A Noiva Indesejada do Alfa - Capítulo 471
Capítulo 471: Vadia Teimosa
O quarto estava frio, como sempre.
Um tipo de frio que se infiltrava nos ossos, que subia pela espinha e sussurrava que este não era um lar — e nunca seria.
Ela estava aqui há mais de duas semanas agora e mal se sustentava por um fio de sobrevivência.
Parecia que o Caçador Alfa havia viajado e partido, porque ele tinha parado de convidá-la para jantar com ele.
Ela recebia sua refeição no quarto das criadas, tomava banho uma vez por dia e era deixada para cuidar de si mesma.
Tudo que conseguia fazer era se afastar e dormir.
Era exaustivo.
Ela havia solicitado ver Xaden, mas ninguém estava ouvindo.
Ela sentiu seu bebê se mover, e então gentilmente segurou sua barriga.
Jasmine sentou-se na beira da cama, uma mão descansando em sua barriga, a outra pressionada contra a madeira polida do poste da cama.
Ela olhou para a porta, tensa e silenciosa, enquanto passos ecoavam do lado de fora.
Então — uma batida. Suave. Hesitante.
Ela não respondeu.
A porta rangeu e abriu mesmo assim, revelando a criada magra e sardenta que havia se tornado uma sombra quase constante em sua prisão.
A garota abaixou a cabeça, segurando um pano dobrado em suas mãos trêmulas.
“O Alfa deseja vê-la,” ela disse suavemente.
Jasmine não se moveu.
Ela piscou uma vez. Sua voz, quando veio, estava calma — mas cheia de aço.
“Eu não vou vê-lo.”
A criada se encolheu. “Por favor… não diga isso. Ele… ele vai ficar com raiva.”
“Eu não me importo,” Jasmine disse, apertando o maxilar. “Não dou um único passo até ver Xaden. Pedi para vê-lo repetidamente. Ele concordou em deixar-me vê-lo, mas já se passaram duas semanas e nada.”
A criada hesitou, mudando-se nervosamente. “O Caçador Alfa não permite atrasos. Ele—ele pode machucá-la.”
“Então deixe-o tentar,” Jasmine disse friamente. “A menos que ele me mostre que Xaden está vivo e bem, eu não vou me mover. Mesmo que ele mesmo me jogue fora desta torre.”
Havia um lampejo de medo nos olhos da criada, mas também algo mais — piedade.
Ela se curvou novamente e saiu rapidamente, fechando a porta atrás de si sem mais uma palavra.
Jasmine exalou, lenta e profundamente.
Suas mãos tremiam contra a curva de sua barriga, mas seus olhos queimavam de desafio.
Ela se perguntou por Kire e Marro.
Ela se perguntou se eles haviam conseguido escapar quando ela não retornou.
Ela esperava que Kire tivesse obedecido e levado-o de volta à sua alcateia.
Ela não conseguia imaginar o que teria acontecido se ele tivesse insistido em segui-la agora que ela tinha sido capturada aqui.
Ela não tinha ouvido nenhuma notícia sobre eles na alcateia, então, com sorte, era algo bom.
Ela agora supunha que ele estava trancado em algum lugar neste lugar amaldiçoado. Ela sabia o quão cruéis eles eram.
Era a única explicação que fazia sentido.
Por que mais ela sentiria o laço — fraco, opaco — mas nunca o veria?
Ele estava vivo. Ela podia sentir.
Mas isso não era mais o suficiente.
Ela precisava de prova. E ela não se ajoelharia para um monstro como o Caçador Alfa até tê-la.
As horas se arrastaram.
Ela andou de um lado para o outro. Sentou. Andou novamente.
E então—
A porta se abriu com força sem aviso.
Ela se virou, assustada — apenas para encontrar-se cara a cara com o Leviathan.
Ele estava parado na porta, o cheiro de sangue e arrogância denso ao seu redor, seus olhos amarelos brilhando com algo cruel.
“Você achou que recusá-lo terminaria bem?” ele zombou.
Jasmine não respondeu. Ela se virou e deu um passo para trás.
“Eu não recebo ordens de você,” ela disse firmemente.
“Não estou aqui para pedir educadamente.” Ele estalou para ela.
Ele atravessou o quarto em três passos rápidos, sua mão apertando seu braço.
Jasmine gritou, lutando. “Me solte!”
O aperto de Leviathan se apertou.
“Você tem me irritado, pequena prostituta. Quando o Alfa diz algo, você deve obedecê-lo. É assim que as coisas funcionam agora,” ele sibilou, arrastando-a em direção à porta. “Você verá o Alfa, goste ou não—”
Em um movimento rápido e selvagem, Jasmine golpeou dois dedos com força em seu olho.
“AHH—! SUA VADIA ESTÚPIDA DE MERDA!” ele gritou, cambaleando para trás e segurando o rosto.
Sua outra mão veio em um balanço cego, estalando em sua bochecha em um tapa cruel que a fez tropeçar para trás.
O lado dela acertou o poste da cama.
Ela o segurou firme, impedindo-se de cair completamente.
Ela sentiu um desconforto no estômago, onde sua mão esquerda havia ido, para proteger seu bebê de qualquer mal.
A dor floresceu por seu rosto, seus ouvidos zumbiram, mas ela permaneceu de pé.
Respirando pesado. Firme.
Leviathan estava fervendo agora, sua mão ainda sobre o olho, seu rosto torcido de raiva.
“Vou te ensinar uma lição,” ele rosnou. “Uma que você não vai esquecer—”
Antes que ele pudesse dar mais um passo, outra voz trovejou da porta.
“CHEGA!”
Um lobo alto e de ombros largos entrou na sala. Olhos prateados. Capa preta. Mais velho. Mais inteligente. Com aparência ameaçadora de uma maneira quieta e perigosa.
Leviathan se virou para ele, ofegante.
“Ela me atacou!”
“Ela está grávida,” o lobo mais velho soltou. “Você acha que o Caçador Alfa quer que ela seja machucada? Você sabe como ele tem sido com ela desde o início.”
Leviathan cerrou os punhos, tremendo de fúria. “Ela é desrespeitosa. Ela precisa aprender quem está no comando.”
“Deixe essa decisão para o Caçador Alfa. Não para você.” O outro lobo se aproximou, rosnando baixo. “Se você tocar nela novamente, eu serei o único a te ensinar algo. E não será gentil. Saia, Leviathan.”
Leviathan hesitou. Ele olhou de Jasmine para o lobo mais velho, depois de volta.
Seu rosto se torceu em um rosnado. “Você vai se arrepender disso,” ele cuspiu para ela.
E então ele saiu irritado, batendo a porta atrás de si.
A sala ficou silenciosa novamente, mas o ar estava tenso.
Jasmine se virou para o lobo mais velho. Sua bochecha já estava inchando.
Seu respirar vinha em rajadas entrecortadas, mas ela não abaixou o olhar.
“Ainda não vou ver o Caçador Alfa,” ela disse calmamente.
Ela estava aterrorizada em seu coração.
Mas ela sabia melhor.
Ela não podia recuar.
Não agora.
“Não até eu ver a prova de que Xaden está vivo.”
O homem a encarou por um longo momento silencioso.
Então, ele assentiu.
E saiu sem uma palavra.