A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 647
Capítulo 647: Grávida
Otto encarou Hildegard por um longo e atordoado momento, ainda se recuperando da revelação.
Grávida.
Jasmine.
Grávida.
Isso era tudo o que ele conseguia ouvir em sua cabeça.
Seu fôlego tremia, mas ele se obrigou a falar.
“O que aconteceu?” ele sussurrou. “Como… o que…. Quando…. O quê?”
Hildegard fechou os olhos, a mandíbula se apertando com uma dor antiga. “Ela… perdeu o primeiro bebê.”
O rosto de Otto caiu. “O quê? Ela nunca me contou… por que não fui informado?”
Quanto mais ele se informava, mais escuro se tornava.
Hildegard abriu os olhos, cansados e aguçados. “Porque você nunca perguntou.”
Otto apertou os punhos, engolindo em seco. “Droga…”
O silêncio caiu entre eles.
Um tipo pesado.
O tipo que carrega fantasmas.
E agora ele desejava ter sido mais gentil com ela.
Saber que ela passou por isso?
Enquanto ele a imaginava sentada na cela, a culpa começou a tomar conta dele.
Finalmente Otto sussurrou, “Quantas semanas ela está?”
“Eu não sei,” Hildegard admitiu. “A última gravidez dela foi muito rápida.”
Otto franziu a testa. “Rápida? Tipo, ela carregou por nove ou dez meses em vez de onze?”
Hildegard balançou a cabeça. “Não. Foram… quatro meses.”
Otto a olhou como se ela tivesse crescido duas cabeças.
“Quatro… meses?” ele repetiu. “Que diabos? Isso é impossível!”
“Aconteceu,” Hildegard disse baixinho. “Porque Jasmine é uma não-transformada. E Xaden era um Alfa. O bebê veio rápido demais. Muito forte. Muito desenvolvido.”
Otto balançou a cabeça com vigor. “Não. Isso não explica. Eu estudei dezenas de gravidezes não-transformadas. A pior complicação que elas têm é a dificuldade de empurrar o bebê porque a pelve delas não desloca.” Seus olhos se estreitaram. “Mas quatro meses? Não. Isso não é um problema de não-transformados.”
Hildegard olhou para ele com incerteza. “Então o que é?”
Otto exalou tremendo, andando pela sala. “Eu não acho que Jasmine seja não-transformada. Não completamente. Algo sobre ela, seus instintos, sua personalidade, seu cabelo!, seu lobo que não aparece, nada disso se encaixa.”
Seu tom de voz se abaixou até um quase sussurro.
“Até eu descobrir o que ela é… eu não sei como o corpo dela vai lidar com o parto.”
O estômago de Hildegard revirou. “Quantas mulheres não-transformadas e seus bebês sobreviveram ao parto?”
Otto pausou enquanto temia as palavras que estava prestes a dizer.
“Nenhum.”
O fôlego de Hildegard prendeu.
Otto virou-se para ela, olhos aguçados. “Por isso não temos tempo. Se chegarmos às terras distantes, podemos encontrar o tio dela, Aiden. Alguém que conhece sua linhagem. Alguém que pode ajudar. Se não partirmos… Jasmine pode morrer.”
Hildegard afundou em uma cadeira, o rosto todo apertado de medo. “A ideia de furtá-la daqui enquanto grávida…”
“Ela não sabe que está grávida,” Otto interrompeu suavemente. “E não devemos contar a ela. Ainda não.”
Hildegard lançou-lhe um olhar feroz. “Você quer que escondamos isso dela?”
“Sim,” Otto afirmou firmemente. “Pelo menos até a jornada começar. A viagem levará um mês. Ela não estará em trabalho de parto até lá. E quando começar a aparecer… eu contarei a ela pessoalmente.”
Hildegard esfregou a testa. “Eu não gosto de esconder isso.”
