A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 648
Capítulo 648: Executando o Plano
O plano perigoso havia sido traçado, tudo estava em movimento antes mesmo de começar.
Hildegard e Otto moveram-se pelo castelo separadamente pelo resto da tarde, cuidadosos para não se olharem por muito tempo, cuidadosos para não atrair atenção indesejada.
Todo servo que passava por eles parecia mais barulhento, todo guarda mais atento, todo passo mais pesado com ameaça.
Parecia que por um segundo eles poderiam ler suas mentes, mas conseguiram passar o dia sem confrontos.
Finalmente o sol sangrou no horizonte e desapareceu, trazendo a escuridão.
Logo as tochas do palácio piscaram para a vida.
Era hora.
Nove horas.
A hora em que o palácio ficava quieto, mas não adormecido.
A hora em que a conversa diminuía para sussurros e as sombras se alongavam pelas paredes.
A hora em que os guardas estariam ocupados demais com suas refeições para perceber qualquer coisa.
O momento perfeito.
Hildegard entrou em seu quarto primeiro e fechou a porta com um clique suave.
Ela se trocou para roupas mais escuras, algo menos notável, e prendeu o cabelo para trás. Seu coração acelerava a cada movimento, mas suas mãos permaneciam firmes.
Do outro lado do castelo, Otto fez o mesmo.
Ele estava sobre sua mesa, iluminada apenas por uma única vela, e dispunha os itens de que precisariam.
A capa encantada.
Uma pequena lâmina.
Um mapa dobrado do caminho pela floresta até o mar.
Os diários e livros que ele precisava para os diários futuros.
Ele colocou tudo em uma sacola, seu lobo andando inquieto sob sua pele.
Ele já havia levado dois cavalos para a floresta onde deveria esperar por Jasmine.
Lá ele guardou mais suprimentos para a jornada deles.
Essa noite seria arriscada pra caramba.
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Eles se encontraram no corredor escondido.
Hildegard já estava lá, esperando, o capuz puxado para baixo, a respiração estável.
Otto juntou-se a ela silenciosamente.
“Guardas?” ele sussurrou.
“Dois nas escadas principais,” ela disse. “Nenhum perto do corredor de trás.”
“Ótimo.” Otto puxou a capa e a pressionou nas mãos dela. “Quando você colocar isso, ninguém vai te ver, a menos que estejam procurando diretamente por magia. O que, felizmente, ninguém aqui é esperto o suficiente para fazer.”
Hildegard soltou um riso contido. “Esperemos que sim.”
Ele tirou o pó de estrelas, deixando-o brilhar entre seus dedos. “Eu vou usar isso quando chegar ao portão externo. Vai mascarar Jasmine tempo suficiente para passarmos sob as tochas.”
“E se alguém te parar?” ela perguntou.
Otto sorriu, afiado, feroz. “Eles não vão.”
Ela assentiu, embora seu estômago se contorcesse.
Então seus olhos suavizaram. “Otto… tem certeza de que pode levá-la ao mar?”
“Sim,” ele disse sem hesitação. “Eu vou levá-la até lá. Mesmo que tenha que atravessar a floresta sozinho.”
Hildegard engoliu em seco e puxou a capa em torno dos ombros.
Por um momento, o mundo brilhou e então seu corpo desbotou e desvaneceu nas sombras da capa.
“Você pode me ver?” ela sussurrou.
Otto estreitou os olhos. “De jeito nenhum. Perfeito.”
Ela exalou trêmula.
“Tudo bem,” ela sussurrou. “Vamos começar.”
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Eles se moveram como sombras.
Otto se dirigiu à escadaria do calabouço, mantendo-se nas rotas menos iluminadas, evitando o salão principal.
Cada vez que um guarda passava, ele se fundia na escuridão. Seu lobo ajudava com os instintos, o silêncio, a paciência predatória.
Hildegard o seguia atrás, invisível, seus passos desacelerados pelo efeito da capa encantada. Seu coração acelerava cada vez que passava por um guarda, sua respiração presa.
Mas nenhum deles a viu.
Nenhum deles sequer a percebeu.
