A Noiva do Diabo - Capítulo 223
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223: …Maneira Mais Fácil, Mais Inteligente? 223: …Maneira Mais Fácil, Mais Inteligente? Oriana estava prestes a dizer seus pensamentos honestos, mas ela percebeu que não poderia. Isso revelaria que ela era a intrusa que viu o rosto de Seren sem um véu naquela noite. Embora não pudesse se expor, ela não pôde deixar de dizer algo indiretamente para elogiar a mulher mais bonita que ela já tinha visto.
“Você me lisonjeia, Sua Majestade. Acredito que Sua Majestade só pode dizer isso porque não costuma ver seu reflexo no espelho.”
“Você acha?” Perguntou Seren.
“Tenho certeza.”
Seren brincou com a barra do seu véu. “Além da minha babá, ninguém viu meu rosto.” Havia um fio de melancolia em sua voz, como se houvesse mais que ela não estava dizendo. “E por causa disso, além da minha babá, ninguém elogiou minha aparência. Você sabe como são as babás. Elas são supostas a te elogiar sobre tudo, então isso não conta.” Seren balançou sua cabeça, antes de mudar de assunto. “Falando da minha babá, eu soube o que aconteceu por ela. Acredito que você tomará conta de si mesma e não repetirá o mesmo erro.”
“Não irei, Sua Majestade.” Então, ela murmurou baixo, “Eu também não gostaria de me envergonhar novamente desta maneira.”
Seren deu uma risadinha leve. “Não precisa se sentir envergonhada. Tenho certeza que não é nada comparado à experiência mais embaraçosa que eu tive. A sua ainda poderia ser considerada um incidente normal.”
“Hã? Sua Majestade tem um incidente para se envergonhar?”
A jovem rainha evitou o contato visual, agradecida que seu véu pudesse esconder seu rubor. “Claro que tenho, e conforme eu me lembro disso agora, não posso evitar de sentir o quão tola eu era. Você gostaria de ouvir?”
Oriana assentiu, mas então perguntou, “Está bem para mim saber?”
Seren queria acalmar a jovem mulher e explicou o que aconteceu com ela. Sua história começou com uma pergunta.
“Você se lembra da primeira vez que sangrou?”
Oriana pensou por um instante. “Faz sentido eu ter doze naquela época, Sua Majestade.”
“Veja, quando me casei com meu marido, eu ainda não era adulta. Eu tinha dezessete anos. Nós nem sequer tivemos um noivado, mas para encurtar, o que aconteceu foi que fui de repente casada pela minha família.
“Imagine, uma menina sem noção casada com um estranho absoluto, enviada para viver em outro reino sem ninguém em quem possa confiar. Essa era eu mais de meio ano atrás. Eu estava confusa e assustada. Eu nem sequer confiava no Dray. Na verdade, eu não entendia nada sobre ser marido e mulher, uma dama abrigada tão em branco como um papel. Agora vem a parte embaraçosa.
“Uma bela manhã, eu acordei com dor e encontrei meu vestido coberto de sangue. Horrizada, eu chorei e chorei, culpando o Dray por me ‘envenenar’. Naquela época, eu não sabia nada sobre as mulheres terem um ciclo mensal e mesmo que eu tinha dezessete anos, eu era uma daquelas meninas raras que começam seus ciclos tarde. Ao ver o sangue, eu realmente pensei que ele queria me matar já que o Dray ainda era um estranho para mim.”
Oriana tentou o seu melhor para não rir, mas no final, ela não pôde se conter. Por um momento, imaginando o pânico no rosto daquele rei de aparência fria… deve ter sido uma visão impagável.
Seren continuou, rindo de sua própria gafe. “Eu culpei ele, mas ele não se ofendeu e ao invés chamou minha dama de companhia. Depois, a Senhora Tyra—que é a chefe dos servos do Palácio da Rainha—me fez entender o que aconteceu e somente depois que me acalmei eu percebi quão ingênua e tola eu devo ter parecido.”
Oriana continuou a rir baixo enquanto perguntava, “No entanto, Sua Majestade, você é uma princesa. Você deveria ter sido educada sobre isso, certo? Sem mencionar, você tem sua babá ou sua mãe para te ensinar sobre essas coisas.”
“É complicado explicar, mas…” Seren suspirou. “Eu não era como as outras princesas. Talvez, um dia você ouça a história da famosa filha da bruxa do Reino de Abetha, e então você entenderá.” Ela então ergueu a mão, como se para indicar o fim de sua história. “Dray deve estar de volta. Deixarei você para continuar descansando. Se precisar de algo, basta puxar a corda ao lado da sua cama para que Eva possa atender às suas necessidades.”
Oriana assentiu e a viu sair. Suas últimas palavras lembraram Oriana de algo.
“Sua Alteza também deve estar de volta.”
Mas no próximo momento, ela franziu a sobrancelha e se perguntou porque ela até mesmo fez essa conexão com ele. Por que ela estava pensando nele em primeiro lugar? Se aquele homem cruel está de volta ou não, não era da sua conta.
Ela voltou a se deitar na cama, puxando a colcha sobre a cabeça, tentando se esconder.
‘Eu realmente me tornei um animal de estimação que espera pelo seu mestre. Desde quando me tornei tão inútil?’
Ela começou a se xingar em sua mente por pensar no homem que havia só a ferido de novo e de novo. Mesmo que ela fosse uma serva, ela tinha emoções e ele não tinha direito de tratá-la desse jeito- quando queria ele a puxaria para perto e quando não queria, ele a empurraria para longe.
‘Talvez eu seja um homem aos olhos dele e essa pode ser a razão. Mas eu sei que sou uma mulher e ele é um homem e as suas ações me afetam muito. Eu…eu preciso ir embora dele. Não aguento me sentir assim. Não é para mim. Eu…tenho que ir embora…’
Por alguma razão estranha, uma frase que Yorian disse voltou à sua mente.
‘…um jeito mais fácil, inteligente?’
Oriana puxou a colcha cobrindo o seu rosto e franziu os olhos para o teto, um vislumbre de compreensão fazendo o seu rosto ficar boquiaberto, como se ela finalmente tivesse encontrado uma resposta para sua pergunta que ela estava matutando com cada momento que passava.
‘Como demorei tanto para perceber isso?’ Ela queria se bater. ‘Ah, estúpida! Existe realmente um jeito fácil! É realmente muito fácil! Eu posso resolver todos os meus problemas. Com certeza perdi o contato com a minha inteligência depois de me acostumar a ser o animal de estimação de um príncipe. Mas não mais. Eu conseguirei me afastar dele sã e salva.’