A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 650
Capítulo 650: A Descoberta
A cabeça de Auburn ainda latejava no ponto onde havia batido na parede.
Suas criadas voejavam ao seu redor como galinhas assustadas, preocupando-se com seu cabelo, seu vestido, seu ferimento.
“Princesa, você está machucada?” A primeira perguntou.
“Você precisa de água?” Outra perguntou em um tom suplicante.
“Devemos chamar um curandeiro?” Uma terceira questionou, solidariamente.
“SAIAM!” Auburn gritou, afastando as mãos delas. “Todas vocês, FORA!”
Elas se dispersaram imediatamente.
Auburn segurou o lado da cabeça, respirando pesadamente.
Ela não entendia o que aconteceu.
Um momento ela estava andando pelo salão orgulhosamente com suas garotas, no outro estava no chão, o crânio ressoando, sangue em seu cabelo, e uma rajada de força a empurrando para frente como se um fantasma a tivesse empurrado.
Mas não foi a queda que a perturbou.
Foi a sensação.
Algo frio havia passado por ela.
Algo familiar.
Algo que ela odiava mais do que tudo.
Ela olhou de volta para o espaço vazio e sentiu a brisa fria contra si.
Ela sentiu suas costas e massageou-as com a mão livre.
Era como se uma mão tivesse se impresso contra suas costas.
“Quem diabos me empurrou?” Ela perguntou com raiva.
As criadas olharam entre si, a respiração irregular.
Ela olhou para elas novamente.
“Vocês são surdas?” Ela perguntou com ainda mais raiva. “Eu fiz uma pergunta, quem me bateu?!”
“Não havia ninguém lá, sua majestade.” Uma delas disse em uma voz pequena e quieta.
“Vocês estão me dizendo que estou imaginando o que senti?!” Ela sibilou para as garotas.
“Não, não, não.” Sua majestade, elas falaram em coro.
Auburn revirou os olhos.
“Bando de covardes.” Ela praguejou enquanto lentamente se erguia.
Sua mão estava delicadamente sobre o ferimento.
Ela tirou a mão e sentiu o ferimento pegajoso.
Ela olhou para isso.
Sangue.
Ela olhou de volta para o espaço vazio e sentiu uma sensação nauseante na barriga.
Jasmine.
Auburn engoliu em seco.
Não.
Isso era impossível.
Mas algo dentro dela dizia que não.
Ela decidiu verificar por si mesma.
Ver Jasmine por si mesma.
Ela se equilibrou bem e outra criada ofereceu ajuda.
“Sua majestade,” a criada disse gentilmente. “Seu ferimento precisa ser limpo-
“CALE A BOCA!” Auburn saiu em fúria e em questão de segundos, ela estava indo em direção às celas.
Seus passos ecoavam furiosamente pelos túneis.
Ela ignorou os olhares confusos dos guardas, ignorou seus laços, ignorou a maneira cautelosa com que se afastaram.
Seu lobo estava agitado em seu peito.
Agitada.
Inquieta.
Ela parou diretamente em frente à cela de Jasmine.
A garota estava sentada no chão.
Aconchegada.
Silenciosa.
Costas viradas para ela.
Auburn zombou.
“Bem, bem, bem,” ela sibilou, cruzando os braços. “A pequena rata finalmente parece o que é. Uma criminosa numa jaula.”
Nenhuma resposta.
O olho de Auburn tremeu.
Ela se aproximou das barras. “Você é surda? Estou falando com você.”
Ainda nada.
A irritação de Auburn se afunilou em raiva.
Em fúria.
“JAS-MINE!” ela gritou, sua voz ecoando pelas paredes.
Jasmine não se moveu.
Não tremeu.
Não se virou.
Apenas manteve as costas voltadas para ela, cabeça abaixada.
O estômago de Auburn revirou.
Um estranho pavor infiltrou-se nela.
O lobo dela choramingava e a irritação de Auburn brevemente vacilou para um lampejo de medo.
Algo estava errado.
Algo estava terrivelmente errado e ela não precisava ser informada antes de saber.
Ela se afastou furiosa.
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Cereja estava escovando o cabelo quando Auburn empurrou as portas.
Cereja virou-se bruscamente. “É melhor que isso seja importante.”
E então, no momento em que Cereja viu a testa de Auburn, ergueu uma sobrancelha.
“Seu lobo falso perdeu a cabeça e bateu com a cabeça?” Perguntou Cereja
“Algo me empurrou.” Auburn conseguiu. “Quero dizer, eu…”
Ela respirou fundo e continuou novamente. “Eu… eu não me sinto bem. Algo está errado.”
Cereja franziu a testa. “Errado como?”
Auburn engoliu em seco e pressionou o pano que havia pego de uma empregada em sua cabeça. “Fui ver Jasmine. Nas celas.”
Os olhos de Cereja se arregalaram com fúria.
Em questão de segundos, ele estava de pé e deu um tapa forte na bochecha de Auburn.
Auburn engasgou e segurou o rosto, incrédula.
“Garota estúpida!” Cereja sibilou. “Você quer que sua idiotice estrague tudo?! Ir lá embaixo poderia nos expor!”
A voz de Auburn quebrou. “Eu só queria ter certeza de que ela estava lá!”
“E?”
Auburn engoliu. “Ela… ela não me olhou. Nem uma vez. Gritei com ela. Ela não se virou.” Sua voz tremeu. “Ela nem sequer respondeu.”
O rosto de Cereja endureceu.
“Ela não falou nada?”
Auburn balançou a cabeça. “Nada.”
Cereja piscou uma vez.
Duplamente.
Sua respiração mudou.
Suas mãos se fecharam.
“Auburn,” ela disse lentamente, “tem certeza absoluta?”
“Sim!” Auburn estalou. “Por que eu mentiria? Ela ficou lá como uma boneca. Como se não estivesse viva. Apenas… sentada.”
O coração de Cereja pulsava visivelmente em sua garganta.
“Venha,” ela sussurrou. “Agora.”
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Os guardas ficaram tensos quando viram Cereja se aproximando com Auburn atrás dela.
“Princesa, você não tem permissão para-
“SAIAM,” Cereja rosnou.
Os guardas imediatamente recuaram.
Cereja marchou até as grades e olhou com raiva para dentro.
“Jasmine,” ela chamou bruscamente. “Vire-se.”
Nenhuma resposta.
Seu maxilar se apertou.
“Jasmine.”
Ainda nada.
Auburn se aproximou, sussurrando trêmula, “Vê? Eu te disse.”
Cereja investiu contra o guarda mais próximo e arrancou o anel de chaves direito do cinto dele.
“Princesa, por favor, nós não queremos-
Ela o ignorou e bateu a chave na fechadura.
A porta da cela rangeu ao abrir.
Cereja entrou furiosa, agarrou o braço de Jasmine antes de puxá-la.
O cabelo da garota caiu para trás.
E não era Jasmine.
Hildegard levantou a cabeça lentamente…
E sorriu.
Um sorriso calmo, malicioso, conhecedor.
O sangue de Cereja fervia antes de finalmente congelar.
Auburn tropeçou para trás, um engasgo estrangulado saindo de sua garganta.
O guarda deixou cair a tocha.
E Hildegard ergueu o queixo, os olhos brilhando de satisfação.
“Procurando alguém?” ela perguntou. “Eu te disse. Apenas um movimento poderoso do peão pode tirar a coroa do tabuleiro de xadrez.”
Cereja cerrava os dentes e, naquele momento, ouviu os sinos tocarem.
O que diabos estava acontecendo agora?