A Noiva do Rei Lobisomem - Capítulo 422
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422: Era Instinto? 422: Era Instinto? (Do ponto de vista do Ciano)
Eu abri a porta com uma chave reserva que eu vinha carregando comigo. Tudo aconteceu num piscar de olhos. Meus movimentos foram tão rápidos que até eu não podia compreender o que estava fazendo até que terminasse.
Joguei Lloid no chão, que estava tentando despir a Blue. Não sabia se era instintivo porque ela era minha irmã, mas eu estava com mais raiva do que nunca estive.
“Que porra você estava fazendo? Não, você não precisa me responder. Eu vi com meus próprios olhos o que você estava tentando fazer! Saia daqui! Vá se foder! Agora mesmo!”
Foi a primeira vez que gritei tão alto. Mas ainda assim, parecia não ser o suficiente. Não havia mais nada a fazer. Eu poderia fazer algo, mas se fizesse, eles saberiam o meu segredo.
“Príncipe, por favor, não me entenda mal. A princesa está com dor. Eu estava apenas ajudando-a.”
“Saia, Lloid. Apenas vá se foder e saia!”
“Príncipe…”
“Saia!”
“Sim, Príncipe.”
Lloid teleportou. Quando ele saiu, virei-me para Blue. Provando que o seu nome fora bem escolhido, seu rosto tinha exatamente a mesma cor que seu nome sugeria.
“O que você estava fazendo? Por que você desceu até a masmorra? Você sabe o que fez? Você poderia ter arruinado o plano!”
“… Eu… Eu sinto… muito…,” ela murmurou. “Por favor… por favor… não… me bata…”
“Por que eu bateria em você?”
“… Por favor… não… Eu não… farei isso… de novo… Por favor…”
“Eu não vou bater em você, Blue. Eu estava apenas…”
Ela tremia com os braços ao redor de si mesma, preparando-se. Estava dando olhadelas furtivas para mim e estava mais assustada do que antes. Naquele momento, eu sabia porque ela tinha tanto medo de seu irmão, porque ela odiava tanto aquele Draven.
Ele provavelmente tinha feito a vida dela um inferno.
“Blue, olhe, eu…”
Eu nunca tinha visto alguém tão psicologicamente frágil. Eu nunca tinha visto alguém tão aterrorizado comigo ao ponto de me implorar para não bater. Era a minha primeira vez vivenciando algo assim, então eu não tinha ideia do que fazer. Eu só queria acalmá-la, pois estava me deixando muito desconfortável, mas eu não sabia como.
“Eu… sinto… muito…”
“Eu não estou bravo, Blue,” eu disse.
Me assustava o jeito que ela tremia. “Dem… Eu posso… por favor… ir até… o Dem?”
Eu ouvi muito a respeito do Rei Demetrius. Ele era um homem bastante frio. Eu nunca o tinha visto pessoalmente, mas como o plano da Azure o incluía, eu ouvi tudo sobre ele. Ele seria a última pessoa que eu esperaria capaz de consolar alguém e dar apoio emocional a uma pessoa. Mas parecia que eu estava errado. Ele tinha um lado que eu não conhecia e provavelmente muita gente também não.
Seria porque ele podia dar a ela o apoio emocional de que precisava que ela o amava tanto? Afinal, as pessoas sempre procuram pelo lugar onde encontram o conforto de que necessitam.
“Escute, Blue, por favor, se acalme. Eu não vou machucar você. Eu sinto muito por ter gritado com você. Eu não farei isso de novo.”
“Por favor… Eu…”
“Blue, por favor! Se acalme!” Eu gritei, segurando-a pelos ombros. “Eu não sou o Draven. Eu sou Ciano. Talvez eu não seja o melhor irmão, mas eu não vou bater em você. Eu não sou assim.”
“… De verdade…?”
“Sim, isso mesmo. Eu não vou bater em você. Então, você pode se acalmar agora?”
Ela murmurou algo. Sua garganta já estava machucada e quando ela murmurou algo, era inaudível e estrangeiro.
“Eu vou ajudar você a ir até seu marido, tá bom? Eu com certeza vou ajudar, mas você precisa me escutar.”
“Eu… estou cansada…”
“Sim, eu também, só que de coisas diferentes. Você vai sair daqui e voltar para a sua família e eu vou sair daqui e tentar viver sob nada além da minha sombra,” eu disse. “Eu vou ajudar você contanto que prometa nunca mais chorar na minha frente de novo e nunca mais ter medo de mim.”
‘Porque isso me assusta…’
“… Não… ter medo?”
“Isso mesmo. Eu não sou o Draven.”
“C-Certo…”
“Draven, seu irmão, o que ele fez com você? Ele costumava bater em você? Te machucar?”
