A Noiva do Rei Lobisomem - Capítulo 129
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129: Com Medo de Morrer 129: Com Medo de Morrer (Perspectiva de Blue)
Pela primeira vez, eu estava com medo de morrer. Antes, eu nunca me senti assim. Eu queria viver, mas também nunca tive medo de morrer. Afinal, a morte era uma opção melhor do que todas as coisas que eu enfrentava na minha família.
Eu nunca consegui me matar. Talvez fosse porque eu sempre fui um covarde. Eu era tão covarde que não conseguia me matar, nem viver. Era sempre um estado no meio entre viver e a morte.
‘Então eu era um zumbi sem pensamentos próprios e apenas vivia porque era isso que eu deveria fazer? Apenas respirar e não pensar, como um corpo e mente sem alma…’
Mas agora, eu estava com medo, medo de morrer. Toda vez que eu não conseguia respirar, parecia que era o fim. Mas eu não queria ver o fim ainda. Eu finalmente tinha sido feliz. Eu não merecia essa felicidade? Ou minha vida sempre deveria ser preenchida com desespero?
Mas mais importante, eu não queria morrer porque não queria ver meu marido triste. O que aconteceria com ele se eu morresse? Ele parecia me amar mais do que qualquer coisa no mundo. Eu sempre quis ser amada. Mas se eu soubesse que ser amada seria assim, talvez eu pensasse duas vezes antes de desejar isso. Eu não queria que ele sofresse por minha causa. E daí se eu morresse? Nunca houve muito valor na minha vida. Então, por que agora? Por que ele tinha que me amar e cuidar de mim tanto que eu tinha medo de morrer?
Nos últimos dias eu podia sentir que estava morrendo lentamente. Eu sempre me perguntei como seria morrer lentamente, mas regularmente, até que um dia meu corpo ficasse dormente e eu fosse para outro lugar onde eu não sentiria mais nada e não haveria mais aquelas pessoas que sempre me machucaram. Agora eu sabia como era. Era como se eu soubesse que estava indo para longe, muito longe, mas não podia fazer nada. Chorar também não ajudava em nada. Quando eu olhava o rosto do meu marido cheio de dor, eu não conseguia derramar nem uma única lágrima. Eu apenas sorria, como se estivesse tentando confortá-lo, embora soubesse que não havia um final feliz nos esperando.
Se eu pudesse morrer lentamente sem que ele percebesse, talvez não doesse tanto. Eu partiria em silêncio.
Uma noite, quando ele pensou que eu estava dormindo, eu o ouvi dizer, “Eu nunca poderei ficar satisfeito com o seu fantasma. Se você me deixar, eu também deixarei este mundo. Não há sentido em um mundo sem minha esposa.”
Eu queria dizer a ele que mesmo que eu partisse, havia um longo caminho pela frente para ele. Ele precisava continuar vivendo. Mas por algum motivo, eu não conseguia. Eu nem mesmo conseguia abrir meus olhos. Eu ainda me odiava por isso. Mesmo agora, eu não conseguia dizer isso a ele. Eu era tão covarde…
“Olhe para esta flor.”
Eu olhei para a rosa negra e ri alto. Dem tinha me levado ao jardim enquanto eu melhorava um pouco, mas eu sabia que por dentro, eu estava desaparecendo. Mas era um segredo entre mim e minha alma.
“Você gosta de rosas negras…”, ele disse.
“Ha, sim, eu a-amo elas…”
‘Mas você sabe por quê? Porque a rosa negra é o sinal de morte e luto. Eu sempre quis morrer. Não é apenas pela cor; eu gostava dela por causa do significado.’
Mas eu não queria ver uma agora. Dem não era alguém de pensar no significado das coisas antes de fazê-las. Ele provavelmente não sabia que eu estava pensando assim. Mas, eu só queria jogar aquilo fora. Eu não queria morrer e no momento que eu a vi, não pude deixar de imaginar uma imagem de rosas negras espalhadas pelo meu corpo morto. Na minha mente, eu parecia um anjo, mas um morto, aparentemente.
“Eu não quero isso agora…”
“Seu idiota, Demetrius! Realmente, tenha algum senso, pelo amor de Deus!” Luc gritou e jogou a rosa fora. Talvez tenha sido então que Demetrius percebeu.
“Eu não…”
“Eu quero… voltar para o m-meu quarto,” eu disse e me encostei em seu peito. Não era culpa dele. Mas ainda assim, eu desejava que ele não tivesse feito isso.
