A Noiva do Diabo - Capítulo 222
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222: Compadecendo-se da Jovem Bruxa 222: Compadecendo-se da Jovem Bruxa “A erva principal desta pílula é rara e cara. Como você conseguiu tanto?”
Oriana respondeu hesitante: “Da farmácia real… do Mestre Erich—”
“Erich sabe disso?!” Martha disse em descrença, seu tom carregado de raiva.
“Sim, não, quero dizer, eu tenho conseguido através da farmácia real, e o Mestre só descobriu isso quando eu estava prestes a sair com a delegação. Ele me alertou, mas também entendeu minha situação, e eu prometi a ele que essa seria a última vez.”
Martha continuou franzindo a testa. “Como ele pode permitir que você…? Está perdendo a cabeça com a idade?”
Oriana encarou a reação da mulher mais velha que sempre se comportava calmamente, mas de repente perdeu o equilíbrio. Ela percebeu que Erich e Martha poderiam ser mais próximos do que ela imaginava.
“Você não vai tomar esta medicina depois disso,” Martha a alertou.
“Eu não vou,” Oriana concordou. Não havia necessidade de evitar seu ciclo no próximo mês. Ela tinha certeza que até então ela alcançaria seu objetivo e encerraria o serviço no palácio real. Depois de sair, ela não precisaria tomar este tipo de medicina.
“Eva trará sua refeição aqui. Certifique-se de comer mesmo se não tiver apetite,” Martha instruiu. “Eu preciso cuidar de Sua Majestade agora. Eu volto à tarde.”
Martha se foi, deixando Oriana sozinha, que era exatamente o que ela queria neste momento. Seus pensamentos vagaram para as memórias da última noite.
‘Foi por causa dele ou eu estava apenas exagerando por causa dos meus hormônios?’
Ela tentou entender a dor que sentia, mas sabia muito bem por que estava machucada.
‘Isso não é bom para mim. Quanto mais eu fico perto dele, menos provável é que eu consiga descartar essas expectativas irreais. Devo estar fora de mim. Como posso me sentir assim em relação a esse moleque?’ Ela brincava distraída com uma mecha de seu cabelo. ‘Mas como posso partir sem mesmo conseguir o que vim buscar em primeiro lugar? E mesmo que eu fuja, serei caçada. Não estou confiante de que possa voltar a Wimark e fugir com o Vovô em segurança. Eu preciso encontrar uma maneira…’
Justamente naquele momento, ouviu uma batida na porta e uma jovem entrou, trazendo uma refeição para ela. Oriana a reconheceu como uma das criadas da Rainha de Megaris.
“Boa tarde, Senhorita.” A criada ofereceu a ela um sorriso educado. “Eu sou Eva.”
“Boa tarde, Eva.”
“Eu trouxe mingau quente para você.”
“Antes disso, você poderia me ajudar a me arrumar um pouco?” Ela sentiu desconforto por estar coberta de suor. No entanto, as cólicas, combinadas com a fraqueza geral do corpo, dificultavam seus movimentos.
“Ah, claro, Senhorita, mas o seu mingau vai esfriar.”
“Tudo bem.” Oriana assentiu e Eva chegou ao seu lado para ajudá-la. “Obrigada, Eva.”
A jovem criada apenas sorriu. Oriana percebeu que ela não mostrou qualquer mudança na expressão quando a viu vestida de mulher. Parece que todos eles aceitaram sua realidade e não a culparam por enganá-los.
Depois de se refrescar, Eva trouxe a mesa de bandeja de madeira e serviu a comida de Oriana na cama. “Por favor, aproveite sua refeição. A Senhorita Martha me pediu para avisar que você tem que comer tudo.”
Oriana sentiu que não podia ir contra as palavras daquela mulher mais velha. Compelida a seguir suas palavras, ela deixou escapar um pequeno sorriso enquanto assentia.
“Eu vou.”
Depois de terminar a refeição e a poção dada a ela por Martha, Oriana retomou seu descanso. Ela sabia que não seria capaz de andar, muito menos correr com sua condição atual. Fugir dessa mansão sem ser pega parecia um sonho distante.
‘Estou cansada, vovô,’ ela não pôde deixar de pensar, sentindo saudades da única família que lhe restou. ‘Verdadeiramente cansada… e confusa… eu quero minha vida de volta… nossa vida de volta… eu nem sei mais o que fazer agora… eu queria que alguém pudesse me dizer o que fazer…’
À medida que outra onda de esgotamento cobria seu corpo fraco, seus olhos foram se fechando, sua consciência se escorregando pelos dedos.
‘… se ao menos alguém pudesse me tirar daqui…”
——
Quando a tarde chegou, Seren veio visitar Oriana. Igualmente atordoada e lisonjeada por ver a Rainha de Megaris, Oriana estava prestes a sair da cama para cumprimentá-la, mas Seren a deteve.
“Fique na cama. Você ainda não está bem.” Seren caminhou em direção à cama.
“Desculpe, Majestade.”
“Não há nada para se desculpar.” Seren perguntou: “Como você está se sentindo agora, Oriana?”
A jovem mulher corou, ainda incapaz de se acostumar a ser chamada pelo seu nome verdadeiro.
“Eu… estou bem, Majestade. Não havia necessidade de você vir me ver assim.”
“Não é nada demais. Espero não estar perturbando seu descanso”, ela comentou.
“Ah, de jeito nenhum! Na verdade, estou honrada!”
Os olhos de Seren curvaram-se em risos. “Bem, é uma falta de etiqueta visitar uma pessoa doente sem aviso prévio. Afinal, a maioria das pessoas não gosta que os outros as vejam fracos e indignos.”
Oriana simplesmente riu. “Sua Majestade, etiqueta e coisas sofisticadas só importam para aqueles com alto status. Aprecio muito a sua visita.”
“Então você não se importa se eu fizer isso?” A rainha velada sentou-se na beira da cama, seus olhos sorrindo enquanto olhava para Oriana que estava sentada com as costas encostadas na cabeceira da cama.
“E-eu não me importo! Você pode se sentar onde quiser!”
Aqueles olhos roxos brilharam em risos, fazendo as bochechas de Oriana ficarem vermelhas de vergonha.
“Você fica linda de vestido, Oriana,” a Rainha começou, fazendo o rubor de Oriana se aprofundar. “E o seu cabelo, sua cor deslumbrante, me lembra o pôr do sol. Você tem um tipo de beleza que hipnotiza.”
As palavras e o olhar de Seren eram genuínos.
Oriana estava oprimida. Para pensar que a mulher mais linda que ela já tinha visto estava elogiando-a! Comparada à Rainha de Megaris, a aparência dela não era nada!