A magia funcionou.
Quando chegaram às escadas para as celas, Otto parou.
Dois guardas estavam na base, um bocejando, outro entediado.
Seu amigo não estava aqui novamente. Deve ter trocado de turno.
Otto ficou satisfeito caso algo desse errado.
Ele não queria machucar seu amigo.
Ele não ousava confrontá-los agora. Ele não podia arriscar alertar ninguém.
Ele se virou ligeiramente.
“Hildegard,” ele sussurrou. “Vá. Direto. Eles não vão te ver.”
Ela inalou profundamente.
Então ela deu um passo à frente.
Os guardas não piscaram.
Não se moveram.
Não perceberam nada.
Ela passou entre eles como névoa e desapareceu no salão além.
Otto observou, com o coração acelerado de tensão até que ela desapareceu na escuridão.
Então ele se afastou das escadas e pegou o corredor lateral até a saída inferior.
Ele esperaria por Jasmine lá, escondido nas sombras, pronto para levá-la no momento em que ela surgisse.
Ele esperava que nada desse errado.
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Jasmine sentou-se encolhida contra a parede, seus braços ao redor dos joelhos, sua respiração leve.
A noite estava mais fria.
Seu cabeça doía de tanto chorar. Seu peito doía. Ela não conseguia parar de tremer.
Ela viu um enorme rato passar por ela.
Ela gritou e pulou para longe.
Mas o rato, que parecia do tamanho de um cortador de grama, estava acostumado com pessoas e não se incomodou.
Então Jasmine sabiamente se dirigiu para o canto mais afastado da cela.
Então ela ouviu o mais leve sussurro de tecido atrás dela e pulou.
O maldito rato de novo!
“Silêncio,” veio uma voz suave. “Sou eu.”
Jasmine piscou na escuridão.
Ela conhecia aquela voz.
“Hildegard?”
Um brilho avançou. E então Hildegard emergiu das sombras como se materializando do ar.
Jasmine encarou, atônita. “Como…? Como você…”
“Não há tempo para explicar,” Hildegard disse, empurrando seu capuz para trás. “Levante-se, Jasmine. Vamos te tirar daqui.”
A respiração de Jasmine engasgou na garganta.
“Sair?” ela sussurrou. “Hildegard… eu não… a prisão… os guardas…”
Hildegard avançou e tocou suavemente sua bochecha.
“Otto está esperando,” ela sussurrou.
Os olhos de Jasmine se encheram de lágrimas. “Otto? Ele está aqui?”
“Sim,” Hildegard disse. “E você vai sair com ele esta noite.”
Jasmine levantou-se fracamente, suas pernas tremendo.
“O que? O que está acontecendo?” Jasmine perguntou perdida. “Isso é… eu não posso simplesmente–
“Você quer viver?” Hildegard sibilou para ela, fazendo-a pular.
Jasmine fez uma pausa e respirou fundo.
Os olhos de Hildegard eram ferozes e diretos.
Ela assentiu.
“Bom.” Hildegard disse quando tirou a capa e a entregou a ela. “Então coloque isso e não me faça mais perguntas.
Hildegard a ajudou a trocar de roupa rapidamente, puxando os trapos da prisão sobre seu próprio corpo.
Quando Jasmine deslizou a capa encantada sobre seus ombros, o ar brilhou novamente.
E ela desapareceu.
Agora era Hildegard que parecia ser a prisioneira, sentada no chão frio de pedra, embrulhada em trapos.
Ela segurou as mãos de Jasmine pela última vez.
“Vá. Ninguém será capaz de ver você. Apenas vá o mais cuidadosamente possível. Não respire até ter passado pelos guardas, certo?” Hildegard informou.
Jasmine assentiu ainda sem ter certeza do que realmente estava acontecendo.
“Agora vá antes que alguém venha.” Hildegard a empurrou.
Jasmine jogou seus braços ao redor dela e disse. “Hildegard… obrigada.”
Hildegard sorriu tristemente. “Vá, querida. Viva.”
E então ela deixou suas mãos caírem.
Jasmine se virou e não olhou para trás.