“É o único jeito,” Otto insistiu. “Se contarmos a ela agora, ela ficará em pânico. E o pânico vai matá-la mais rápido que qualquer guarda. Você já conheceu Jasmine?”
Hildegard respirou pesadamente, pesando cada risco.
Eventualmente, ela acenou com a cabeça. “Tudo bem. Mas alguém precisa ir com você. Uma mulher. Alguém que possa ajudá-la. Não eu.”
“Por que não?” Otto exigiu.
“Porque eu preciso ficar aqui,” Hildegard disse. “Alguém tem que ganhar tempo. Criar distrações. Atrasar o inevitável. Posso enviar a Babá Nia. Ela estava lá durante a última vez.”
Otto balançou a cabeça. “Não há tempo para trazer mais ninguém. E mesmo se pudéssemos, eu conheço uma bruxa no caminho. Ela pode ajudar Jasmine quando chegar a hora.”
Hildegard hesitou… depois assentiu relutantemente. “Certo.”
Ela se levantou.
“Então planejamos. Agora.”
Otto respirou fundo. “Só há uma maneira disso funcionar, usamos Magia.”
Hildegard piscou. “Magia? Como diabos você contrabandeou Magia através dessas paredes? É proibido.”
Otto sorriu levemente. “Eu tenho meus jeitos.”
Ela revirou os olhos.
“Claro que tem.”
“O problema,” Otto continuou, “é que alguém tem que ficar no lugar da Jasmine uma vez que ela sair da cela. Caso contrário, eles vão perceber rápido demais.”
A sala ficou quieta.
Quieto demais.
Hildegard inalou.
Exalou.
Então ergueu o queixo.
“Eu farei isso.”
Otto ficou pálido. “Hildegard, não. Você vai ser pega. Eles vão te sentenciar no lugar dela.”
“Eu não me importo,” ela disse ferozmente. “Eu nunca poderia viver comigo mesma sabendo que Jasmine e seu bebê morreram enquanto eu assistia de lado.”
A garganta de Otto apertou. “Eu não quero que você morra. Eu entendo que morrer por ela pode parecer ser um grande mártir, mas doce Selene.”
“Eu vou me matar se algo acontecer com aquela garota. Se a estúpida Cereja e aquele impostor tiverem sucesso.” Hildegard declarou.
“Você a odeia, não odeia.” Ele disse com um sorriso arrogante.
“Eu odeio aquela vadia!” Ela disse e se virou para ele. “Você vai me deixar fazer isso ou não?”
Otto engoliu em seco, depois assentiu. “Certo.”
“Quando você entrar na cela,” Otto explicou, “eu tenho um clone mágico que vai esconder você de ser detectada. Ele vai deixar você passar pelas barras, desde que não estejam forradas com prata. O que, felizmente para nós, não estão.”
Hildegard traçou a borda da capa. “E Jasmine?”
“Ela vai vesti-la depois de trocar de roupa com você,” Otto disse. “Então ela vai escapar.”
Hildegard franziu a testa. “Não há saída do palácio. Cada saída é guardada. Cada caminho da floresta vigiado. E o portão principal? Impossível.”
Otto se apoiou na mesa. “Vamos encontrar algo.”
Hildegard andava de um lado para o outro.
Então, de repente, teve um estalo!
Ela teve uma epifania.
Ela congelou.
Seus olhos se arregalaram.
“O mar.”
Otto piscou. “O quê?”
“A floresta que leva ao mar,” Hildegard disse rapidamente. “É quase sem guarda. Os lobos se recusam a se aproximar das águas das sereias. E as sereias se recusam a atravessar o território dos lobos.”
Os olhos de Otto se arregalaram. “Uma zona neutra morta.”
Hildegard assentiu ferozmente. “Exatamente.
Sem guardas.
Sem olhos.
Sem patrulhas.”
“O caminho do mar,” Otto sussurrou. “Claro.”
Hildegard se inclinou.
“Essa,” ela disse, “é a forma como vocês dois vão escapar.”