta, um som tão cru e violento que as chamas explodiram pelos azulejos, subindo pelas paredes como serpentes vivas de vermelho.
“EU ESTIVE MORANDO EM UMA CASA DE VÍBORAS!” Rosa rugiu.
“Minha filha tentou matar minha filha!
Minha irmã conspirou para matar minha sobrinha!
E o homem que amei, meu marido, me traiu com meu próprio sangue!”
Seu corpo inteiro ardia com o cabelo como uma coroa de fogo, seus olhos gêmeos infernos.
Xaden não se mexeu.
Ele sabia melhor.
A Chama observava silenciosamente, respeitosamente, como se estivesse testemunhando uma deusa libertada.
Rosa apontou para Rolando.
“Você.”
Sua voz sacudiu as fundações do reino.
“Você não vai falar mais uma palavra. Nem mais uma.”
A boca de Rolando se fechou abruptamente.
Então Rosa se virou para Cereja.
“Você,” ela disse friamente.
Cereja engoliu em seco.
Forte.
“Você destruiu tudo que eu tinha. Você arruinou minha linhagem. Você trouxe um impostor para minha casa. Você mentiu para mim. Me usou. Prendeu minha verdadeira neta em uma cela.”
A respiração dela falhou.
“Você nos traiu a todos.”
Cereja exalou, sem o menor sinal de remorso em seu rosto.
“Ele era meu primeiro antes de se tornar seu.” Cereja cuspiu. “Ele pertencia a mim. Eu deveria casar com ele. Ele ia ser meu companheiro. Tudo que você tem hoje era para ser meu. Até seus filhos. Eles deveriam ser meus.”
“Sim! Eu deixei Bale atacar a família de Xaden. Fui eu que salvei Uther e fiz com que ele ficasse como espião na minha alcateia. Sim, eu sabia que Jasmine era sua neta, e eu não podia deixá-la sentar no trono porque eu queria para mim. Porque pertence a mim! E a vadia é a Luna reencarnada, se você se lembrar da lenda.”
Houve um silêncio gélido na sala. “E se todos nós lembrarmos, a Luna vai ser nosso messias ou nossa perdição. De qualquer maneira. Eu não precisava daquela vadia no meu caminho. Eu te envenenei, Rosa! Você foi tão estúpida. Eu estive te envenenando de longe. Tudo que aconteceu foi por minha mão. Você foi tão estúpida. E se você acha que este é o fim da linha para mim, bem, irmã, você deve estar louca.”
Naquele momento, Cereja se virou para sair e teria desaparecido se não tivesse congelado.
Ela olhou para todos, e então pó preto começou a cair de seus lábios.
Seus olhos se transformaram em pó, e seu corpo começou a se desintegrar em mais pó preto.
De pé atrás dela estava ninguém menos que Eleanor.