Ela olhou aterrorizada só de ouvir a menção do nome. Era engraçado e ao mesmo tempo lamentável como uma poderosa maga negra como ela tinha medo de um humano insignificante que ela poderia matar com um estalar de dedos. Era apenas mais um exemplo do que o dano emocional poderia fazer às pessoas.
“Ele… Ele costumava bater em mim… muito… Ele dizia… que tudo… era culpa… minha,” ela disse, enxugando as lágrimas do rosto. “Eu… Eu chorava… implorava… mas… ele nunca… escutava… Fazem… d-dois anos… Mas eu… eu não posso esquecer… Eu ainda… estou… com medo… Eu sei… Eu sou… muito poderosa… agora… mas você sabe o quê? Você… precisa de força… emocional… mais do que qualquer… outra coisa… para revidar… E… eu não… tenho isso…”
“É… como… um pesadelo… Ele é… um pesadelo que… nunca… vai parar… de me a-assombrar…,” ela acrescentou. Foi quando notei que seus lábios estavam sangrando.
“Ele te bateu?” Eu perguntei. “Lloid?”
Ela assentiu. “D-Duas vezes… Eu bati… nele também…”
“Bom trabalho?”
“Hehe…,” ela sorriu.
“O que tem de engraçado?” Eu perguntei, confuso.
“Eu não… sei,” ela gargalhou, tentando se sentar. Eu dei a ela uma mão amiga.
‘Você é um caso perdido, Blue. Eu vou deixar seu marido cuidar do seu conserto. Afinal, ninguém consegue consertar uma pessoa quebrada melhor do que outra pessoa quebrada.’
Não é como se eu estivesse completamente intacto e com a mente saudável. Eu só não precisava de alguém para me consertar. Afinal, eu não queria ser consertado de modo algum.
“Amanhã, você terá que ir em outra missão. Faça direito. Vai doer, mas mesmo assim, certifique-se de fazer. Depois disso, vou garantir que você se recupere rapidamente. É depois disso que eu ajudarei você a escapar.”
“… Você… vai?”
“Sim. Será minha chance de sair também. Eu tenho que aproveitá-la,” eu disse. “Mais dois dias. E você estará fora deste lugar, fora do alcance dele, por enquanto. Depois que eu te tirar daqui, nosso acordo estará terminado. Eu seguirei meu caminho e você o seu. Se ele pegar você de novo, não será minha responsabilidade salvá-la.”
“E… se ele… te encontrar?”
“Isso não é algo com que você deva se preocupar,” eu disse. “Porque eu sou bom em brincar de esconde-esconde.”
No dia seguinte, conforme o planejado, Blue foi na missão. Sua condição não era boa, mas ela podia usar seu poder. Ontem à noite, ela me perguntou onde eu tinha encontrado aquele remédio que melhorou sua resistência. Eu não respondi. Era um segredo, por enquanto.
Azul e Lloid foram com Blue. Eu disse a Azul que Lloid estava tentando machucar a Blue. Mas para Azure, não importava desde que ela pudesse usar seu poder. Não importava para ele se sua própria filha estava sendo assediada por um homem, não importava se ela estava quase morta; ele só precisava do poder dela, não dela como pessoa inteira.
Quando voltaram, como eu esperava, Blue não estava consciente. Ela teve que se esforçar demais para destruir o segundo portão.
“O médico vai examiná-la,” Azure disse. “Dito isso, o que você está fazendo no quarto dela?”
“Estamos nos aproximando,” eu respondi.
“Aproximando? Você nunca se interessou por coisas como ‘aproximação’.”
“Agora me interesso. Quero conhecer melhor minha irmã. Não acho que seja um problema,” eu disse.
“Haa, tanto faz. De todo modo, será bom se vocês dois se entenderem,” ele disse. “Você poderia trocar as roupas dela? O médico chegará logo.”
Blue nunca reclamou que eu trocasse as roupas dela quando estava inconsciente. Ela estava contente por não ser o Lloid. Bem, eu estava no quarto dela, então Lloid não poderia fazer nada. Se eu não estivesse lá, seria ele quem trocaria as roupas dela. Alguém como ele nunca poderia ser confiável, especialmente perto de uma mulher.
‘Mais uma missão. Meu plano precisa funcionar.’
Eu estava confiante quanto ao meu plano. Eu com certeza conseguiria uma saída. Mas o problema era o que aconteceria depois. Azure não seria capaz de me encontrar, mas Blue era uma Rainha. Ela seria uma Rainha quando retornasse. Não haveria lugar para ela se esconder. Eu não me importava particularmente com o bem-estar dela. Mas uma linha de um livro me confundiu.
Um abraça a mãe e o outro segue.