‘Apenas pense um pouco mais antes de fazer algo, por favor. Eu te imploro…’
“Tudo bem,” Dem disse.
“Você precisa ser um pouco mais atencioso, seu idiota!” Luc resmungou.
Dem não disse nada. Normalmente, ele retrucaria. Mas dessa vez, parecia que ele se sentia culpado.
“Tem d-ducal… também?” eu perguntei.
“O quê?” ele se surpreendeu. Eu só queria clarear o clima, então perguntei o que me veio à mente. “Sim, tem. Mas por que você está perguntando isso de repente?”
“Eu… não posso?”
“Não é assim… Eu espero que você fique brava comigo. Não vou me surpreender,” ele murmurou enquanto me carregava para o nosso quarto. Eu até havia esquecido como era caminhar com os meus próprios pés.
“Bom, esqueça… isso. Eu não estou… brava…”
‘Mas estou meio triste…’
“Você não está?” ele perguntou.
“Não…”
“… Ha, eu sou mesmo indigno, huh?” ele suspirou.
“N-Não…”
‘Você só não sabe respeitar os sentimentos das pessoas.’
Às vezes eu pensava que se ele não tivesse me conhecido há muito tempo e se apaixonado por mim, talvez ele seria do tipo que descartaria uma mulher depois de ficar com ela por alguns dias, mesmo se a mulher se apaixonasse perdidamente por ele. Por mais que eu o amasse mais por ele ter esperado por mim, eu não podia deixar de pensar que tipo de pessoa ele teria sido se não tivesse me conhecido. E se nós tivéssemos nos conhecido um pouco mais tarde? Ele teria se apaixonado por mim também naquela época? Ou ele me descartaria também? Eu estava sendo ridícula, mas não conseguia evitar.
Talvez ele sempre tenha sido assim. Ele nunca falava com ninguém além de mim direito. Até sua mãe era exceção. Era como se ele nunca tivesse aprendido isso. Quando alguém não aprendeu algo que deveria ser natural e já viveu vinte e quatro anos de sua vida, não tinha como eu ensinar isso a ele. Eu só podia desejar que ele melhorasse, mesmo que um pouco.
“Você pode ficar brava,” ele disse enquanto se sentava na cama comigo nos braços. “Foi minha culpa. Eu não pensei nisso antes.”
“Eu sinto falta da Ava…,” eu disse.
Ele suspirou. “Eu vou falar para a Evelyn voltar.”
“Eu só s-sinto falta dela… Ela é tão pequena… e pura…,” eu murmurei.
Quando eu falava com ela, eu não precisava pensar muito. Era muito fácil. E ela se animava com cada coisinha que eu dizia. Eu não podia deixar de desejar aquela mente doce e simples onde tudo era fácil e lindo. Eu queria não ter que pensar tão duro sobre a vida. Era difícil.
Já faziam dois meses que eu não via o rosto dela. Eu só a conheci uma vez por alguns dias, mas eu gostava muito dela. Talvez fosse porque ela estava mais animada para me conhecer do que eu esperava.
Quando eu cheguei aqui, eu pensei que Dem era bom com crianças, já que ele era muito gentil com Ava. Mas eu estava errada. Depois que nos aproximamos, ele me disse que na verdade se comportava assim para que eu não o odiasse. Ele não se importava muito com Ava também e passava muito pouco tempo com ela. Mas uma coisa era certa – ele não a ignorava.
“Se você disser a ela… para voltar, ela v-voltará?” eu perguntei.
“Não,” ele balançou a cabeça. “Mas se você pedir, Evelyn enviará a filha de volta.”
“Ah… Então n-não precisa… Eu não quero… estragar a viagem deles… Eu só senti f-falta dela, só isso,” eu disse.
“Nah, não é assim,” ele disse. “Eles ficarão mais do que felizes em enviar a filha de volta. Eles não podem fazer tantas coisas quanto querem por causa da filha. Eles a enviarão de volta se você quiser. Não será um problema.”
“R-Realmente? Então eu a-acho… que vai ficar tudo bem… Eu me pergunto se ela vai querer algo… Talvez um animal de estimação. Como um Aardvark?”
“O que é um Aardvark?”
“Bom, é um mamífero nativo da África. Você conhece a África? É um continente, como a América do Norte, América do Sul. Eu sou da América do Norte.”
“Quantos continentes existem? Cinco, certo?”
“Sim, você leu sobre isso?”
“Bom, mais ou menos,” ele sorriu.